Peço desculpas aos leitores desse blog (se é que alguém se dá ao trabalho de ler esse blog) por tanto tempo sem atualizar. Mas vocês já estão acostumados com isso né. Sabem que, de vez em quando, paro por um tempo com o blog para depois retomá-lo. Bem, dessa vez volto com novidades. A primeira é que a 1ª edição do Jovem.Com já está disponível no seguinte Link. O Jovem.Com é um telejornal jovem desenvolvido por mim, Ana Luiza Rabuske, Carolina Lopes, Viviane Moura e Yaundé Narciso (além de toda a equipe da Unisc TV que nos apoia e auxilia) para a disciplina de Produção em Telejornalismo I. A segunda novidade é que participarei outra vez do Focas do Q?, parceria entre o curso de comunicação da Unisc e a Gazeta do Sul. Ah, e não posso esquecer de contar! Ontem fiz minha primira gravação na aula de rádio. Acho que já contei aqui minha paixão pelo rádio né. Aliás, entrei para o jornalismo por causa do rádio, mas sinceramente, acho que estou mudando de direção. Não é querer me bandear, mas a TV tem seus atrativos né. E além disso, gosto de escrever, de ser desafiado a fazer textos criativos, e as disciplinas de Impresso II e Técnicas de Reportagem estão me seduzindo nesse ponto. Bom, já que estou misturando todos os assunto mesmo, gostaria de parabenizar o júri que condenou o pai e a madrasta da menina Isabella, o colorado campeão do BBB (embora ainda ache o Big Brother um lixo), o CQC pelas reportagens fantásticas que vem apresentando, carregadas de malícia e ironia. Dizer que a partir da semana que vem volto a acompanhar religiosamente o melhor programa jornalístico da TV brasileira: Profissão Repórter. Ah, e hoje, jogo do colorado. Se o Inter não vencer é provável que o Fossati caia. Mas, me parece tão injusto. Quando não havia crise a imprensa começou a criá-la. Agora, após 6 jogos sem vitória, estão rezando para trucidá-lo! Por isso que não gosto desses jornalistas. Mas fazer o que, estou estudando para ser um deles. É a vida. Vai entender.
PS: Ah, e se alguém souber de algum emprego na área, estou procurando. Tenho as tardes livres, e podemos conversar sobre alguns horários de manhã e de noite. Ué, blog também é pra auto-promoção, não?
quarta-feira, 31 de março de 2010
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Frustrações
Já é domingo, 6:45 da manhã para ser mais exato. Acabo de chegar em casa. Estava tocando, festa de Enterro dos Ossos. Confesso que poderia estar me sentindo bem melhor, não apenas pelos R$ 100,00 que foram injustamente surrupiados de cada um dos músicos, mas pela situação em si. A verdade é que a banda acabou. Já havia acabado antes de tudo acontecer, apenas o dono não havia percebido ainda. A intenção era, chegar, tocar, receber o que faltava do cachê do carnaval (que pelos cálculos de cada músico seriam mais uns R$ 250,00 para cada) e receber o cachê separado da festa de hoje, uns R$ 50,00, supomos. Mas nossas suposições estavam enganadas. Todos foram realmente pegos de surpresa. "Ele" foi chegando, abriu o maço com notas de 10, 20, 50 e até de 100, e começou a pagar o restante do cachê. "Legal, vou conseguir pagar tudo o que queria", pensei. Ilusão. R$ 200,00 reais para cada músico. "Bom, deve estar faltando mais uns 50 de hoje né. Decerto ele paga depois, separado". Mas não pagou. Foram R$ 100,00 a menos do que esperávamos para cada músico. Fiquei tão abismado com a cara de pau "dele" dizendo que era aquilo e pronto, que nem consegui questionar, não consegui brigar, não consegui xingar. Guardamos as coisas no carro do nosso tecladista e voltamos para o clube. Um grupinho de cinco elementos reunia tecladista, baterista e o trio do sopro. Chamamos "ele" para conversarmos em um canto e simplesmente dissemos que estávamos fora, que provavelmente iríamos para outra banda. O irmão dele, guitarrista, ficou chocado, mas ele é uma boa pessoa. Pelo menos sabia reconhecer quando a banda estava bem, costumava elogiar, agradecer. Enquanto "ele" não sabia o que significava um "obrigado". Quantas vezes escrevemos partituras, arrumamos músicas, demos nosso máximo e nunca ouvimos uma palavra sua em retribuição. Mas frustrações acontecem. É uma pena ter sido em um domingo de manhã. É uma pena ter ocorrido. Mas é bom, só na prática aprendemos a não ser tão "bonzinhos". Talvez, de agora em diante, eu deixe de ser tão bobo. Talvez...
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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Música e Cinema
Não é preciso dizer que grandes obras cinematográficas não se sustentam apenas com bons roteiros, atores e diretores. A trilha sonora, desde o surgimento do cinema, foi peça chave para a produção de grandes obras. Nos vídeos abaixo estão algumas canções que me marcaram e ajudaram a construir a história do cinema.
O primeiro é o filme "The Man With The Golden Arm"(O Homem do Braço de Ouro), estrelado pelo ilustríssimo Frank Sinatra. A canção é de Elmer Bernstein:
A segunda canção se chama "(I've Had) The Time Of My Life", sucesso do filme "Dirty Dance" (Ritmo Total). O filme recebeu o Oscar e o Globo de Ouro por Melhor Canção Original com essa música. A canção foi composta por Franke Previte, John DeNicola e Donald Markowitz:
Infelizmente não consegui o vídeo da última dança, pois todos que encontrei estavam com a opção "Incorporar" desativada.
A terceira música é "How Deep is Your Love", sucesso da banda Bee Gees no filme "Saturday Night Fever" (Os Embalos de Sábado à Noite), protagonizado por John Travolta na década de 70.
Por fim, "Unchained Melody" composta por Maurice Jarre. A música foi trilha do casal Sam e Molly (Patrick Swayze e Demi Moore), no filme "Ghost" (Ghost - Do outro lado da vida). Era a trilha dos momentos mais marcantes do casal, e levou muitos espectadores às lágrimas.
O primeiro é o filme "The Man With The Golden Arm"(O Homem do Braço de Ouro), estrelado pelo ilustríssimo Frank Sinatra. A canção é de Elmer Bernstein:
A segunda canção se chama "(I've Had) The Time Of My Life", sucesso do filme "Dirty Dance" (Ritmo Total). O filme recebeu o Oscar e o Globo de Ouro por Melhor Canção Original com essa música. A canção foi composta por Franke Previte, John DeNicola e Donald Markowitz:
Infelizmente não consegui o vídeo da última dança, pois todos que encontrei estavam com a opção "Incorporar" desativada.
A terceira música é "How Deep is Your Love", sucesso da banda Bee Gees no filme "Saturday Night Fever" (Os Embalos de Sábado à Noite), protagonizado por John Travolta na década de 70.
Por fim, "Unchained Melody" composta por Maurice Jarre. A música foi trilha do casal Sam e Molly (Patrick Swayze e Demi Moore), no filme "Ghost" (Ghost - Do outro lado da vida). Era a trilha dos momentos mais marcantes do casal, e levou muitos espectadores às lágrimas.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
A saga de Jorge - A Entrevista
Sim, Jorge finalmente conseguiu uma oportunidade. A ligação era de uma das muitas agências que ele havia visitado para largar seu tímido currículo. A entrevista era para uma vaga de assessoria de imprensa em uma empresa conhecida em toda a região. O salário era pequeno se comparado à responsabilidade que a vaga exigia, mas para um novato sem grana e louco para trabalhar, era mais do que suficiente.
A dificuldade agora era preparar-se para a entrevista. Queria ter na ponta da língua a resposta para qualquer pergunta possível em uma entrevista de emprego. E ele se dedicou. Pelo menos durante os três dias que distanciaram a ligação da entrevista, Jorge trocou os sites e chats pornôs por livros, estudos sobre economia, política, esporte, cultura, moda, comportamento, medicina, biologia, geografia, história, e aproveitou para reavaliar seu domínio da língua e as regras da reforma ortográfica.
O segundo passo era estar com a melhor aparência possível. Jorge arrumou o cabelo, fez a barba, passou creme para espinhas e uma base para disfarçar as manchas das espinhas estouradas. Mas ele não queria ir de jeans e camiseta em sua primeira (e talvez única) oportunidade. Mas também não tinha grana para alugar um terno. Resolveu pedir emprestado para um amigo. A diferença de altura entre eles era pequena, e tinham praticamente o mesmo porte. Mas, por um infeliz acaso, seu amigo calçava dois números a menos.
Sem tempo para conseguir sapatos maiores, e com medo de se atrasar para seu mais importante compromisso, nosso amigo se veste e sai, sem dar atenção aos sapatos apertados. A entrevista seria na agência, não muito longe da casa de seu amigo. Antes de entrar, Jorge revisa mentalmente cada ponto estudado, formula respostas inteligentes, separa algumas citações de Nietzsche e Schopenhauer para usar na hora certa, causar impacto.
Chega dez minutos mais cedo, para mostrar responsabilidade. Mas ali na sala de espera, repara que há outros estudantes de jornalismo, lendo, parecem concentrados, alguns têm até experiência em redações ou assessorias! E agora, o que fazer? É lógico que não há nenhuma chance, pensa o pobre rapaz. De repente, tudo que havia estudado parece evaporar de seu cérebro. Ele se desespera. A secretária chama todos os candidatos para uma pequena prova antes da entrevista. Mas o que é isso? Uma prova? Mas não seria apenas a entrevista? A secretária explica que a prova tem o intuito de fazer uma primeira filtragem, separando os aptos dos não-aptos para a vaga e avaliando seu nível de conhecimento sobre a profissão.
Os candidatos entram em uma sala de reuniões, não muito grande, mas espaçosa o suficiente para acomodar a todos. Jorge treme ao receber a avaliação. As letras parecem embaralhar-se, as frases não fazem sentido e o desespero aumenta. "Comecem", ordena a secretária, dizendo que o prazo para a entrega é de uma hora. Sim, uma mízera hora! Questões objetivas que não permitem ao inexperiente rapaz demonstrar seu conhecimento sobre Nietzsche, economia mundial, soluções para a corrupção no Brasil ou, quem sabe, sua incrível capacidade crítica em relação a filmes para adultos. Tudo que deve responder é sobre a profissão e a empresa em questão, empresa esta que passou em branco nos estudos do rapaz.
Uma hora passa depressa, principalmente quando precisamos que passe devagar. Quase metade da prova ainda estava em branco quando Jorge foi forçado a entregar seu gabarito. Saindo da sala, outra secretária (a mesma que o atendeu quando levou o currículo e que ligou marcando a entrevista) o vê e o chama. "Você é o Jorge, certo?", pergunta a bela moça, com um sorriso cruel nos lábios. "Sim, sou eu", responde timidamente o rapaz. "Pois você está uma hora atrasado!", retruca a secretária, agora em um tom mais sério. "Não estou não. Eu estava ali na sala fazendo a prova", responde o rapaz. "Não! Aquela prova era para a contratação de um Assessor efetivo, que será contratado pela empresa. A sua vaga é para um estágio em assessoria, na mesma empresa, mas apenas um estágio. E sinto dizer que, devido a seu atraso, dificilmente você ganha essa vaga. Mas não desista, a gente te chama na próxima seleção!" Com o mesmo sorriso cruel de antes, a moça anuncia o próximo candidato para a vaga do estágio. Enquanto isso, Jorge sai da agência. Segue na direção oposta à casa de seu amigo, vagando por aí, sem direção certa, com os sapatos apertados nas mãos.
A dificuldade agora era preparar-se para a entrevista. Queria ter na ponta da língua a resposta para qualquer pergunta possível em uma entrevista de emprego. E ele se dedicou. Pelo menos durante os três dias que distanciaram a ligação da entrevista, Jorge trocou os sites e chats pornôs por livros, estudos sobre economia, política, esporte, cultura, moda, comportamento, medicina, biologia, geografia, história, e aproveitou para reavaliar seu domínio da língua e as regras da reforma ortográfica.
O segundo passo era estar com a melhor aparência possível. Jorge arrumou o cabelo, fez a barba, passou creme para espinhas e uma base para disfarçar as manchas das espinhas estouradas. Mas ele não queria ir de jeans e camiseta em sua primeira (e talvez única) oportunidade. Mas também não tinha grana para alugar um terno. Resolveu pedir emprestado para um amigo. A diferença de altura entre eles era pequena, e tinham praticamente o mesmo porte. Mas, por um infeliz acaso, seu amigo calçava dois números a menos.
Sem tempo para conseguir sapatos maiores, e com medo de se atrasar para seu mais importante compromisso, nosso amigo se veste e sai, sem dar atenção aos sapatos apertados. A entrevista seria na agência, não muito longe da casa de seu amigo. Antes de entrar, Jorge revisa mentalmente cada ponto estudado, formula respostas inteligentes, separa algumas citações de Nietzsche e Schopenhauer para usar na hora certa, causar impacto.
Chega dez minutos mais cedo, para mostrar responsabilidade. Mas ali na sala de espera, repara que há outros estudantes de jornalismo, lendo, parecem concentrados, alguns têm até experiência em redações ou assessorias! E agora, o que fazer? É lógico que não há nenhuma chance, pensa o pobre rapaz. De repente, tudo que havia estudado parece evaporar de seu cérebro. Ele se desespera. A secretária chama todos os candidatos para uma pequena prova antes da entrevista. Mas o que é isso? Uma prova? Mas não seria apenas a entrevista? A secretária explica que a prova tem o intuito de fazer uma primeira filtragem, separando os aptos dos não-aptos para a vaga e avaliando seu nível de conhecimento sobre a profissão.
Os candidatos entram em uma sala de reuniões, não muito grande, mas espaçosa o suficiente para acomodar a todos. Jorge treme ao receber a avaliação. As letras parecem embaralhar-se, as frases não fazem sentido e o desespero aumenta. "Comecem", ordena a secretária, dizendo que o prazo para a entrega é de uma hora. Sim, uma mízera hora! Questões objetivas que não permitem ao inexperiente rapaz demonstrar seu conhecimento sobre Nietzsche, economia mundial, soluções para a corrupção no Brasil ou, quem sabe, sua incrível capacidade crítica em relação a filmes para adultos. Tudo que deve responder é sobre a profissão e a empresa em questão, empresa esta que passou em branco nos estudos do rapaz.
Uma hora passa depressa, principalmente quando precisamos que passe devagar. Quase metade da prova ainda estava em branco quando Jorge foi forçado a entregar seu gabarito. Saindo da sala, outra secretária (a mesma que o atendeu quando levou o currículo e que ligou marcando a entrevista) o vê e o chama. "Você é o Jorge, certo?", pergunta a bela moça, com um sorriso cruel nos lábios. "Sim, sou eu", responde timidamente o rapaz. "Pois você está uma hora atrasado!", retruca a secretária, agora em um tom mais sério. "Não estou não. Eu estava ali na sala fazendo a prova", responde o rapaz. "Não! Aquela prova era para a contratação de um Assessor efetivo, que será contratado pela empresa. A sua vaga é para um estágio em assessoria, na mesma empresa, mas apenas um estágio. E sinto dizer que, devido a seu atraso, dificilmente você ganha essa vaga. Mas não desista, a gente te chama na próxima seleção!" Com o mesmo sorriso cruel de antes, a moça anuncia o próximo candidato para a vaga do estágio. Enquanto isso, Jorge sai da agência. Segue na direção oposta à casa de seu amigo, vagando por aí, sem direção certa, com os sapatos apertados nas mãos.
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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
A saga de Jorge
Jorge era estudante de jornalismo. Aliás, um dos muitos estudantes que não desistiu do sonho de trabalhar em regime de semi-escravidão por um salário miserável mesmo após a queda do diploma. Ele também se ofendeu quando nosso querido ministro comparou jornalistas a cozinheiros e babás (meu profundo respeito por essas profissões). E se indignou quando o Arruda fingiu não estar nem aí, sob as vaias da imprensa.
Como todo estudante de jornalismo, ou pelo menos como a maioria, Jorge estava sempre duro. Mesmo antes de encarnar na profissão, já sentia os reflexos da falta de dinheiro. A namorada o largou porque não queria um cara que não podia nem levá-la ao cinema. Foi então que resolveu mudar sua vida. Não, ele não desistiu do jornalismo, nem daqueles ideais solitários que invadem a mente de todo universitário, aquela certeza de que pode mudar o mundo, acabar com a corrupção, socorrer os feridos do Haiti, essas coisas de sempre.
Jorge resolveu procurar um estágio!
Mas como sabemos, entrar no mercado de trabalho, principalmente no mundo do jornalismo (mundo este em que centenas de pessoas disputam uma vaga de salário mínimo como se fosse um bilhete premiado da loteria), não é algo tão simples. São necessários, no mínimo, 3 requisitos. 1 - Se quiser trabalhar em TV (e esse era o sonho de Jorge), tem que ser bonito. E esse, certamente, não era o caso de nosso amigo. Jorge não era bonito e sabia disso, mas ele tinha uma boa locução a seu favor. 2 - Se quiser trabalhar em impresso, tem que ser um leitor assíduo. Outro ponto negativo desse jovem estudante, preguiçoso e sonhador. Ele passava horas de seu dia em frente ao computador, ocupadíssimo com vídeos de humor, resumos de novelas e, acreditem ou não, chats com atrizes pornô. Aliás, a pornografia foi algo que sempre o fascinou. Tanto que alguns de seus trabalhos da universidade eram críticas de filmes pornô. E críticas bem feitas por sinal. Mas ainda assim, isso não representava um grande diferencial para um estudante sem experiência no currículo à procura de uma oportunidade. 3 - Por fim, tem que ter um padrinho, alguém influente ou mesmo um conhecido qualquer que lhe indique e lhe ajude. Mas Jorge era um jovem sem muitos contatos profissionais. Seus conhecimentos e relacionamentos com pessoas mais velhas ou que já estivessem no mercado não passavam de seus colegas e professores.
Dessa forma, as chances de conseguir um emprego, ou melhor, um estágio na área eram reduzidíssimas. Mas para quem tem motivação de continuar em um curso de jornalismo mesmo sabendo que pagam mal, que o diploma não tem mais valor, que faz-se hora extra todo dia e que nunca se recebe por isso, que corre o risco diário de ser furado, de perder a matéria dos sonhos, que nunca vai progredir se não for uma funcionária gostosa ou um bajulador do chefe, que todo jabá que receber será mal visto, que sua vida amorosa e principalmente, sexual, será um desgraça, não porque será rejeitado, mas porque, enquanto trabalha, sua mulher vai ficar com o Ricardão, recebendo todo o afeto (ou seja lá o nome que queiram dar) que o pobre jornalista não tem tempo de conceder, se mesmo assim ele tem coragem de continuar cursando jornalismo, conseguir emprego não passa de mais uma pequena barreira a ser ultrapassada.
Sendo assim, o corajoso Jorge segue na procura de um estágio, larga currículos (com a fonte em tamanho grande, espaçamento duplo, todas as artimanhas para tentar preencher uma folha A4, algo dificílimo para quem nunca trabalhou nem fez cursos complementares), se inscreve em agências, anota as oportunidades dos classificados. Mas o tempo vai passando. Uma semana desde a difícil decisão, uma decisão sem volta pois começar a trabalhar no jornalismo é algo que vicia. Por piores que sejam os dias de trabalho, é estimulante estar ali. Mas Jorge ainda não sabe o que é isso, porque ninguém quer lhe dar uma chance. Talvez se mandasse em anexo ao currículo uma de suas críticas, pensava. Mas não saía do lugar. Ficava apenas pensando o que poderia fazer para melhorar seu currículo, melhorar suas chances de afundar-se para sempre nesse mar desgastante e compensador (não financeiramente é claro!). Até que seu telefone toca. Do outro lado, uma agência, uma vaga, finalmente uma oportunidade!
Mas será que Jorge vai conseguir seu tão sonhado estágio? Descubra segunda-feira, no próximo post.
Como todo estudante de jornalismo, ou pelo menos como a maioria, Jorge estava sempre duro. Mesmo antes de encarnar na profissão, já sentia os reflexos da falta de dinheiro. A namorada o largou porque não queria um cara que não podia nem levá-la ao cinema. Foi então que resolveu mudar sua vida. Não, ele não desistiu do jornalismo, nem daqueles ideais solitários que invadem a mente de todo universitário, aquela certeza de que pode mudar o mundo, acabar com a corrupção, socorrer os feridos do Haiti, essas coisas de sempre.
Jorge resolveu procurar um estágio!
Mas como sabemos, entrar no mercado de trabalho, principalmente no mundo do jornalismo (mundo este em que centenas de pessoas disputam uma vaga de salário mínimo como se fosse um bilhete premiado da loteria), não é algo tão simples. São necessários, no mínimo, 3 requisitos. 1 - Se quiser trabalhar em TV (e esse era o sonho de Jorge), tem que ser bonito. E esse, certamente, não era o caso de nosso amigo. Jorge não era bonito e sabia disso, mas ele tinha uma boa locução a seu favor. 2 - Se quiser trabalhar em impresso, tem que ser um leitor assíduo. Outro ponto negativo desse jovem estudante, preguiçoso e sonhador. Ele passava horas de seu dia em frente ao computador, ocupadíssimo com vídeos de humor, resumos de novelas e, acreditem ou não, chats com atrizes pornô. Aliás, a pornografia foi algo que sempre o fascinou. Tanto que alguns de seus trabalhos da universidade eram críticas de filmes pornô. E críticas bem feitas por sinal. Mas ainda assim, isso não representava um grande diferencial para um estudante sem experiência no currículo à procura de uma oportunidade. 3 - Por fim, tem que ter um padrinho, alguém influente ou mesmo um conhecido qualquer que lhe indique e lhe ajude. Mas Jorge era um jovem sem muitos contatos profissionais. Seus conhecimentos e relacionamentos com pessoas mais velhas ou que já estivessem no mercado não passavam de seus colegas e professores.
Dessa forma, as chances de conseguir um emprego, ou melhor, um estágio na área eram reduzidíssimas. Mas para quem tem motivação de continuar em um curso de jornalismo mesmo sabendo que pagam mal, que o diploma não tem mais valor, que faz-se hora extra todo dia e que nunca se recebe por isso, que corre o risco diário de ser furado, de perder a matéria dos sonhos, que nunca vai progredir se não for uma funcionária gostosa ou um bajulador do chefe, que todo jabá que receber será mal visto, que sua vida amorosa e principalmente, sexual, será um desgraça, não porque será rejeitado, mas porque, enquanto trabalha, sua mulher vai ficar com o Ricardão, recebendo todo o afeto (ou seja lá o nome que queiram dar) que o pobre jornalista não tem tempo de conceder, se mesmo assim ele tem coragem de continuar cursando jornalismo, conseguir emprego não passa de mais uma pequena barreira a ser ultrapassada.
Sendo assim, o corajoso Jorge segue na procura de um estágio, larga currículos (com a fonte em tamanho grande, espaçamento duplo, todas as artimanhas para tentar preencher uma folha A4, algo dificílimo para quem nunca trabalhou nem fez cursos complementares), se inscreve em agências, anota as oportunidades dos classificados. Mas o tempo vai passando. Uma semana desde a difícil decisão, uma decisão sem volta pois começar a trabalhar no jornalismo é algo que vicia. Por piores que sejam os dias de trabalho, é estimulante estar ali. Mas Jorge ainda não sabe o que é isso, porque ninguém quer lhe dar uma chance. Talvez se mandasse em anexo ao currículo uma de suas críticas, pensava. Mas não saía do lugar. Ficava apenas pensando o que poderia fazer para melhorar seu currículo, melhorar suas chances de afundar-se para sempre nesse mar desgastante e compensador (não financeiramente é claro!). Até que seu telefone toca. Do outro lado, uma agência, uma vaga, finalmente uma oportunidade!
Mas será que Jorge vai conseguir seu tão sonhado estágio? Descubra segunda-feira, no próximo post.
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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
E começa 2010
Quem me conhece sabe da minha paixão pela música, em especial, pelo saxofone. Aliás, o saxofone é o instrumento cujo timbre mais se aproxima da voz humana. Então, gostaria que meu primeiro post do ano fosse um presente aos meus poucos, porém fiéis leitores. Aqui vão 3 vídeos de saxofonistas brasileiros de alto escalão.
O primeiro é Leo Gandelman, aquele que para mim é o melhor saxofonista em atividade no Brasil. Gandelman impressiona primeiramente por sua versatilidade, pois é capaz de tocar com maestria em uma jazz band, uma orquestra ou na gafieira.
O segundo é Milton Guedes, músico consagrado no eixo RJ/SP. Guedes além de ter um som pop incrível no sax alto, canta, assobia e faz improvisos de blues sensacionais na gaita de boca. Sua sonoridade e talento já elevaram seu nome no cenário nacional.
Por último, George. O sax nº1 das igrejas do Brasil. Para quem tem preconceito quanto a músicos de igreja, esse é o cara. Além de músico brilhante, a história dele é uma lição. Quando começou, George não tinha dinheiro para pagar um professor, e por isso aprendeu sozinho. Hoje ele é um ícone do sax reconhecido em todo o Brasil por músicos de todos os níveis.
O primeiro é Leo Gandelman, aquele que para mim é o melhor saxofonista em atividade no Brasil. Gandelman impressiona primeiramente por sua versatilidade, pois é capaz de tocar com maestria em uma jazz band, uma orquestra ou na gafieira.
O segundo é Milton Guedes, músico consagrado no eixo RJ/SP. Guedes além de ter um som pop incrível no sax alto, canta, assobia e faz improvisos de blues sensacionais na gaita de boca. Sua sonoridade e talento já elevaram seu nome no cenário nacional.
Por último, George. O sax nº1 das igrejas do Brasil. Para quem tem preconceito quanto a músicos de igreja, esse é o cara. Além de músico brilhante, a história dele é uma lição. Quando começou, George não tinha dinheiro para pagar um professor, e por isso aprendeu sozinho. Hoje ele é um ícone do sax reconhecido em todo o Brasil por músicos de todos os níveis.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Momento Retrospectiva
Em 2009:
Iniciei meu 3º semestre de faculdade; arrumei meu primeiro estágio; me desesperei pela primeira vez no trabalho; corri atrás de matérias; perdi matérias boas; ganhei matérias melhores ainda; criei um blog; falei besteiras; passei por um triz na cadeira de jornalismo impresso; terminei meu terceiro semestre.
Curti as férias prolongadas pela gripe suína; me entresteci pela morte de um ídolo; fiz piada com a morte de um ídolo; adiantei uma cadeira da universidade; deixei uma cadeira para trás; saí do estágio; entrei para uma banda de pagode; entrei para uma banda de bailão; saí de uma banda de pagode e já entrei em outra; toquei sem receber nada por isso; toquei pagando por isso; toquei recebendo por isso; toquei por amor; me apaixonei; me decepcionei; fiz besteiras; reconheci as besteiras que fiz e pedi perdão; fui perdoado; me encantei pelo trabalho na TV; me encantei mais ainda pela fotografia; participei de projetos; terminei meu 4º semestre; continuei falando besteiras; continuei meu blog; dei presentes; fui presenteado; sorri; chorei; errei; sonhei; vivi.
É, 2009 foi um bom ano. Mas tenho certeza que 2010 será muito, muito melhor.
Um excelente Ano Novo a todos.
Iniciei meu 3º semestre de faculdade; arrumei meu primeiro estágio; me desesperei pela primeira vez no trabalho; corri atrás de matérias; perdi matérias boas; ganhei matérias melhores ainda; criei um blog; falei besteiras; passei por um triz na cadeira de jornalismo impresso; terminei meu terceiro semestre.
Curti as férias prolongadas pela gripe suína; me entresteci pela morte de um ídolo; fiz piada com a morte de um ídolo; adiantei uma cadeira da universidade; deixei uma cadeira para trás; saí do estágio; entrei para uma banda de pagode; entrei para uma banda de bailão; saí de uma banda de pagode e já entrei em outra; toquei sem receber nada por isso; toquei pagando por isso; toquei recebendo por isso; toquei por amor; me apaixonei; me decepcionei; fiz besteiras; reconheci as besteiras que fiz e pedi perdão; fui perdoado; me encantei pelo trabalho na TV; me encantei mais ainda pela fotografia; participei de projetos; terminei meu 4º semestre; continuei falando besteiras; continuei meu blog; dei presentes; fui presenteado; sorri; chorei; errei; sonhei; vivi.
É, 2009 foi um bom ano. Mas tenho certeza que 2010 será muito, muito melhor.
Um excelente Ano Novo a todos.
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