O Estagiário e as Relações Políticas
Se estagiário longe do poder já faz merda, imagina quem trabalha diariamente com os governantes, seja na cidade, estado ou mesmo em nível nacional. A verdade é que o pobre estagiário tem o dom de atrair problemas. É verdade que ele tenta fazer tudo certo, da melhor forma possível. Aquela busca incansável por um elogiozinho que seja. Mas, como já ficou bastante claro nos capítulos anteriores, seu chefe não é muito fã de elogios. A única forma de receber um elogio é se você for uma estagiária gostosa. Nesse caso, com certeza, seu chefe a elogiará. E muito. Dará presentes. Oferecerá caronas. Mas depois que cansar de te comer, vai te deixar de lado, como fez com todas as outras.
Mas a questão agora não é quem seu chefe come ou deixa de comer. O fato é que você, estagiário, em sua ânsia de mostrar-se competente, acaba pecando nos detalhes mais sutis. Já falamos aqui, por exemplo, sobre a importância de não falar besteiras no twitter corporativo. Mas teve um estagiário do STF que esqueceu dessa regra, se descuidou, e fez merda. E ele mexeu logo com o Sarney. Já não bastasse o osso, o senador agora não vai largar o pé do pobre estagiário também.
E quem não se lembra do caso do MEC, quando sua assessoria de comunicação ameaçou, via twitter, os alunos que estavam reclamando da incompetência do sistema na realização do ENEM de 2010? Bem coisa de estagiário mesmo. Pelo que sei, estão procurando novos estagiários até hoje. E não fazer piadas em redes sociais é diferencial.
Mas, quando o assunto é política, estagiário não faz burrada apenas pelo twitter. Bem pelo contrário. Tem cidades por aí em que o governo municipal, por exemplo, tenta inibir os jornais locais. Ferem o direito constitucional do acesso à informação. E o que é mais triste é que essa atitude, logicamente, não parte dos estagiários. Ela vem de cima. Você, estagiário, é apenas o capacho que deve obedecer as ordens que vem de cima. Ou isso, ou manda o chefe pra longe e procura outro emprego que pague a mesma merreca que recebe na prefeitura.
É claro que esse foi apenas um exemplo tolo. Afinal, não existem mais cidades no Brasil em que o coronelismo reina. Aquela história de prefeita esposa de ex-prefeito, agora deputado, que elege o filho vereador e depois deputado também e blá blá blá, não passa de besteira. Vivemos em uma democracia e elegemos nossos governantes de forma sensata. Está certo que, vez ou outra, surge um estagiário da prefeitura em comunidades carentes doando roupas, alimentação e medicamentos."E vê se não faz merda, hein? Não deixa ninguém da oposição te ver por lá", são as palavras que martelam na cabeça do estagiário enquanto ele distribui os "agrados" ao povo. A sirene soa. "Mão pra cima, rapá, mão pra cima." Alguém da oposição viu o estagiário e denunciou pra polícia. Afinal, é véspera de eleição municipal. Ainda assim, o atual governo vence. O estagiário tem mérito nisso, mas fica esquecido na cadeia. E que não espere um elogio. Esse "acaso" faz parte de seu trabalho, e ele não fez mais do que sua obrigação.
Para ler o capítulo anterior, clique aqui.
Para ler o primeiro post da série clique neste link.
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Quando política era mitologia
Todos os problemas da sociedade moderna começaram com os Deuses da mitologia grega. Não estou exagerando, é sério. A compra de votos, por exemplo, nada mais é do que uma prática milenar inventada por três das mais lindas Deusas. Tudo começou quando a Deusa da Discórdia deixou de ser convidada para um casamento. Invejosa, resolveu ir escondida à cerimônia e plantou um pequeno "mimo" (um pomo de ouro) com os dizeres "à mais bela". Na festa estavam as três grandes beldades do Monte Olimpo, Hera, Atena e Afrodite, e todas queriam o agrado para si. Foram até Zeus para que ele decidisse quem era a merecedora do prêmio de "a mais bela dentre as Deusas". Mas ele, como não é bobo nem nada, não quis ser o jurado. Desceu à Terra e escolheu um pastor para julgar quem ficaria com o prêmio.
O pastor era ninguém menos que Páris, príncipe de Tróia, irmão de Heitor e filho do rei Príamo. Ele vivia como pastor porque, logo após nascer, seu pai consultara um oráculo que anunciou a queda de Tróia caso o menino vivesse. A mãe do pequeno príncipe exitou em matá-lo e o entregou a uma família de camponeses. Assim, Páris cresceu como um pastor e via-se, nesse momento, diante de quatro divindades. Zeus deixou a decisão nas mãos do pobre príncipe/pastor. O voto deveria ser sem pressão alguma, e as candidatas não poderiam falar com o jurado. Mas afinal, quem dá atenção às regras? A primeira a desobedecer foi a própria rainha do Monte Olimpo. Hera ofereceu toda a riqueza e poder que um mortal pode querer. Depois, Atena veio fazer sua proposta. Ela prometeu dar ao rapaz todo o poder de batalha e sabedoria jamais vista. Por fim, a encantadora Afrodite ofereceu o coração da mulher mais linda da Terra. A criatura mais doce e angelical que já vagou entre os humanos. Ao fim do dia, Zeus retornou. A vencedora era Afrodite.
Páris comprou briga com duas das criaturas mais poderosas da mitologia. Mas o prêmio parecia valer a pena. O coração prometido por Afrodite era da bela Helena, esposa de Menelau, rei de Esparta. Alguns anos se passaram desde a decisão de Páris e a promessa da Deusa do amor. Ele, que antes era um pastor, agora já era reconhecido e abençoado por seu pai como príncipe de Tróia. E como príncipe, fora designado a uma viagem diplomática à Esparta, na companhia de seu irmão. Ao chegar, viu a bela Helena e apaixonou-se imediatamente. Ambos fugiram rumo a Tróia, enfurecendo Menelau. Com o apoio de Agamenon e Nestor, mais de mil navios foram enviados para recuperar Helena e a honra do rei espartano.
Helena foi recebida como uma verdadeira princesa troiana e protegida como tal. Os gregos tentaram de todas as formas invadir a cidade usando a força, mas falharam. A chave para vencer a guerra era usar o cérebro. Heitor foi o principal soldado troiano, mas pereceu nas mãos de Aquiles, a grande arma dos gregos. A guerra durou semanas, matou milhares de guerreiros e eternizou heróis. Helena de Tróia é vista como a principal culpada pelas sangrentas batalhas, mas poucos lembram que tudo ocorreu porque, certa vez, um humilde camponês aceitou vender seu voto.
O pastor era ninguém menos que Páris, príncipe de Tróia, irmão de Heitor e filho do rei Príamo. Ele vivia como pastor porque, logo após nascer, seu pai consultara um oráculo que anunciou a queda de Tróia caso o menino vivesse. A mãe do pequeno príncipe exitou em matá-lo e o entregou a uma família de camponeses. Assim, Páris cresceu como um pastor e via-se, nesse momento, diante de quatro divindades. Zeus deixou a decisão nas mãos do pobre príncipe/pastor. O voto deveria ser sem pressão alguma, e as candidatas não poderiam falar com o jurado. Mas afinal, quem dá atenção às regras? A primeira a desobedecer foi a própria rainha do Monte Olimpo. Hera ofereceu toda a riqueza e poder que um mortal pode querer. Depois, Atena veio fazer sua proposta. Ela prometeu dar ao rapaz todo o poder de batalha e sabedoria jamais vista. Por fim, a encantadora Afrodite ofereceu o coração da mulher mais linda da Terra. A criatura mais doce e angelical que já vagou entre os humanos. Ao fim do dia, Zeus retornou. A vencedora era Afrodite.
Páris comprou briga com duas das criaturas mais poderosas da mitologia. Mas o prêmio parecia valer a pena. O coração prometido por Afrodite era da bela Helena, esposa de Menelau, rei de Esparta. Alguns anos se passaram desde a decisão de Páris e a promessa da Deusa do amor. Ele, que antes era um pastor, agora já era reconhecido e abençoado por seu pai como príncipe de Tróia. E como príncipe, fora designado a uma viagem diplomática à Esparta, na companhia de seu irmão. Ao chegar, viu a bela Helena e apaixonou-se imediatamente. Ambos fugiram rumo a Tróia, enfurecendo Menelau. Com o apoio de Agamenon e Nestor, mais de mil navios foram enviados para recuperar Helena e a honra do rei espartano.
Helena foi recebida como uma verdadeira princesa troiana e protegida como tal. Os gregos tentaram de todas as formas invadir a cidade usando a força, mas falharam. A chave para vencer a guerra era usar o cérebro. Heitor foi o principal soldado troiano, mas pereceu nas mãos de Aquiles, a grande arma dos gregos. A guerra durou semanas, matou milhares de guerreiros e eternizou heróis. Helena de Tróia é vista como a principal culpada pelas sangrentas batalhas, mas poucos lembram que tudo ocorreu porque, certa vez, um humilde camponês aceitou vender seu voto.
sábado, 18 de setembro de 2010
Minha rede é anti-social
Hoje de tarde twittei algo sobre política, por causa de candidatos que, em período eleitoral, resolvem adicionar todo o mundo em suas redes sociais. Mas penso que o assunto merece ser tratado de forma mais ampla, por isso resolvi escrever sobre isso aqui no blog. É um tal de "adiciona aqui", "adiciona ali" que não para mais. Orkut e Facebook são as principais fontes dessa prática. Mas o Twitter também tem perfis de políticos em crescimento absurdo, com a vantagem de que, mesmo que eles nos sigam, temos a opção de não segui-los. Mas o que realmente me irrita nessa prática não é o simples ato de adicionar, de poluir a interface da rede social com propaganda política. O que realmente frustra nessa história é que a maioria desses políticos não sabe usar o Orkut (ou o Facebook, ou o Twitter, ou seja qual rede for) para expressar suas propostas. Adicionam para simplesmente mostrarem seus rostos e emitirem frases constantes de "vote em fulano de tal, por um Brasil melhor", "contra burguês...", "você me conhece...", "luto pela renovação, por um país mais justo e sem corrupção".
Vamos falar sério, alguém com cérebro vai votar em um candidato apenas porque ele (ou ela) o adicionou no Orkut e fica falando coisas desse tipo? Não consigo aceitar que alguém que vai administrar nosso país não consiga, ao menos, qualificar sua rede social com propostas de verdade, com conteúdo, com algo que realmente interesse ao povo. O povo não quer receber spam de político, não quer carregar um quilo de papel por dia em panfletos, não quer ligar a TV para ouvir um candidato acusando o outro. O que o eleitor precisa conhecer, de fato, são as propostas, a ideologia, aquilo que cada candidato pensa ser o melhor para o país. Qualquer coisa além disso é informação inútil, desperdício do tempo do candidato e, principalmente, do povo.
Falar sobre política é sempre difícil, porque as opiniões são muito divergentes. Mas tomei uma decisão de 2008 (quando votei pela primeira vez) pra cá: não voto em candidato que me entregar santinho. Simplesmente porque considero um desrespeito com o meio ambiente e com o povo. Não voto em candidato que adiciona todo o mundo no Orkut e no Facebook e que segue no Twitter em época de eleição na expectativa de conquistar a simpatia. Não elejo alguém que desperdiça seu tempo de campanha criticando os adversários. E principalmente, nunca, jamais, em tempo algum, nem mesmo em meus sonhos mais loucos (parafraseando o professor Paulo Pinheiro), voto em quem faz boca de urna. Isso não é apenas uma questão moral, uma questão de desrespeito com quem vota, mas é um crime. Quem pratica boca de urna deve ser preso e seu candidato deve ser cassado. Meu pensamento é radical demais em alguns aspectos, eu sei, mas do jeito que a política no país anda, a única alternativa para modificar é um tratamento de choque.
Vamos falar sério, alguém com cérebro vai votar em um candidato apenas porque ele (ou ela) o adicionou no Orkut e fica falando coisas desse tipo? Não consigo aceitar que alguém que vai administrar nosso país não consiga, ao menos, qualificar sua rede social com propostas de verdade, com conteúdo, com algo que realmente interesse ao povo. O povo não quer receber spam de político, não quer carregar um quilo de papel por dia em panfletos, não quer ligar a TV para ouvir um candidato acusando o outro. O que o eleitor precisa conhecer, de fato, são as propostas, a ideologia, aquilo que cada candidato pensa ser o melhor para o país. Qualquer coisa além disso é informação inútil, desperdício do tempo do candidato e, principalmente, do povo.
Falar sobre política é sempre difícil, porque as opiniões são muito divergentes. Mas tomei uma decisão de 2008 (quando votei pela primeira vez) pra cá: não voto em candidato que me entregar santinho. Simplesmente porque considero um desrespeito com o meio ambiente e com o povo. Não voto em candidato que adiciona todo o mundo no Orkut e no Facebook e que segue no Twitter em época de eleição na expectativa de conquistar a simpatia. Não elejo alguém que desperdiça seu tempo de campanha criticando os adversários. E principalmente, nunca, jamais, em tempo algum, nem mesmo em meus sonhos mais loucos (parafraseando o professor Paulo Pinheiro), voto em quem faz boca de urna. Isso não é apenas uma questão moral, uma questão de desrespeito com quem vota, mas é um crime. Quem pratica boca de urna deve ser preso e seu candidato deve ser cassado. Meu pensamento é radical demais em alguns aspectos, eu sei, mas do jeito que a política no país anda, a única alternativa para modificar é um tratamento de choque.
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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
A saga de Jorge
Jorge era estudante de jornalismo. Aliás, um dos muitos estudantes que não desistiu do sonho de trabalhar em regime de semi-escravidão por um salário miserável mesmo após a queda do diploma. Ele também se ofendeu quando nosso querido ministro comparou jornalistas a cozinheiros e babás (meu profundo respeito por essas profissões). E se indignou quando o Arruda fingiu não estar nem aí, sob as vaias da imprensa.
Como todo estudante de jornalismo, ou pelo menos como a maioria, Jorge estava sempre duro. Mesmo antes de encarnar na profissão, já sentia os reflexos da falta de dinheiro. A namorada o largou porque não queria um cara que não podia nem levá-la ao cinema. Foi então que resolveu mudar sua vida. Não, ele não desistiu do jornalismo, nem daqueles ideais solitários que invadem a mente de todo universitário, aquela certeza de que pode mudar o mundo, acabar com a corrupção, socorrer os feridos do Haiti, essas coisas de sempre.
Jorge resolveu procurar um estágio!
Mas como sabemos, entrar no mercado de trabalho, principalmente no mundo do jornalismo (mundo este em que centenas de pessoas disputam uma vaga de salário mínimo como se fosse um bilhete premiado da loteria), não é algo tão simples. São necessários, no mínimo, 3 requisitos. 1 - Se quiser trabalhar em TV (e esse era o sonho de Jorge), tem que ser bonito. E esse, certamente, não era o caso de nosso amigo. Jorge não era bonito e sabia disso, mas ele tinha uma boa locução a seu favor. 2 - Se quiser trabalhar em impresso, tem que ser um leitor assíduo. Outro ponto negativo desse jovem estudante, preguiçoso e sonhador. Ele passava horas de seu dia em frente ao computador, ocupadíssimo com vídeos de humor, resumos de novelas e, acreditem ou não, chats com atrizes pornô. Aliás, a pornografia foi algo que sempre o fascinou. Tanto que alguns de seus trabalhos da universidade eram críticas de filmes pornô. E críticas bem feitas por sinal. Mas ainda assim, isso não representava um grande diferencial para um estudante sem experiência no currículo à procura de uma oportunidade. 3 - Por fim, tem que ter um padrinho, alguém influente ou mesmo um conhecido qualquer que lhe indique e lhe ajude. Mas Jorge era um jovem sem muitos contatos profissionais. Seus conhecimentos e relacionamentos com pessoas mais velhas ou que já estivessem no mercado não passavam de seus colegas e professores.
Dessa forma, as chances de conseguir um emprego, ou melhor, um estágio na área eram reduzidíssimas. Mas para quem tem motivação de continuar em um curso de jornalismo mesmo sabendo que pagam mal, que o diploma não tem mais valor, que faz-se hora extra todo dia e que nunca se recebe por isso, que corre o risco diário de ser furado, de perder a matéria dos sonhos, que nunca vai progredir se não for uma funcionária gostosa ou um bajulador do chefe, que todo jabá que receber será mal visto, que sua vida amorosa e principalmente, sexual, será um desgraça, não porque será rejeitado, mas porque, enquanto trabalha, sua mulher vai ficar com o Ricardão, recebendo todo o afeto (ou seja lá o nome que queiram dar) que o pobre jornalista não tem tempo de conceder, se mesmo assim ele tem coragem de continuar cursando jornalismo, conseguir emprego não passa de mais uma pequena barreira a ser ultrapassada.
Sendo assim, o corajoso Jorge segue na procura de um estágio, larga currículos (com a fonte em tamanho grande, espaçamento duplo, todas as artimanhas para tentar preencher uma folha A4, algo dificílimo para quem nunca trabalhou nem fez cursos complementares), se inscreve em agências, anota as oportunidades dos classificados. Mas o tempo vai passando. Uma semana desde a difícil decisão, uma decisão sem volta pois começar a trabalhar no jornalismo é algo que vicia. Por piores que sejam os dias de trabalho, é estimulante estar ali. Mas Jorge ainda não sabe o que é isso, porque ninguém quer lhe dar uma chance. Talvez se mandasse em anexo ao currículo uma de suas críticas, pensava. Mas não saía do lugar. Ficava apenas pensando o que poderia fazer para melhorar seu currículo, melhorar suas chances de afundar-se para sempre nesse mar desgastante e compensador (não financeiramente é claro!). Até que seu telefone toca. Do outro lado, uma agência, uma vaga, finalmente uma oportunidade!
Mas será que Jorge vai conseguir seu tão sonhado estágio? Descubra segunda-feira, no próximo post.
Como todo estudante de jornalismo, ou pelo menos como a maioria, Jorge estava sempre duro. Mesmo antes de encarnar na profissão, já sentia os reflexos da falta de dinheiro. A namorada o largou porque não queria um cara que não podia nem levá-la ao cinema. Foi então que resolveu mudar sua vida. Não, ele não desistiu do jornalismo, nem daqueles ideais solitários que invadem a mente de todo universitário, aquela certeza de que pode mudar o mundo, acabar com a corrupção, socorrer os feridos do Haiti, essas coisas de sempre.
Jorge resolveu procurar um estágio!
Mas como sabemos, entrar no mercado de trabalho, principalmente no mundo do jornalismo (mundo este em que centenas de pessoas disputam uma vaga de salário mínimo como se fosse um bilhete premiado da loteria), não é algo tão simples. São necessários, no mínimo, 3 requisitos. 1 - Se quiser trabalhar em TV (e esse era o sonho de Jorge), tem que ser bonito. E esse, certamente, não era o caso de nosso amigo. Jorge não era bonito e sabia disso, mas ele tinha uma boa locução a seu favor. 2 - Se quiser trabalhar em impresso, tem que ser um leitor assíduo. Outro ponto negativo desse jovem estudante, preguiçoso e sonhador. Ele passava horas de seu dia em frente ao computador, ocupadíssimo com vídeos de humor, resumos de novelas e, acreditem ou não, chats com atrizes pornô. Aliás, a pornografia foi algo que sempre o fascinou. Tanto que alguns de seus trabalhos da universidade eram críticas de filmes pornô. E críticas bem feitas por sinal. Mas ainda assim, isso não representava um grande diferencial para um estudante sem experiência no currículo à procura de uma oportunidade. 3 - Por fim, tem que ter um padrinho, alguém influente ou mesmo um conhecido qualquer que lhe indique e lhe ajude. Mas Jorge era um jovem sem muitos contatos profissionais. Seus conhecimentos e relacionamentos com pessoas mais velhas ou que já estivessem no mercado não passavam de seus colegas e professores.
Dessa forma, as chances de conseguir um emprego, ou melhor, um estágio na área eram reduzidíssimas. Mas para quem tem motivação de continuar em um curso de jornalismo mesmo sabendo que pagam mal, que o diploma não tem mais valor, que faz-se hora extra todo dia e que nunca se recebe por isso, que corre o risco diário de ser furado, de perder a matéria dos sonhos, que nunca vai progredir se não for uma funcionária gostosa ou um bajulador do chefe, que todo jabá que receber será mal visto, que sua vida amorosa e principalmente, sexual, será um desgraça, não porque será rejeitado, mas porque, enquanto trabalha, sua mulher vai ficar com o Ricardão, recebendo todo o afeto (ou seja lá o nome que queiram dar) que o pobre jornalista não tem tempo de conceder, se mesmo assim ele tem coragem de continuar cursando jornalismo, conseguir emprego não passa de mais uma pequena barreira a ser ultrapassada.
Sendo assim, o corajoso Jorge segue na procura de um estágio, larga currículos (com a fonte em tamanho grande, espaçamento duplo, todas as artimanhas para tentar preencher uma folha A4, algo dificílimo para quem nunca trabalhou nem fez cursos complementares), se inscreve em agências, anota as oportunidades dos classificados. Mas o tempo vai passando. Uma semana desde a difícil decisão, uma decisão sem volta pois começar a trabalhar no jornalismo é algo que vicia. Por piores que sejam os dias de trabalho, é estimulante estar ali. Mas Jorge ainda não sabe o que é isso, porque ninguém quer lhe dar uma chance. Talvez se mandasse em anexo ao currículo uma de suas críticas, pensava. Mas não saía do lugar. Ficava apenas pensando o que poderia fazer para melhorar seu currículo, melhorar suas chances de afundar-se para sempre nesse mar desgastante e compensador (não financeiramente é claro!). Até que seu telefone toca. Do outro lado, uma agência, uma vaga, finalmente uma oportunidade!
Mas será que Jorge vai conseguir seu tão sonhado estágio? Descubra segunda-feira, no próximo post.
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segunda-feira, 1 de junho de 2009
Relembrando 1808
Por muito tempo, mais especificamente até 1999, o dia da imprensa foi comemorado em 10 de setembro. Isso porque foi nesta data, no ano de 1808, que circulou, pela primeira vez, a Gazeta do Rio de Janeiro, considerada durante um longo período como o primeiro jornal brasileiro. A Gazeta era um periódico da corte e antes de seu lançamento era extremamente proibida a circulação e a impressão de qualquer livro ou jornal no país. Entretanto, houve um predecessor que circulava clandestinamente. O Jornal chamava-se Correio Braziliense, criado pelo gaúcho Hipólito José da Costa e impresso na Inglaterra. Diferente dos conhecidos jornais de nossos tempos, os impressos de Hipólito mais assemelhavam-se a livros. A primeira edição do jornal clandestino data de 1º de junho de 1808, três meses antes da criação da Gazeta. Mas foi apenas em 1999, com a contestação de historiadores - que defendiam o Correio como o marco do jornalismo no país - que a data mudou para 1º de junho.
Há ainda muitas especulações, teorias (conspiratórias ou não), incertezas. Alguns acreditam que Hipólito da Costa, apesar de defender ideais libertários em eu periódico, encontrava-se com a monarquia, servia-se do dinheiro dos poderosos que tanto criticava e, talvez, até mantivesse pactos com aqueles que, antes, proibiam a publicação de tais influências contra o regime monárquico. Para saber se é verdade basta procurar, há registros históricos que detalham esses "boatos". Críticos afirmam que o Correio, mesmo sendo (em teoria) contra o governo, não passava de um periódico vendido a ele. Se é verdade, eu não sei. Infelizmente ainda não consegui estudar o assunto com tal profundidade. Mas será que o fato tira o brilhantismo dessa data? Afinal, como comunicadores, ou estudantes da área, deveríamos nos orgulhar ao invés de procurarmos razões ou teorias incertas sobre um jornal que dava a luz a novos ideais (liberté, égalité, fraternité), um periódico estatal que não trazia nada de interesse público ou sobre supostos sinais do primeiro caso de corrupção entre a imprensa e o governo brasileiro.
Há ainda muitas especulações, teorias (conspiratórias ou não), incertezas. Alguns acreditam que Hipólito da Costa, apesar de defender ideais libertários em eu periódico, encontrava-se com a monarquia, servia-se do dinheiro dos poderosos que tanto criticava e, talvez, até mantivesse pactos com aqueles que, antes, proibiam a publicação de tais influências contra o regime monárquico. Para saber se é verdade basta procurar, há registros históricos que detalham esses "boatos". Críticos afirmam que o Correio, mesmo sendo (em teoria) contra o governo, não passava de um periódico vendido a ele. Se é verdade, eu não sei. Infelizmente ainda não consegui estudar o assunto com tal profundidade. Mas será que o fato tira o brilhantismo dessa data? Afinal, como comunicadores, ou estudantes da área, deveríamos nos orgulhar ao invés de procurarmos razões ou teorias incertas sobre um jornal que dava a luz a novos ideais (liberté, égalité, fraternité), um periódico estatal que não trazia nada de interesse público ou sobre supostos sinais do primeiro caso de corrupção entre a imprensa e o governo brasileiro.
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