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sexta-feira, 2 de março de 2012

Celito de Grandi e o Boletim de Ocorrência


Desde o início de janeiro, as edições dominicais do jornal Zero Hora nos presenteia com uma coluna especial sobre crimes marcantes do Rio Grande do Sul (ou que envolvem gaúchos). "Boletim de Ocorrência" está sob responsabilidade do jornalista e escritor Celito de Grandi e é uma reconstituição de casos célebres que passaram pela carreira do jornalista.

Para quem não conhece, Celito tem mais de 50 anos de experiência e já trabalhou nos principais veículos de comunicação do Rio Grande do Sul. Ao longo do tempo, entrevistou figuras antológicas como Leonel Brizola, Mário Quintana e Érico Veríssimo. Ele também é reconhecido como um dos mais importantes memorialistas do estado, pela profundidade e intensidade de suas pesquisas, principalmente no que se refere ao cenário político.

Euclides Kliemann
De Grandi também é autor de "Caso Kliemann - A história de uma tragédia", livro que traz a história de um dos mais misteriosos assassinatos do estado. Deputado eleito por Santa Cruz do Sul, Euclides Kliemann morava em Porto Alegre com sua esposa, Margit. Certa noite, ao visitar amigos que moravam próximos à sua residência, preocupou-se com a demora de sua esposa em aparecer, já que ela prometera chegar logo.

Kliemann foi para casa procurar sua esposa. Ao entrar em sua mansão, encontrou o corpo da mulher jogado ao pé da escada. A cabeça estava em pedaços. Durante a investigação, constatou-se que Margit foi atacada no segundo andar, tentou fugir, mas foi perseguida. Golpeada, caiu da escada e morreu a poucos metros da entrada da mansão. Kliemann foi considerado suspeito.

Pouco mais de um ano após o trágico assassinato, o deputado concedia entrevista a uma rádio santa-cruzense quando o estúdio foi invadido por um vereador local, inimigo político de Kliemann. O vereador acusava o deputado pelo assassinato de Margit. Com um tiro à queima-roupa, matou o deputado dentro do estúdio da rádio. E o assassinato da esposa, ainda hoje, não teve solução.

Essa foi a história mais notável do gênero dentre as que Celito cobriu. Mas, ao longo de 50 anos, outros tantos crimes (tão bizarros e assustadores quanto as do caso Kliemann) acabaram esquecidos ou sem solução. E são esses crimes que Boletim de Ocorrência retrata, semanalmente. É uma oportunidade para conhecermos um pouco mais sobre casos que fazem parte da história do Rio Grande do Sul. Mas também, é a chance de não deixar cair no esquecimento algumas tragédias que não devem ser esquecidas.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Sobre os exageros do caso Eloá

Hoje, 16 de fevereiro, foi o último dia de julgamento de Lindenberg Alves Fernandes (25), algoz do caso Eloá. Você provavelmente acompanhou a repercussão do julgamento na TV, nos jornais ou na internet, querendo ou não. O caso, que ganhou os holofotes em 2008 (quando Lindenberg invadiu a casa da ex-namorada, a manteve refém por quase 100 horas e a matou quando a polícia invadiu o local), finalmente teve seu desfecho.

Lindenberg Alves Fernandes
Junto com o julgamento, ressurgiram críticas feitas na época à policia (e sua demora em agir) e à mídia (a forma como o caso foi tratado durante as 100 horas de cárcere). Posteriormente o caso foi narrado no livro "A tragédia de Eloá: uma sucessão de erros", do jornalista Márcio Campos. Na obra, o jornalista mineiro conta os primórdios dessa história - o namoro entre uma menina de 12 anos com um rapaz de 19; o ciúme doentio do namorado; as constantes brigas e términos; as ameaças e a violência.

Durante o julgamento, Ana Lúcia Assad, advogada de Lindenberg, usou como estratégia de defesa o argumento de que a imprensa e a polícia tiveram papel decisivo no desfecho do caso. A polícia pela demora em agir, por tratar o ex-namorado de Eloá como um Romeu arrependido, e não como um rapaz violento capaz de matar, e também por ter permitido que Nayara, amiga da vítima que estava na casa no momento do sequestro e foi solta durante as negociações, voltasse para o cárcere.

Já a mídia, segundo a advogada, contribuiu para que o caso terminasse em tragédia pela forma como repercutiu o fato, entrevistando o rapaz durante o sequestro, dando a visibilidade que ele desejava em mídia nacional. A forma como os veículos de comunicação agiram, não apenas reportando os fatos, mas também agindo de forma a participar destes, pode ter sido decisiva para que o sequestro se transformasse em homicídio. Ao menos, foi isso que sustentou a advogada.

Mas mesmo com toda a argumentação, Lindenberg foi condenado. A pena é de 98 anos e 10 meses. Considerando o fato de ele ser réu primário, acredito que ficará preso em regime fechado por pouco mais de 39 anos (2/5 da pena). Isto é, se tiver bom comportamento. Sua advogada foi considerada por muitos como a grande vilã do julgamento, e foi hostilizada durante os 4 dias de tribunal. Mas não creio que ela possa ser culpada.

Ana Lúcia Assad ao lado de Lindenberg
Pela Constituição, todo mundo tem direito a defesa - mesmo sequestradores, assassinos e pedófilos (embora eu acredite que, se a pena de morte deve ser aplicada em alguém, esse alguém é o pedófilo). O fato é que a advogada estava cumprindo seu papel, tentando defender o rapaz e minimizar sua culpa. Talvez por acreditar que todo homem merece um julgamento digno, com uma defesa justa. Talvez por crer que essa era a oportunidade perfeita para mostrar, em rede nacional, a eficácia do seu trabalho enquanto advogada. Ou talvez - e eu acredito que esse seja o real motivo - porque ela realmente acreditava que o desfecho trágico do sequestro foi fortemente influenciado pela ação tardia da polícia e pelos exageros da imprensa.

Quem acompanhou o caso em 2008 deve lembrar que, por diversas vezes, Lindenberg esteve na mira da polícia, mas ninguém tinha autorização para atirar. Não sou nenhum especialista em segurança, mas posso especular. A sensação que ficava ao ligar a televisão era de que algo daria errado. A polícia negociava, a imprensa criticava a demora da polícia em agir, o público acompanhava o caso torcendo por um final feliz.

Sabe-se que alguns jornalistas fizeram contato com o rapaz enquanto ele mantinha a ex-namorada em cativeiro. Mas, como saber se esses contatos influenciaram, direta ou indiretamente, a mentalidade perturbada de Lindenberg? Questiono-me qual será o limite para o envolvimento dos jornalistas em um caso como este. Até onde se deve ir em uma pauta? Até onde se PODE ir sem influenciar nos fatos?

Eu, particularmente, não acredito que o caso teria outro desfecho se a postura da imprensa fosse diferente. Mas os anos de estudo me ensinaram que as respostas para essas questões não está na subjetividade. Não é o tipo de coisa que se aprende numa faculdade. É claro que somos preparados para diversas situações durante a academia. Mas ensinamentos desse tipo se ganha, sobretudo, com a vivência nas redações.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A Revista Época e a função social do jornalismo

Mais do que uma profissão que visa o lucro, devemos entender o jornalismo como uma categoria que possui um papel definido na sociedade. É claro que o conteúdo é um produto, comercializado, tratado e vendido. Mas isso não significa que deva ser baseado em mentiras, especulações e achismos. Pelo contrário. A boa reputação (e aceitação) de um veículo depende da qualidade (e veracidade) do conteúdo que se publica.

Nesse contexto, podemos pensar no papel do jornalismo na sociedade através de situações cotidianas, como as reclamações de ruas esburacadas, de falta de água, de constantes quedas de luz. Mas também podemos visualizar esta função social em situações mais graves, cujo desenvolvimento pode afetar um país inteiro.

Um exemplo típico e incontestável é o caso Watergate. O escândalo político que abalou os Estados Unidos na década de 70 é o mais claro exemplo do poder que o jornalismo possui de denunciar à sociedade aquilo que está errado. Não é à toa que criou-se o hábito de chamar o jornalismo de o 4º poder - o responsável por fiscalizar os três poderes já constitucionalmente estabelecidos.

E é com esse ideia de denúncia e fiscalização que vejo a reportagem "O homem que processou o Brasil", publicada na revista Época. O texto, escrito por Mariana Sanches, poderia muito bem ser um roteiro de cinema. Mas é vida real. A história de Wolf Gruenberg é tão absurda que seria difícil de acreditar mesmo que fosse ficção.

Segundo Gruenberg, em 1977 sua empresa recebeu um calote de uma empresa de capital misto. O Banco do Brasil seria o responsável pela empresa em questão e o encarregado de pagar a Wolf o valor de pouco mais de US$ 1 milhão, conforme estipulado em justiça. O empresário afirma ter recebido apenas 10% deste valor.

Outro processo se arrastou na justiça por mais de 15 anos, até que a empresa devedora foi absorvida pela União. Nesta época, com juros e indenização pelos prejuízos causados, a dívida estava entre 40 e 50 milhões de dólares.

Em 1999, 22 anos após a início da briga jurídica, a União acusa Wolf de cobrança indevida por uma dívida, segundo ela, já quitada. Mas em 2004, 27 anos após a entrada na justiça, o juiz responsável pelo caso julgou que a União devia mais de 1 bilhão de reais a Gruenberg.

A União apelou da decisão, alegando que o valor da dívida não passava de R$ 48 milhões. No mesmo período o Ministério Público e a Polícia Federal começaram uma investigação com suspeita de que Wolf estivesse tentando ludibriar a justiça brasileira.

Na manhã do dia 11 de julho de 2008, policiais armados invadiram a casa de Wolf, em Porto Alegre, e levaram ele e a esposa sob custódia. Fora acusado de chefiar uma quadrilha que arquitetou um esquema bilionário de fraudes contra a União. Na época, Gruenberg estava em tratamento contra um câncer, e afirma que passou 150 dias (preso) sem poder conclui-lo.

Mas algo pior ainda ocorreu com sua esposa. Poucos dias antes ela havia passado por uma delicada cirurgia para redução das mamas. Com a prisão, foi colocada em uma cela sem cuidados médicos. Contraiu uma infecção neste período que deixou seus seios purulentos. Foi levada ao hospital Moinhos de Vento e ficou na UTI, com os pés algemados.

Gruenberg agora tenta provar sua inocência, briga receber o que a União lhe deve e para ser indenizado pela forma desumana como diz ter sido tratado na prisão. Mas agora ele que ir além. Mais do que dinheiro, ele busca justiça. Quer levar seu caso às Nações Unidas e fazer com que seja exemplo dos abusos cometidos pelo Estado.

O capítulo final dessa história ainda está sendo escrito. Mas confesso que fiquei atônito ao ler algo tão irreal e surpreendente. Mais do que uma boa história, o exemplo que a Época nos traz é de que é dever do jornalista denunciar esse tipo de situação. É função do jornalista alertar a sociedade para práticas como esta.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

A infografia multimídia e os recursos da rede

Não posso negar que sou fã incondicional da equipe de infografia do Estadão. Convenhamos, eles sabem como tornar uma informação mais simples e atraente usando o infográfico e a interatividade como recursos. A paixão começou quando fui apresentado a este infográfico, eleito o melhor infográfico do mundo em 2010.


Há ainda outros excelentes infográficos que posso destacar. Um dos meus preferidos é este, que faz uma linha do tempo com as características de todos os presidentes brasileiros, desde Marechal Deodoro até Dilma Rousseff. Um infográfico essencial para quem quer estudar um pouco mais sobre a história do Brasil.

Ao longo do ano passado, procurei em alguns outros portais, mas em nenhum consegui ver um trabalho tão consistente e complexo quanto o que é desenvolvido pela equipe do Estadão. Entretanto, nos últimos meses, com a correria do fim do semestre na faculdade e a preguiça adjacente às férias, parei de acompanhar o trabalho tão de perto. Confesso que fiquei surpreso, esta semana, ao ver dois infográficos sobre o carnaval do Rio de Janeiro.

O primeiro deles é do portal Ig, uma iniciativa muito bacana que oferece ao internauta a oportunidade de comandar a bateria de uma escola de samba (da escola Grande Rio). Neste caso, a informação não foi o foco, mas sim o entretenimento e a interatividade. É claro que é possível também acompanhar os bastidores da produção do infográfico e ver a entrevista com o mestre de bateria, mas, claramente, o objetivo do infográfico é o entretenimento.

o segundo foi produzido pelo Estadão. Apresenta uma nuvem com os nomes de todas as escolas da categoria principal. Ao clicar, abre-se uma janela com a letra do samba-enredo da escola, um áudio de aproximadamente 30", além de uma foto da Rainha de Bateria e algumas poucas informações sobre a escola.

Confesso que fiquei um pouco decepcionado. Não por considerar o trabalho ruim, mas por acreditar que, tratando-se de uma celebração especial, acredito que caberia um infográfico melhor produzido.Além disso, o infográfico do Estadão não tem o objetivo de entreter, mas também não possui a capacidade e o conteúdo necessário para informar. Por fim, não é um trabalho com o mesmo nível dos demais que já vi nas mãos da equipe.


Mas, deixando de lado minha opinião sobre o nível de desenvolvimento de ambos, me incomoda saber que infográficos como estes são exceções. Por mais que eu acredite que ambos os trabalhos poderiam trazer mais informações, o que realmente me intriga e preocupa, considerando que já estamos em 2012 e que a nova geração de jornalistas tem um leque incrível de opções de softwares (sejam eles pagos ou gratuitos), é a escassez de infográficos interativos.

Penso na infinidade de recursos desperdiçados ao ver um infográfico estático na internet. A verdade é que boa parte dos comunicadores ainda não se adaptou às novas possibilidades. Mas, se alguém pretende conquistar essa nova geração de leitores - uma geração que nasceu e cresceu multimídia e que vive mais tempo conectada do que no mundo off -, a postura precisa mudar.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

De garganta limpa, um passado sujo

O livro Corações Sujos não está entre os mais populares de Fernando Morais. Entretanto, a história é digna de prêmio. Tanto é que a obra, lançada em 2000, foi vencedora do prêmio Jabuti de 2001. Em 2010, a história foi adaptada para o cinema. E em 2011, em uma aula de jornalismo de revista, recebi a indicação da leitura. Corações Sujos é um daqueles livros que te suga, te destrói e reconstrói ao longo das páginas. É um história que exige investigação, dedicação e força de vontade para se contar. Afinal, não é qualquer repórter que se dedica a cinco anos de pesquisas, entrevistas e estudo de documentos.

Mas, convenhamos, Morais não pode ser chamado de "qualquer um". Aos 65 anos, ele carrega consigo o peso de ser um dos jornalistas mais importantes do país. Mineiro, recebeu três vezes o Prêmio Esso e quatro vezes o Prêmio Abril de Jornalismo – as duas premiações mais importantes do país. Trabalhou nas redações da revista Veja, do Jornal Folha de S. Paulo e da TV Cultura. Mas foi por meio de seus livros que passou a ser reconhecido no mundo inteiro – suas principais obras foram publicadas em 18 países.

Morais é autor de algumas das biografias mais relevantes do Brasil. Em Olga, remonta a história de Luis Carlos Prestes e sua marcha pelo país, a luta contra a ditadura e o sofrimento da personagem que dá nome ao livro nos campos de concentração nazistas. Já em Chatô, o rei do Brasil, Fernando Morais viaja no tempo para contar a trajetória de Assis Chateaubriand, o magnata brasileiro que construiu um dos maiores impérios comunicacionais do mundo. Em comum, suas obras têm a característica de reconstruir o passado para explicar o presente.

Em Corações Sujos não é diferente. A obra conta a história da comunidade japonesa – mais de 200 mil imigrantes daquele país – no Brasil durante a Segunda Guerra Mundial e após a derrota dos “súditos do Eixo”. Com detalhes que esclarecem desde o motivo da vinda dos imigrantes até a dificuldade de muitos descendentes de aceitarem a derrota do Japão na guerra, Morais nos apresenta a Shindo Renmei – uma organização secreta japonesa encabeçada pelo Coronel Kikawa com o objetivo de limpar a colônia dos traidores.

Assim, após a Segunda Guerra, a comunidade japonesa (concentrada principalmente em São Paulo) divide-se em duas vertentes: os “vitoristas”, que não acreditam na derrota do Japão e que, posteriormente, começam a forjar notícias de que o Japão invadiu os Estados Unidos, derrubou seu presidente, destruiu sua frota e dizimou seu exército; e os “derrotistas”, japoneses com nível cultural mais elevado e que acreditaram na derrota de sua pátria sem contestação. Eles passaram a ser chamados de “Corações Sujos”.

Considerados traidores, os “derrotistas” são constantemente ameaçados pelos seguidores da Shindo Renmei. A Liga do Caminho dos Súditos (tradução de Shindo Renmei) contava, de acordo com seu idealizador, Coronel Junji Kikawa, com mais de 120 mil associados. Os membros, em geral colonos, verdureiros, tintureiros, sapateiros e vendedores ambulantes, pagavam mensalidades que variavam de dois a 10 cruzeiros. Ao fim das investigações, a polícia concluiu que a seita movimentava uma média de 700 mil cruzeiros por mês – cerca de 500 mil dólares hoje.

Esse dinheiro era utilizado para a manutenção de boletins, panfletos e outras publicações que deveriam espalhar a ideia de que o Japão tinha vencido a guerra. Cada agente da Shindo Renmei ainda levava no bolso um panfleto que explicava como criar uma sucursal da seita, como fazer a comunicação de forma segura e o que deveria ser feito para sabotar o inimigo. Mas era o capítulo final que enchia de orgulho a alma dos patriotas: a promessa de que todos os imigrantes seriam repatriados e poderiam voltar à “Grande Ásia Oriental” - uma superpotência econômica em que o Japão se transformaria após vencer a guerra. Por meses os fanáticos esperaram pelo navio que viria buscá-los. É lógico, em vão.

A obra de Morais nos faz refletir não apenas sobre o descaso com que os japoneses foram tratados no Brasil durante a guerra – principalmente com as duras restrições impostas pelo governo Vargas e potencializadas após a entrada do Brasil na guerra -, mas também sobre a força do espírito nipônico frente às informações de que o Japão perdera a batalha.

Se os colonos foram proibidos do acesso ao rádio, aos jornais e às plataformas de comunicação em língua japonesa, não terá sido isso um dos grandes motes para que a informação fosse deturpada e uma comunidade inteira conduzida a acreditar em uma mentira? Será que, se os japoneses tivessem o direito ao acesso da informação tal qual teriam caso estivessem em sua terra natal, as ações da Shindo Renmei poderiam nunca terem ocorrido? São perguntas sem resposta. Mas, é importante lembrar, como foi dito a certa altura da obra: somente um japonês poderia ser capaz de dizer a outros japoneses que aquilo em que eles acreditam não passava de uma mentira.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Santa Cruz em dia de Hollywood

Parecia Hollywood, mas era Santa Cruz do Sul. O município anoiteceu diferente neste dia 6 de fevereiro. Em apenas um dia a cidade tranquila transformou-se em cenário de filme de ação. Começou ainda pela manhã, quando agentes da Susepe escoltavam um criminoso - condenado 5 vezes e com penas que somam mais de 40 anos - à Unimed para consulta com um dentista.

Quatro homens armados surpreenderam os dois agentes que faziam o trajeto com o criminoso. Em uma ação rápida, resgataram o presidiário e fugiram em direção ao bairro Higienópolis. No trajeto de fuga, ainda fizeram uma dona de casa refém, trancando-a no banheiro de casa e fugindo em um táxi. Dois suspeitos já foram detidos, mas o criminoso resgatado continua foragido.

Já no início da tarde, um homem entrou portando um revólver calibre 38 na lotérica do Shopping Santa Cruz. Entregou uma mochila às atendentes e fez com que enchessem de dinheiro. Um comparsa o esperava do lado de fora. Fugiram de moto e ainda não foram localizados. Uma câmera de segurança do shopping gravou a ação e uma foto do assaltante já está disponível aqui.

No fim da tarde, pouco antes das 17h, outro assalto na cidade. Dois homens armados entraram em um supermercado próximo à rodoviária da cidade, anunciaram a ação e levaram dinheiro dos caixas e alguns pertences de clientes. Ambos fugiram de moto. A polícia trabalhava, até o momento, com a suspeita de que poderiam ser os mesmos criminosos que assaltaram o Shopping no início da tarde.

O dia foi um prato cheio para a imprensa local. Minha dúvida é: o que será priorizado? O que será capa? Até que ponto a apuração jornalística do impresso (e talvez da TV) vai avançar em relação a que foi feita pelo rádio e pelo portal durante o dia de hoje? Me constrange a ideia de que, de repente, não teremos novidade alguma nos veículos da cidade amanhã.

Esse é o tipo de reportagem que não se faz com a bunda colada na cadeira. Espero que os colegas tenham lembrado disso enquanto faziam a apuração. O que espero são notícias para além do lugar comum. Se é pra contar aquilo que já relatei no início do post, desculpem-me, mas algo está errado. O rádio e o online já deram conta, ao longo do dia, de narrar os fatos aos cidadãos. É dever do impresso (não apenas do impresso, mas principalmente dele) trazer o "algo a mais". Mas só pela manhã saberemos.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O Jornal da Globo e a coluna "Conecte"

Para quem está sempre conectado, é difícil encontrar uma matéria sobre tecnologia veiculada por uma emissora como a Rede Globo que não pareça defasada e repetitiva. Em geral, obtemos aquela informação através de mídias alternativas, com links nas redes sociais que nos levam a blogs especializados (muitos deles, bastante confiáveis). Mas em alguns casos, os veículos tradicionais ainda conseguem nos surpreender e chamar nossa atenção.

Um exemplo disso ocorreu comigo no dia 10 de janeiro, assistindo ao Jornal da Globo, último programa jornalístico da emissora do dia. O tema da edição semanal da coluna Conecte era "tecnologia 4G".



Confesso que, ao ver as chamadas, fiquei um pouco incrédulo. Mas ao assistir à reportagem, tive uma grata surpresa. Definitivamente a Rede Globo não apenas é a maior emissora do país como também possui alguns dos melhores jornalistas do Brasil.

Se no telejornalismo "imagem é tudo", então a passagem de Renata Ribeiro, que dá início à reportagem, não poderia ser em um local melhor: o Museu do Telefone de São Paulo. Com um texto que brinca com a ideia de que um celular simples já é coisa de museu, ela prende o espectador e resume, em poucos segundos, a ideia que a reportagem quer transmitir.

É claro que a qualidade dos repórteres não é o único fato louvável nessa reportagem. Afinal, para se fazer uma matéria recheada de infográficos, dividida por três renomados repórteres (Renata Ribeiro, Jorge Pontual e Roberto Kovalick) em 3 países diferentes (Brasil, Estados Unidos e Japão) e com um leque de outros profissionais como editores de vídeo, produtores, câmeras, todos sabemos que é preciso ter estrutura.

Neste caso, não apenas estrutura financeira, mas também estrutura editorial. Afinal, como podemos ver nos créditos da passagem de Renata Ribeiro no Morumbi (gravada no dia 21 de setembro de 2011), a pauta estava em produção há, no mínimo, três meses. E convenhamos que, investir 3 meses em uma pauta, não é um luxo do qual todos os veículos podem desfrutar.

Enfim, meus amigos. O bom jornalismo (aquele jornalismo em profundidade do qual ouvimos tanto falar na faculdade, com tempo dedicado a estudar a pauta, a produzir infográficos, a pensar em como tornar a reportagem simples sem ser simplória) ainda existe. É claro que é mais fácil fazer algo com qualidade quando os editores aceitam investir. Mas, não nos deixemos abater: mesmo nós, com recursos limitados, podemos fazer boas reportagens. A questão é saber adaptar o olhar trabalhar com os recursos - mesmo que escassos - disponíveis. Em outro post, prometo trazer alguns exemplos do que é possível fazer mesmo sem recursos.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Viciados em adjetivos

Quando entrei para a faculdade, era viciado em adjetivos. Não importava muito escrever sobre o fato em si, desde que pudesse falar sobre "os pássaros que gorjeavam no horizonte daquela linda manhã primaveril, enquanto o alto e imponente som de uma boiada fazia-se ouvir ao longe". Mas com os anos de estudo, aprendemos que nossa função não é fazer literatura - ao menos não em primeiro plano. Concordo que é importante contar uma história de forma interessante, mas ainda mais importante é deixar claro o que se está contando.

É o que podemos ver em livros como "Honra Teu Pai", do repórter Gay Talese (considerado por muitos como o maior repórter do século XX). A literatura é usada para dar sabor ao texto, mas a história contada vem sempre em primeiro plano. O mesmo pode ser visto na obra "Corações Sujos", de Fernando Morais. Em ambos é possível perceber o intenso estudo dos repórteres, a busca por documentos, entrevistas, fontes oficiais e não-oficiais. Não há especulação; não há bajulação; existe apenas um intenso trabalho de reportagem que faz uso de recursos literários para contar histórias verídicas de forma atraente.

Em última instância, jornalismo é um braço da literatura. É a vertente que conta histórias reais, que não inventa fatos, mas os retrata levando em consideração toda a bagagem cultural do repórter - afinal, imparcialidade é uma utopia, e o repórter sempre se posiciona em uma matéria, mesmo que seja ao definir a angulação de sua reportagem. Mas mesmo posicionando-se, é função do jornalista  não ser tendencioso.

O impasse a que chegamos soa contraditório, mas não é. Ao definir uma angulação e minimamente posicionar-se sobre o conteúdo da reportagem, o repórter adquire a obrigação de apresentar todas as facetas de uma história para que o leitor possa tomar suas devidas conclusões. O jornalista não pode, por exemplo, chamar de "assassino" o suspeito de um crime que ainda não foi julgado; não pode chamar de "estuprador" um personagem de um caso que ocorreu dentro de um reality show sem antes ser comprovada a culpa do rapaz em questão. Da mesma forma, não é dever do repórter ser advogado de um político acusado de corrupção ou de bajular os anunciantes do veículo.

Mas é intrigante como o vício em adjetivos, algo que deveria ser curado nos primeiros semestres da universidade, tornou-se um dos males do jornalismo contemporâneo. Mais do que a angulação, o que vemos diariamente em grandes veículos são artigos disfarçados em formato de matérias. São textos que especulam, julgam e condenam, sem saber ao certo o que de fato ocorreu e sem dar ao leitor a oportunidade de conhecer todos os lados da notícia. São comunicadores que fazem política em cada linha escrita, que defendem seus interesses (muitas vezes escusos e de forma velada) a cada parágrafo.

Um jornalista pode e deve mostrar seu posicionamento em determinadas situações, mas existem formas bastante específicas para se fazer isso. Textos opinativos, em geral, são assinados e identificados, justamente para que não se faça confusão entre o que é informação, especulação e opinião. É um direito do repórter manifestar-se, mas é seu dever não manchar a profissão defendendo interesses próprios.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Repórteres de ar-condicionado

Algo que me intriga e entristece é ver que muitos de meus futuros colegas de profissão tornaram-se preguiçosos e omissos com o passar do tempo. São profissionais que saíram da faculdade com o sonho de mudar o mundo, de fazer um jornalismo diferente, de buscar um olhar diferenciado em cada pauta, mas que deixaram-se engessar pelos modelos ultrapassados ainda praticados nas redações do século 21.

Sempre acreditei que a mudança deve partir de cima, de quem encabeça um órgão de comunicação, e não de um repórter utópico. Direção e editores devem, juntos, estimular a equipe de reportagem a trabalhar em busca de uma informação fundamentada na apuração de todas as nuances de uma história. O jornalismo não deve e não pode se ater a publicações de releases e pautas mal-apuradas via telefone. Mas, infelizmente, é isso que assola grande parte dos veículos de comunicação do Rio Grande do Sul.

Em geral, a responsabilidade de produzir duas ou três matérias por dia faz com que o repórter deixe escapar princípios básicos de apuração. Por necessidade - afinal, um veículo tem que gerar renda para cobrir seus custos e pagar seus funcionários -, a preocupação em fechar a edição do dia seguinte mostra-se maior do que a com  a qualidade do que será veiculado. O pensamento nos casos mais extremos é: "se errarmos hoje, corrigimos amanhã e seguramos a atenção dos leitores por mais um dia".

Mas, até quando nossos colegas serão submetidos a esse modelo retrógrado de jornalismo, que oferece uma informação superficial e que não leva em conta a necessidade de notícias bem-apuradas e com profundidade? Até quando os interesses pelo lucro dos grandes veículos irá engessar o talento de colegas competentes? Até quando seremos agredidos com pseudo-reportagens cobertas via telefone no conforto do ar-condicionado, enquanto a verdadeira notícia está lá fora, no calor, esperando para ser descoberta por um repórter que se disponha a encontrá-la?Podem defender que "é isso que o povo quer ler". Mas se não lhes dão opções, como eles poderiam clamar por algo diferente?

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Unicom 7 Pecados

Unicom Pronto PDF1                                                                                                   

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Por que 16 de fevereiro é o dia do repórter?

Quem é da área da comunicação deve ter ao menos lido algo sobre hoje, 16 de fevereiro, ser o dia do repórter. Dia em homenagem aquele cara que batalha todos os dias para conseguir uma boa reportagem, apurar a informação e levá-la ao público da forma mais clara possível. O cara que espera por horas até que uma fonte possa finalmente dar uma sonora de 2 minutos. Uma espera cansativa mas necessária.

É o cara que, a cada olhar, enxerga algo diferente. Encontra pautas fugindo (ou não) da obviedade e do lugar comum. Repórter é aquele que ganha mal, trabalha muito, recebe ligações no meio da noite com uma denúncia que pode ser capa no fim de semana. Vive estressado mas de bem com a vida. Dorme pouco, mas tem pique para correr o dia inteiro atrás da notícia. E o mais importante: é apaixonado pelo que faz. Não se imagina com a bunda sentada em uma cadeira fazendo assessoria de imprensa, ou, ainda pior, trabalhando em outra área sem relação alguma com comunicação.

Mas afinal, por que 16 de fevereiro é o dia do repórter? Essa é uma pergunta que nem o Google conseguiu responder. Então, resolvi formular algumas teorias.

Teoria 1: "Em 1773 as distinções entre cristãos velhos e cristãos novos são abolidas em Portugal. É igualmente decretada a destruição dos registros cadastrais dos judeus." Todos sabemos que os repórteres são muito religiosos, principalmente quando cai a pauta (eles dizem "Ai Meu Deus!"). Há uma possível relação.

Teoria 2: "Em 1848 nasceu o escritor e jornalista francês Octave Mirbeau. Ele faleceu em 1917, também no dia 16 de fevereiro." Pode ser uma homenagem por sua contribuição enquanto jornalista (que contribuição?).

Teoria 3: "Em 1958 faleceu Benedito Lacerda, flautista, saxofonista, compositor e regente brasileiro." Tá,  não tem ligação alguma com reportagem, mas o cara é (foi) saxofonista, merece meu respeito.

Teoria 4: "Em 1896 foi a primeira publicação da tira Yellow Kid no New York Journal, pioneiro das história em quadrinhos, obra de Richard Fenton Outcault." Pelo menos essa teoria é relacionada a jornal.

Teoria 5: "Em 1933 é fundado o Madureira Atlético Clube, futuro Madureira Esporte Clube." Teoria muito relevante... #NOT.

Se alguém tiver outra teoria ou souber a verdadeira resposta, deixe seu comentário. No mais, só resta parabenizar a todos os profissionais que doam suas vidas para levar informação de qualidade, todos os dias, às casas de milhões de brasileiros. Vocês são os heróis da democracia.

domingo, 12 de setembro de 2010

Imprensa e censura em tempos de colônia

A vida no Brasil não era nada fácil. Nas poucas cidades, gente estranha circulando. A escravidão ainda era uma prática comum e significava status. Os índios eram vistos como animais a serem domesticados e a situação do fraco comércio, bem, era fraca mesmo. O ano era 1808, e viver na colônia não era nada empolgante. Mas toda a chatice e monotonia da vida no país estava prestes a acabar.

A família real chegava ao Brasil. Sim, ao Brasil, a colônia devastada e empobrecida, de onde Portugal tirava uma boa parte de suas riquezas. Um país (que ainda não podia ser chamado de país) esquecido pelos colonizadores, mas reconhecido como o único lugar seguro para onde a família real poderia fugir do pequeno Bonaparte, um governante com complexo de inferioridade que tentava compensar sua falta de estatura conquistando outros países.

E é nesse contexto político que surgiu a imprensa no Brasil. Tá, não foi tão simples assim. Naquela época, não bastava apenas ter a ideia e colocá-la em prática. Ela devia passar pela aprovação do império. Foi quando um gaúcho chamado Hipólito José da Costa teve uma ideia. Ele queria fazer um periódico para falar sobre a vida na sociedade, informar aos pouquíssimos cidadãos alfabetizados aquilo que acontecia na colônia e em Portugal. Mas o império sabia que o Hipólito era meio rebelde. O cara não acatava tudo o que o governo dizia. Ao contrário, era questionador, meio encrenqueiro, quase um fanfarrão.

Pois o governo barrou as ideias dele E não só isso: instituiu que nenhum veículo de comunicação poderia ser criado no país, a não ser que pertencesse ao próprio governo. O Hipólito não se conformou. Esbravejou, xingou as mães de metade do império. Mas a decisão estava tomada. Então, como era um inconformado por natureza, gaúcho puro-sangue, resolveu que não queria mais saber do Brasil. Foi pra Inglaterra, terra civilizada, povo educado, primeiro mundo. Mas não passava de uma tática para enganar o governo. Ele não queria apenas morar em outro país. Tudo o que precisava era de um lugar em que pudesse escrever sobre o Brasil, imprimir seus textos e enviá-los ao país.

Assim nasceu, em 1º de junho de 1808, o Correio Braziliense, primeiro jornal brasileiro. O folhetim tinha o tamanho de um livro, falava sobre temas diversos como cultura, política, economia, trazia críticas e notícias. Demorava algumas semanas (cerca de dois ou três meses) para chegar ao Brasil, afinal, o Sedex ainda não havia sido inventado. O único inconveniente da publicação é que ela não era autorizada. É lógico que o primeiro jornal brasileiro só podia ser pirata. Além disso, pouca gente lia, porque pouca gente sabia ler.

Mas se o governo já via o Hipólito José com maus olhos antes da criação do Correio, imagina só o clima quando souberam da existência do jornal. Para não ficar pra trás, o governo resolveu agir imediatamente. Reuniu uma equipe competente (ou quase isso) e criou um outro jornal, esse dentro da legalidade, com apoio do governo, com puxa-saquismo e tudo o mais que se tem direito. Nasceu então, no dia 10 de setembro de 1808, a Gazeta do Rio de Janeiro, o primeiro folhetim oficial do Brasil. As notícias eram chatas, notas sobre eventos da alta sociedade, textos exaltando o império, esses jogos de interesse que vemos até hoje em determinados periódicos. Mas, ao menos, percebia-se o primeiro interesse real do governo por algo que trazia informação à população.

É por isso que 10 de setembro é considerado o dia da imprensa, embora muitos (muitos mesmo) autores discordem da data. O Hipólito José continuou publicando o Correio por um longo tempo (até 1823), mesmo correndo o risco da censura e sabendo que teria concorrência. Alguns especuladores diziam que toda essa história de discórdia entre o gaúcho e o império não passava de joguinho de cena. Que, na verdade, eles tinham um acordo, e que só por isso os impressos de Hipólito José da Costa passavam pelas fronteiras brasileiras. Infelizmente, ele não viveu tempo suficiente para contar sua versão da história.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

O terrível Krukru e a aprendiz de jornalista

E com seus ataques de baixo calão, o Terrível Krukru desfere golpes poderosos nos frágeis aprendizes de jornalista. Com seu olhar superior, consegue visualizar todos os humildes focas, perplexos, sem reação. Mas para compreendermos essa história, vamos voltar na linha do tempo até o dia anterior.

Domingo, dia dos pais. Data terrível para buscar um desconhecido no aeroporto. Mas ele não era tão desconhecido assim. O Terrível Krukru era uma lenda no Fantástico Mundo da Televisão. E para encontrá-lo, enviamos as golfinhas de elite V. e M.. As golfinhas eram simpáticas e tagarelas, mas ao escoltá-lo até a província de "Lá Onde Santa Cruz perdeu as Botas", descobriram que o Terrível Krukru não era nada simpático. As pequenas V. e M. tentavam acalmá-lo, procuravam distraí-lo, mas apenas recebiam golpes e mais golpes da fera indomável. "Quer ir jantar?" perguntaram, humildemente, as pobres golfinhas. "Sabem o que quero! Preciso apenas ficar sozinho, em minha gruta escura e gélida, para assistir ao Fantástico Mundo da Televisão", proferiu Krukru com sua voz de trovão. E esse foi seu golpe derradeiro na primeira batalha. A nova luta seria apenas segunda-feira pela manhã.

A arena estava quase lotada na segunda-feira. Muitos curiosos queriam ver o Terrível Krukru, ídolo da garotada. As golfinhas, nocauteadas no dia anterior, trouxeram reforço. Além de outras golfinhas, focas por todos os lados, prontos para o ataque ao monstro, que ainda estava à espreita, apenas observando o movimento. Ele sabia que era a estrela da batalha, e sabia também como desempenhar tal papel. Além de todos os soldados, os comandantes também estavam presentes. A estrategista, mestra-golfinha, apenas coordenava suas aprendizes. Enquanto isso, os mestres-focas, ou melhor, mestres-raposas, já estavam prontos. A raposa mestra posicionava-se como uma espécie de juíza, enquanto o raposão apenas observava seus focas. Tudo pronto, luzes, som, e o espetáculo começa.

Já em seu primeiro ataque, Krukru mostra sua força. São golpes firmes e certeiros. Com seu estilo de luta, conquista a torcida. Focas e golfinhos unidos, mas sem forças para combaterem o terrível monstro daquela terra tão longínqua. Krukru pede água, e os focas lançam-se numa tentativa desesperada de reação. Em vão. Krukru mantém a guarda e atinge seus oponentes com outro golpe certeiro. O mestre-raposão tenta ajudar seus pupilos, mas é barrado. As regras do jogo são claras, e os mestres não podem se envolver nas batalhas de seus discípulos. Já ao fim da luta, uma aprendiz de jornalista o ataca, desesperadamente. Flashs quase o paralizam. Mas o monstro é mais forte. E com seus ataques de baixo calão, o Terrível Krukru desfere golpes poderosos nos frágeis aprendizes de jornalista. Com seu olhar superior, consegue visualizar todos os humildes focas, perplexos, sem reação. Um golpe final encerra a disputa. Nos contos da vida real, nem sempre há um final feliz.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Meu primeiro "Jabá"

Sei que o famoso agrado é visto com maus olhos no mundo do jornalismo. Ainda assim, acredito que em determinadas situações, aceitar um jabá não faz mal a ninguém. Pois hoje o recebi pela primeira vez. Passei a tarde fazendo entrevistas para uma matéria sobre ufologia. Alguns já me disseram que é uma pauta morta, idiota, sem sentido e completamente fantasiosa. Para mim, um assunto intrigante e bastante palpável. Pois bem, passei a tarde no Núcleo de Estudos Ufológicos de Santa Cruz do Sul. Fiz entrevistas, aprendi sobre o assunto, tomei chimarrão. Após a primeira hora de conversa, ouvindo relatos, tentando entender o foco dos estudos, ganhei uma revista. Não apenas uma  revista, mas a única revista da América Latina que trata o assunto de forma séria, segundo meu entrevistado. O Nome da revista é "Ufo" e a edição que recebi de presente é uma edição especial (nº 39), que fala sobre a Ufologia no período do Fascismo e do Nazismo. Agora me expliquem, como uma revista pode ser usada para "comprar" alguém? Como disse no início desse pequeno texto, não acredito que o jabá sempre seja ruim. É claro que, em muitos casos, uma fonte pode ter a intenção de manipular um repórter, ainda mais se este for alguém inexperiente na arte de reportar.  Mas generalizar é bobagem. Talvez, no dia em que me convencerem que existem pautas mortas, eu entenda também que não devo aceitar jabá. Mas convenhamos, esse dia nunca vai chegar.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Resenha sobre o livro "Hiroshima"

Essa resenha foi desenvolvida para a disciplina de Jornalismo Impresso II.


Dos horrores da 2ª Guerra
Renan Silva*

John Hersey, jornalista e escritor. Além de Hiroshima, é autor também de The Wall, um romance que fala sobre o Gueto de Varsóvia,  o maior gueto judeu no período do holocausto. Trabalhou na Time e Time's Chungking bureau, além de escrever para a Life e The New Yorker. Foi também ganhador do Pulitzer Prize for the Novel em 1945. Faleceu em 1993, na Flórida. Em HiroshimaToshiko Sasaki, o reverendo Kiyoshi Tanimoto, a sra. Hatsuyo Nakamura, o dr. Masakazu Fujii, o padre alemão Wilhelm Kleinsorge e o dr.Terufumi Sasaki são os personagens centrais da história. Dessa forma, todo o relato é desenvolvido a partir de suas lembranças e percepções da tragédia.

A obra foi lançada em 1946 pela The New Yorker. Nasceu em forma de uma matéria que, a princípio, seria exibida em 4 edições separadas, mas os editores da revista resolveram dedicar a edição de 31 de agosto de 1946 inteira para a história contada por Hersey. Mais tarde, a publicação dividida em 4 capítulos se tornou livro. As edições mais recentes são compostas por um capítulo extra, escrito por John Hersey 40 anos após a reportagem original. Assim, o jornalista conta sobre a explosão da bomba atômica em Hiroshima a partir dos depoimentos de 6 personagens e relata, no capítulo mais recente, quais as consequências nas vidas dessas pessoas quarenta anos depois da explosão.

Os relatos começam a partir dos momentos que precederam a explosão na perspectiva dos 6 sobreviventes. Hersey colheu os depoimentos um ano após a bomba atômica arrasar Hiroshima. A história narra em detalhes o que cada um deles fazia até o momento em que viram o grande clarão. Além de contar os fatos, desenvolve também o pensamento, os sentimentos e as emoções dos personagens, além de contextualizar a vida de cada um, suas respectivas profissões e a razão pela qual estavam em determinado local quando a bomba explodiu, além de mostrar a que distância cada um se encontrava do centro da explosão.

Num segundo momento, relata o pânico na cidade. A população ensanguentada, prédios em ruínas e o fogo se alastrando. Famílias procurando pelos seus parentes, os menos feridos tentando ajudar aqueles sem condições de se mover. E em meio ao desespero, as pessoas procuram um lugar seguro. Outros procuram o hospital mais próximo, mas todos estão em ruínas. As chamas se alastram pela cidade e os sobreviventes movem-se para as chamadas “áreas seguras”. Em uma dessas áreas – às margens do rio Kyo - o  padre  Kleinsorge tenta manter a ordem enquanto o reverendo Tanimoto procura salvar o máximo de feridos possível. A sra Nakamura e seus filhos adoeceram ao beber a água contaminada do rio.

Enquanto os três personagens tentam sobreviver na “área segura”, a srta. Toshiko Sasaki é recolhida dos escombros da empresa de fundição em que trabalha, com uma fratura exposta na perna esquerda. O dr.  Masakazu Fujii também sofreu fraturas, na clavícula, e possivelmente nas costelas, incapaz de diagnosticar pela falta de equipamento. Sua clínica, ficava na margem do rio Kyo, próximo a uma ponte que levava o mesmo nome. No momento da explosão, a clínica sucumbiu, levando-o para a água, e preso nos escombros, quase morreu afogado. Enquanto isso, o dr.  Terufumi Sasaki tentava conter os ferimentos daqueles que estavam no hospital da Cruz Vermelha, quando o recinto foi invadido por centenas de outros feridos.

Alguns dias após a tragédia, depois de muito trabalho no resgate aos feridos e esforço extremo dos poucos médicos e enfermeiras sobreviventes, as vítimas da explosão sofreram as consequências silenciosas da bomba. A intoxicação por radiação levou milhares de pessoas à morte nas semanas que seguiram o ataque, e deixaram sequelas em outras milhares. Aos poucos, a cidade foi sendo reconstruída, mas um ano após o fato, a vida dos 6 personagens estava abalada e suas saúdes fragilizadas. No capítulo final, escrito 40 anos depois, Hersey conta como foi a vida dessas 6 pessoas e de que forma a bomba atômica impactou em seus dias para além do momento da explosão.

Não é a toa que Hiroshima é considerada a reportagem mais importante do século XX. A obra de Hersey é um retrato da face mais assustadora da 2ª Guerra: a explosão das bombas atômicas. Sua forma de analisar e contextualizar cada passo de seus personagens reflete um estilo único de um dos repórteres mais brilhantes de todos os tempos. É por isso que sua obra é usada, até hoje, por ativistas na luta contra as armas nucleares. Mais do que  uma narrativa sobre os efeitos devastadores da bomba que atingiu a cidade japonesa, Hersey escreveu um dos maiores clássicos – se não o maior – do gênero
jornalismo-literário.

No que diz respeito à escrita e tradução, tanto o texto original quanto a forma traduzida merecem respeito. A versão em português da obra procura manter o estilo de Hersey, permitindo ao leitor o máximo aproveitamento da história. Quanto à publicação, o espaçamento entre as linhas e a escolha da fonte facilitam o dinamismo da leitura. Entretanto, o tamanho da fonte poderia ser maior. Em alguns momentos, a serifa que deveria ajudar no fluxo de leitura, acaba atrapalhando por apresentar-se pequena demais. Mas nada que destrua o brilhantismo e a excelência da obra-prima de John Hersey.

*Acadêmico do Curso de Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo na Unisc

Ficha Técnica:
Nome: Hiroshima
Autor: John Hersey
Edição: 2002
Editora:Companhia das Letras
Preço: R$:31,50

sábado, 24 de abril de 2010

A profissão mais completa do mundo

Esse texto foi originalmente desenvolvido para o blog do Focas do Q? do qual participo, mas resolvi postá-lo aqui também. Espero que gostem tanto quanto as queridas Laura Gomes e Thamires Waechter gostaram.

É provável que muitos dos leitores deste  blog já estejam pensando no vestibular. Alguns talvez já tenham superado essa fase, e outros nem começaram a pensar a respeito. Mas para os que estão nos preparativos, algumas razões para se fazer (ou não) jornalismo. A verdade é que ser jornalista é ter várias profissões. É ser psicólogo para falar com as fontes, ouvir seus problemas e, do meio de toda aquela conversa, retirar um pequeno trecho que possa ser útil na matéria. É ser um sociólogo preocupado com as causas sociais, para falar de assuntos difíceis, marginalizados. É ser um filósofo, principalmente sentado em um bar conversando com os amigos sobre as coisas bobas da vida. É ser um especialista em legislação, para não falar alguma bobagem que possa retornar em forma de processo. É ser um economista de primeira para saber se virar com a grana curta e muitos gastos. É ser um grande ator para conseguir encenar a qualquer momento que a reportagem o exija. É ser humorista, porque apenas com bom humor é possível conviver em harmonia com uma equipe tão doida quanto a do Focas. É ser um atletista para dar conta de correr atrás de tudo. É ser um literato para saber usar as palavras da forma mais atrativa, mas sem inventar informações. Em resumo, é ser versátil. Tá certo que o salário não é dos melhores, a jornada de trabalho é longa e cansativa, come-se apenas porcarias, mas nada substitui o prazer de ver um texto seu sendo lido pelas pessoas. Nada é mais compensador do que ter a certeza de que se fez a melhor matéria possível. E é isso que nos motiva a fazer a edição especial do Focas do Q?. Para quem não sabe o que fazer no vestibular, essa é a dica. Mas saibam que é um orgulho para toda a equipe fazer parte da profissão mais completa do mundo.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A saga de Jorge - A Entrevista

Sim, Jorge finalmente conseguiu uma oportunidade. A ligação era de uma das muitas agências que ele havia visitado para largar seu tímido currículo. A entrevista era para uma vaga de assessoria de imprensa em uma empresa conhecida em toda a região. O salário era pequeno se comparado à responsabilidade que a vaga exigia, mas para um novato sem grana e louco para trabalhar, era mais do que suficiente.

A dificuldade agora era preparar-se para a entrevista. Queria ter na ponta da língua a resposta para qualquer pergunta possível em uma entrevista de emprego. E ele se dedicou. Pelo menos durante os três dias que distanciaram a ligação da entrevista, Jorge trocou os sites e chats pornôs por livros, estudos sobre economia, política, esporte, cultura, moda, comportamento, medicina, biologia, geografia, história, e aproveitou para reavaliar seu domínio da língua e as regras da reforma ortográfica.

O segundo passo era estar com a melhor aparência possível. Jorge arrumou o cabelo, fez a barba, passou creme para espinhas e uma base para disfarçar as manchas das espinhas estouradas. Mas ele não queria ir de jeans e camiseta em sua primeira (e talvez única) oportunidade. Mas também não tinha grana para alugar um terno. Resolveu pedir emprestado para um amigo. A diferença de altura entre eles era pequena, e tinham praticamente o mesmo porte. Mas, por um infeliz acaso, seu amigo calçava dois números a menos.

Sem tempo para conseguir sapatos maiores, e com medo de se atrasar para seu mais importante compromisso, nosso amigo se veste e sai, sem dar atenção aos sapatos apertados. A entrevista seria na agência, não muito longe da casa de seu amigo. Antes de entrar, Jorge revisa mentalmente cada ponto estudado, formula respostas inteligentes, separa algumas citações de Nietzsche e Schopenhauer para usar na hora certa, causar impacto.

Chega dez minutos mais cedo, para mostrar responsabilidade. Mas ali na sala de espera, repara que há outros estudantes de jornalismo, lendo, parecem concentrados, alguns têm até experiência em redações ou assessorias! E agora, o que fazer? É lógico que não há nenhuma chance, pensa o pobre rapaz. De repente, tudo que havia estudado parece evaporar de seu cérebro. Ele se desespera. A secretária chama todos os candidatos para uma pequena prova antes da entrevista. Mas o que é isso? Uma prova? Mas não seria apenas a entrevista? A secretária explica que a prova tem o intuito de fazer uma primeira filtragem, separando os aptos dos não-aptos para a vaga e avaliando seu nível de conhecimento sobre a profissão.

Os candidatos entram em uma sala de reuniões, não muito grande, mas espaçosa o suficiente para acomodar a todos. Jorge treme ao receber a avaliação. As letras parecem embaralhar-se, as frases não fazem sentido e o desespero aumenta. "Comecem", ordena a secretária, dizendo que o prazo para a entrega é de uma hora. Sim, uma mízera hora! Questões objetivas que não permitem ao inexperiente rapaz demonstrar seu conhecimento sobre Nietzsche, economia mundial, soluções para a corrupção no Brasil ou, quem sabe, sua incrível capacidade crítica em relação a filmes para adultos. Tudo que deve responder é sobre a profissão e a empresa em questão, empresa esta que passou em branco nos estudos do rapaz.

Uma hora passa depressa, principalmente quando precisamos que passe devagar. Quase metade da prova ainda estava em branco quando Jorge foi forçado a entregar seu gabarito. Saindo da sala, outra secretária (a mesma que o atendeu quando levou o currículo e que ligou marcando a entrevista) o vê e o chama. "Você é o Jorge, certo?", pergunta a bela moça, com um sorriso cruel nos lábios. "Sim, sou eu", responde timidamente o rapaz. "Pois você está uma hora atrasado!", retruca a secretária, agora em um tom mais sério. "Não estou não. Eu estava ali na sala fazendo a prova", responde o rapaz. "Não! Aquela prova era para a contratação de um Assessor efetivo, que será contratado pela empresa. A sua vaga é para um estágio em assessoria, na mesma empresa, mas apenas um estágio. E sinto dizer que, devido a seu atraso, dificilmente você ganha essa vaga. Mas não desista, a gente te chama na próxima seleção!" Com o mesmo sorriso cruel de antes, a moça anuncia o próximo candidato para a vaga do estágio. Enquanto isso, Jorge sai da agência. Segue na direção oposta à casa de seu amigo, vagando por aí, sem direção certa, com os sapatos apertados nas mãos.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

A saga de Jorge

Jorge era estudante de jornalismo. Aliás, um dos muitos estudantes que não desistiu do sonho de trabalhar em regime de semi-escravidão por um salário miserável mesmo após a queda do diploma. Ele também se ofendeu quando nosso querido ministro comparou jornalistas a cozinheiros e babás (meu profundo respeito por essas profissões). E se indignou quando o Arruda fingiu não estar nem aí, sob as vaias da imprensa.

Como todo estudante de jornalismo, ou pelo menos como a maioria, Jorge estava sempre duro. Mesmo antes de encarnar na profissão, já sentia os reflexos da falta de dinheiro. A namorada o largou porque não queria um cara que não podia nem levá-la ao cinema. Foi então que resolveu mudar sua vida. Não, ele não desistiu do jornalismo, nem daqueles ideais solitários que invadem a mente de todo universitário, aquela certeza de que pode mudar o mundo, acabar com a corrupção, socorrer os feridos do Haiti, essas coisas de sempre.

Jorge resolveu procurar um estágio!

Mas como sabemos, entrar no mercado de trabalho, principalmente no mundo do jornalismo (mundo este em que centenas de pessoas disputam uma vaga de salário mínimo como se fosse um bilhete premiado da loteria), não é algo tão simples. São necessários, no mínimo, 3 requisitos. 1 - Se quiser trabalhar em TV (e esse era o sonho de Jorge), tem que ser bonito. E esse, certamente, não era o caso de nosso amigo. Jorge não era bonito e sabia disso, mas ele tinha uma boa locução a seu favor. 2 - Se quiser trabalhar em impresso, tem que ser um leitor assíduo. Outro ponto negativo desse jovem estudante, preguiçoso e sonhador. Ele passava horas de seu dia em frente ao computador, ocupadíssimo com vídeos de humor, resumos de novelas e, acreditem ou não, chats com atrizes pornô. Aliás, a pornografia foi algo que sempre o fascinou. Tanto que alguns de seus trabalhos da universidade eram críticas de filmes pornô. E críticas bem feitas por sinal. Mas ainda assim, isso não representava um grande diferencial para um estudante sem experiência no currículo à procura de uma oportunidade. 3 - Por fim, tem que ter um padrinho, alguém influente ou mesmo um conhecido qualquer que lhe indique e lhe ajude. Mas Jorge era um jovem sem muitos contatos profissionais. Seus conhecimentos e relacionamentos com pessoas mais velhas ou que já estivessem no mercado não passavam de seus colegas e professores.

Dessa forma, as chances de conseguir um emprego, ou melhor, um estágio na área eram reduzidíssimas. Mas para quem tem motivação de continuar em um curso de jornalismo mesmo sabendo que pagam mal, que o diploma não tem mais valor, que faz-se hora extra todo dia e que nunca se recebe por isso, que corre o risco diário de ser furado, de perder a matéria dos sonhos, que nunca vai progredir se não for uma funcionária gostosa ou um bajulador do chefe, que todo jabá que receber será mal visto, que sua vida amorosa e principalmente, sexual, será um desgraça, não porque será rejeitado, mas porque, enquanto trabalha, sua mulher vai ficar com o Ricardão, recebendo todo o afeto (ou seja lá o nome que queiram dar) que o pobre jornalista não tem tempo de conceder, se mesmo assim ele tem coragem de continuar cursando jornalismo, conseguir emprego não passa de mais uma pequena barreira a ser ultrapassada. 

Sendo assim, o corajoso Jorge segue na procura de um estágio, larga currículos (com a fonte em tamanho grande, espaçamento duplo, todas as artimanhas para tentar preencher uma folha A4, algo dificílimo para quem nunca trabalhou nem fez cursos complementares), se inscreve em agências, anota as oportunidades dos classificados. Mas o tempo vai passando. Uma semana desde a difícil decisão, uma decisão sem volta pois começar a trabalhar no jornalismo é algo que vicia. Por piores que sejam os dias de trabalho, é estimulante estar ali. Mas Jorge ainda não sabe o que é isso, porque ninguém quer lhe dar uma chance. Talvez se mandasse em anexo ao currículo uma de suas críticas, pensava. Mas não saía do lugar. Ficava apenas pensando o que poderia fazer para melhorar seu currículo, melhorar suas chances de afundar-se para sempre nesse mar desgastante e compensador (não financeiramente é claro!). Até que seu telefone toca. Do outro lado, uma agência, uma vaga, finalmente uma oportunidade!

Mas será que Jorge vai conseguir seu tão sonhado estágio? Descubra segunda-feira, no próximo post.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Entre violinos e guitarras

Eu havia esquecido de postar aqui no blog a matéria feita por mim e pelo colega Luís Eduardo Bandeira para o projeto Focas do Q?, parceria entre a Unisc e a Gazeta do Sul. De qualquer forma, para quem ainda não leu, ela segue abaixo.



PS: Sim, a matéria saiu há quase dois meses, mas só hoje lembrei que ainda não a havia postado.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Escreva a mão




Essas fotografias foram desenvolvidas para a disciplina de Fotografia em Jornalismo II, ministrada pelo professor Alexandre Borges.



O tema do trabalho era "Escreva a mão" e a proposta era fazer as crianças preencherem um Orkut de Papel.



Jovem Foca