Todos os problemas da sociedade moderna começaram com os Deuses da mitologia grega. Não estou exagerando, é sério. A compra de votos, por exemplo, nada mais é do que uma prática milenar inventada por três das mais lindas Deusas. Tudo começou quando a Deusa da Discórdia deixou de ser convidada para um casamento. Invejosa, resolveu ir escondida à cerimônia e plantou um pequeno "mimo" (um pomo de ouro) com os dizeres "à mais bela". Na festa estavam as três grandes beldades do Monte Olimpo, Hera, Atena e Afrodite, e todas queriam o agrado para si. Foram até Zeus para que ele decidisse quem era a merecedora do prêmio de "a mais bela dentre as Deusas". Mas ele, como não é bobo nem nada, não quis ser o jurado. Desceu à Terra e escolheu um pastor para julgar quem ficaria com o prêmio.
O pastor era ninguém menos que Páris, príncipe de Tróia, irmão de Heitor e filho do rei Príamo. Ele vivia como pastor porque, logo após nascer, seu pai consultara um oráculo que anunciou a queda de Tróia caso o menino vivesse. A mãe do pequeno príncipe exitou em matá-lo e o entregou a uma família de camponeses. Assim, Páris cresceu como um pastor e via-se, nesse momento, diante de quatro divindades. Zeus deixou a decisão nas mãos do pobre príncipe/pastor. O voto deveria ser sem pressão alguma, e as candidatas não poderiam falar com o jurado. Mas afinal, quem dá atenção às regras? A primeira a desobedecer foi a própria rainha do Monte Olimpo. Hera ofereceu toda a riqueza e poder que um mortal pode querer. Depois, Atena veio fazer sua proposta. Ela prometeu dar ao rapaz todo o poder de batalha e sabedoria jamais vista. Por fim, a encantadora Afrodite ofereceu o coração da mulher mais linda da Terra. A criatura mais doce e angelical que já vagou entre os humanos. Ao fim do dia, Zeus retornou. A vencedora era Afrodite.
Páris comprou briga com duas das criaturas mais poderosas da mitologia. Mas o prêmio parecia valer a pena. O coração prometido por Afrodite era da bela Helena, esposa de Menelau, rei de Esparta. Alguns anos se passaram desde a decisão de Páris e a promessa da Deusa do amor. Ele, que antes era um pastor, agora já era reconhecido e abençoado por seu pai como príncipe de Tróia. E como príncipe, fora designado a uma viagem diplomática à Esparta, na companhia de seu irmão. Ao chegar, viu a bela Helena e apaixonou-se imediatamente. Ambos fugiram rumo a Tróia, enfurecendo Menelau. Com o apoio de Agamenon e Nestor, mais de mil navios foram enviados para recuperar Helena e a honra do rei espartano.
Helena foi recebida como uma verdadeira princesa troiana e protegida como tal. Os gregos tentaram de todas as formas invadir a cidade usando a força, mas falharam. A chave para vencer a guerra era usar o cérebro. Heitor foi o principal soldado troiano, mas pereceu nas mãos de Aquiles, a grande arma dos gregos. A guerra durou semanas, matou milhares de guerreiros e eternizou heróis. Helena de Tróia é vista como a principal culpada pelas sangrentas batalhas, mas poucos lembram que tudo ocorreu porque, certa vez, um humilde camponês aceitou vender seu voto.
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quinta-feira, 30 de setembro de 2010
domingo, 1 de agosto de 2010
Papai, por que sou colorado?
Quando criança, muitas vezes fiz a pergunta que dá nome a esse texto. É claro que nunca a falei ao meu pai, de fato. Tinha medo de irritá-lo com tal questionamento. Mas confesso que virei colorado apenas por pressão. Na verdade, nasci em uma década de decadência do Internacional. Me intrigava o fato de, meu time do peito, não ganhar um título de relevância durante minha infância. Mas em um 5 de dezembro do ano de 97 ou 98, não lembro ao certo, meu time foi campeão mundial de futsal. Sim, não era um título no campo. Mas era meu inter. O meu colorado havia ganho o mundo. E a data foi marcante pra mim, por ser exatamente no dia de meu aniversário. A partir daquele momento, passei a compreender o que significava ser colorado para mim.
Nunca fui um fanático. Nunca briguei pelo meu time. Mas sinto um orgulho enorme com cada façanha. E sinto uma mágoa gigantesca em cada fracasso. Chorei pelo quase rebaixamento, quando o Inter foi salvo por um cabeceio do Dunga, contra o Palmeiras se não me engano. Senti raiva em 2005, no jogo roubado contra o Corinthians, em que o árbitro, além de não marcar o pênalti (pênalti claro, por sinal) favorável ao Inter, ainda expulsou o Tinga por simulação. Me emocionei na final da Libertadores contra o São Paulo em 2006, principalmente ao ouvir o grande Pedro Ernesto Denardin ("O Internacional rasga a camisa do São Paulo, pisa nela"). E senti o orgulho de ver meu clube ganhar o mundo (dessa vez nos gramados) contra um time considerado infinitamente superior.
Nessa semana que passou, o Inter venceu o São Paulo em mais uma semifinal de Libertadores. Enquanto termino esse post, o Inter empata o Grenal no Beira-Rio, com time misto. Ao fundo da narração do Pedro Ernesto, ouço o canto da torcida "minha camisa vermelha e a cachaça na mão, o gigante me espera para começar a festa". Nada supera essa energia. Nada pode ser mais emocionante do que essa paixão. E não falo isso por ser colorado. Acredito que esse sentimento pertence à todos aqueles apaixonados por seus clubes. Não importa o estádio, o estado ou as cores da bandeira defendida, a beleza do futebol que realmente encanta é aquela fora das quatro linhas. Aquela que dispensa brigas e discussões. A beleza vem do canto da torcida, da paixão pelo esporte. Não importa que o time não seja o melhor, que não ganhe a Libertadores ou mesmo o clássico contra seu maior rival. A paixão supera tudo isso. Essa é a magia do futebol. E um dia, talvez, os fanáticos entendam que amar um clube não é atear fogo em banheiros químicos, promover pancadaria ou discutir. É apenas amar, algo que não exige ação ou explicação.
Nunca fui um fanático. Nunca briguei pelo meu time. Mas sinto um orgulho enorme com cada façanha. E sinto uma mágoa gigantesca em cada fracasso. Chorei pelo quase rebaixamento, quando o Inter foi salvo por um cabeceio do Dunga, contra o Palmeiras se não me engano. Senti raiva em 2005, no jogo roubado contra o Corinthians, em que o árbitro, além de não marcar o pênalti (pênalti claro, por sinal) favorável ao Inter, ainda expulsou o Tinga por simulação. Me emocionei na final da Libertadores contra o São Paulo em 2006, principalmente ao ouvir o grande Pedro Ernesto Denardin ("O Internacional rasga a camisa do São Paulo, pisa nela"). E senti o orgulho de ver meu clube ganhar o mundo (dessa vez nos gramados) contra um time considerado infinitamente superior.
Nessa semana que passou, o Inter venceu o São Paulo em mais uma semifinal de Libertadores. Enquanto termino esse post, o Inter empata o Grenal no Beira-Rio, com time misto. Ao fundo da narração do Pedro Ernesto, ouço o canto da torcida "minha camisa vermelha e a cachaça na mão, o gigante me espera para começar a festa". Nada supera essa energia. Nada pode ser mais emocionante do que essa paixão. E não falo isso por ser colorado. Acredito que esse sentimento pertence à todos aqueles apaixonados por seus clubes. Não importa o estádio, o estado ou as cores da bandeira defendida, a beleza do futebol que realmente encanta é aquela fora das quatro linhas. Aquela que dispensa brigas e discussões. A beleza vem do canto da torcida, da paixão pelo esporte. Não importa que o time não seja o melhor, que não ganhe a Libertadores ou mesmo o clássico contra seu maior rival. A paixão supera tudo isso. Essa é a magia do futebol. E um dia, talvez, os fanáticos entendam que amar um clube não é atear fogo em banheiros químicos, promover pancadaria ou discutir. É apenas amar, algo que não exige ação ou explicação.
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domingo, 6 de dezembro de 2009
Divagando sobre a amizade
Como disse certa vez Martin Luther King, ao meu ver, uma das mentes mais brilhantes e justas do século passado, "o amor é a única força capaz de transformar um inimigo num amigo." Amizade é amor. É um amor diferente daquele que sentimos por nossos familiares. É diferente daquela relação homem-mulher. É um amor em que não importa credos, posicionamentos políticos, sexualidade. Alguns dizem que "amigos são os irmãos que podemos escolher." Para outros "amigos são anjos que nos deixam de pé quando nossas asas têm problemas em se lembrar como voar." De qualquer forma, amigo de verdade é aquela pessoa com quem podemos contar a qualquer hora do dia. É aquela pessoa que estará ao seu lado nos jantares e que não desgrudará de você quando estiveres com um problema. É aquela pessoa que te apoia mesmo quando você faz algo errado. Te compreende, escuta, aconselha, e não te julga. É sensível o bastante para perceber pelo teu olhar, pelo teu tom de voz ou simplesmente pela tua presença, quando as coisas não estão indo tão bem. Amigos são seres raros e especiais. Ter um amigo é ter um tesouro, muitas vezes ambicionado por muitos. Só que amizade é amor. E algumas vezes, a linha tênue entre amor/amizade e amor/paixão é ultrapassada, mesmo inconscientemente. Não dá-se conta de que as coisas estão se confundindo. Mas aquele convívio é tão especial. No fundo, se sabe o que está acontecendo, mas é difícil admitir. Não se quer aceitar que aquela amizade, um sentimento tão puro, verdadeiro, se transforme em uma paixão. Não se pode aceitar que aquela confiança e o desejo de estar um na presença do outro, esteja se transformando em desejo de estar um nos braços do outro. Só que tudo continua mudando. Ela ainda te trata da mesma forma, como a amiga especial que sempre foi, mas agora seu olhar mudou. Você sabe que está apenas confundindo as coisas, mas cada vez que sente a presença dela, seu perfume, seu abraço; cada vez que lembra do seu olhar - aquele olhar que parece ver sua alma - surge uma esperança. "Talvez não seja ilusão", pensa-se. Mas é. Quando se volta à realidade, percebe novamente que está apenas confundindo as coisas. Aquele jeito meigo, inocente, aqueles olhos doces, o sorriso, conjunto de fatores que encantaram, envolveram, hipnotizaram. De repente, a amizade se fragiliza. Aqueles, antes amigos queridos, agora se afastam. No fundo, se sabe que ela te adora e que deseja sua amizade acima de tudo. Mas não é mais possível se sentir a vontade. Mas por mais que se negligencie, é impossível esquecer. "Mostre-me um homem que não seja escravo das suas paixões."(William Shakespeare).
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