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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Manual do Estagiário - Capítulo I

Perigo nas redes sociais

Você não imagina o quanto pode ser perigoso usar seu Orkut, Facebook, Twitter ou LinkedIn. As pessoas  (principalmente os jovens mais desmiolados que após alguns meses de estágio ficam desiludidos com o mundo) têm a mania de pensar que "xingar muito no twitter" vai resolver sua vida. Mas cuidado com o que você twittar. Chamar seu chefe de porco chauvinista (por mais que ele realmente seja) pode custar seu emprego. Exibir fotos no orkut em que você está agarrando a filha (menor de idade) do porc... digo, do seu chefe, também pode resultar na sua demissão. E lembre-se, você é apenas um estagiário, sem direito a benefício algum caso seja demitido.

Outra coisa que não funciona é entrar em comunidades do tipo "Eu odeio meu chefe", "Eu odeio trabalhar na segunda-feira" ou "Quero pegar a coroa do meu chefe" (essa última está terminantemente proibida). Você pode clamar pelo direito de expressão, de usar seu orkut da forma que bem entender. Mas seu superior também usará o direito que ele possui de não ter você como empregado. E não adianta passar o dia choramingando no facebook que você não aguenta mais esse dia, que está morrendo de sono, trabalhando por dois, etc. Primeiro porque isso não aumentará sua popularidade. Segundo porque, quanto mais você reclamar que trabalha demais, mais trabalho surgirá. É a Lei de Murphy. É bom acostumar-se desde cedo com a ideia de que seu chefe JAMAIS vai dizer "nossa, você tem trabalhado muito. Tira uma folga amanhã".

Por fim, uma dica para quem trabalha diretamente com a internet e mídias sociais. Cuidado com o que você posta no seu perfil. Cuidado principalmente na hora de averiguar se o perfil em que você está postando alguma "piadinha" é realmente o seu ou o da empresa. Erros assim acontecem, é humano, ou melhor, é sempre coisa de estagiário. Aquela frase infeliz da @MEC_Comunicacao, por exemplo, é o tipo de erro causado pela euforia de um estagiário. Agências de publicidade que reclamam de clientes no twitter, sempre têm o dedo de um estagiário. É verdade que os clientes merecem a reclamação na maioria dos casos, mas ainda assim, quem você acha que seria dispensado pelo dono da agência?

Resumo: Você pode até se considerar vítima das circusntâncias, mas o resto da humanidade não está nem aí pra isso. E sim, seu chefe, com certeza, é o responsável pela fome na África. E se um dia você deixar de ser estagiário e se tornar chefe, você também será o culpado por todas as dores do mundo.

PS: Esse texto não passa de ficção escrota e barata, e qualquer semelhança descritiva com o FDP do seu chefe ou exemplos de erros que você já tenha visto na sua cidade, é pura coincidência.

Para ler o primeiro post da série clique neste link.

sábado, 18 de setembro de 2010

Minha rede é anti-social

Hoje de tarde twittei algo sobre política, por causa de candidatos que, em período eleitoral, resolvem adicionar todo o mundo em suas redes sociais. Mas penso que o assunto merece ser tratado de forma mais ampla, por isso resolvi escrever sobre isso aqui no blog. É um tal de "adiciona aqui", "adiciona ali" que não para mais. Orkut e Facebook são as principais fontes dessa prática. Mas o Twitter também tem perfis de políticos em crescimento absurdo, com a vantagem de que, mesmo que eles nos sigam, temos a opção de não segui-los. Mas o que realmente me irrita nessa prática não é o simples ato de adicionar, de poluir a interface da rede social com propaganda política. O que realmente frustra nessa história é que a maioria desses políticos não sabe usar o Orkut (ou o Facebook, ou o Twitter, ou seja qual rede for) para expressar suas propostas. Adicionam para simplesmente mostrarem seus rostos e emitirem frases constantes de "vote em fulano de tal, por um Brasil melhor", "contra burguês...", "você me conhece...", "luto pela renovação, por um país mais justo e sem corrupção".

Vamos falar sério, alguém com cérebro vai votar em um candidato apenas porque ele (ou ela) o adicionou no Orkut e fica falando coisas desse tipo? Não consigo aceitar que alguém que vai administrar nosso país não consiga, ao menos, qualificar sua rede social com propostas de verdade, com conteúdo, com algo que realmente interesse ao povo. O povo não quer receber spam de político, não quer carregar um quilo de papel por dia em panfletos, não quer ligar a TV para ouvir um candidato acusando o outro. O que o eleitor precisa conhecer, de fato, são as propostas, a ideologia, aquilo que cada candidato pensa ser o melhor para o país. Qualquer coisa além disso é informação inútil, desperdício do tempo do candidato e, principalmente, do povo.

Falar sobre política é sempre difícil, porque as opiniões são muito divergentes. Mas tomei uma decisão de 2008 (quando votei pela primeira vez) pra cá: não voto em candidato que me entregar santinho. Simplesmente porque considero um desrespeito com o meio ambiente e com o povo. Não voto em candidato que adiciona todo o mundo no Orkut e no Facebook e que segue no Twitter em época de eleição na expectativa de conquistar a simpatia. Não elejo alguém que desperdiça seu tempo de campanha criticando os adversários. E principalmente, nunca, jamais, em tempo algum, nem mesmo em meus sonhos mais loucos (parafraseando o professor Paulo Pinheiro), voto em quem faz boca de urna. Isso não é apenas uma questão moral, uma questão de desrespeito com quem vota, mas é um crime. Quem pratica boca de urna deve ser preso e seu candidato deve ser cassado. Meu pensamento é radical demais em alguns aspectos, eu sei, mas do jeito que a política no país anda, a única alternativa para modificar é um tratamento de choque.

Jovem Foca