Sei que não passa de mais um clichê barato em meio a tantos outros já escritos e descritos aqui neste blog. Ainda assim, dou-me ao luxo de cair uma vez mais no lugar comum e dizer: os tempos mudaram. E como mudaram. E ainda assim, algumas coisas (alguns pensamentos) continuam exatamente como há meio século. Minha avó, por exemplo, tem até orkut, presenteia os seus com aparelhos eletrônicos, está totalmente hi-tec, mas não consegue aceitar que chamem de namoro um relacionamento em que um dorme na casa do outro. "Isso não é namoro. Vocês estão vivendo juntos", diz ela.
Sim, tudo mudou. Não existiam calcinhas comestíveis na época em que meus avó namoravam. Se você reclama que hoje seus pais não lhe dão liberdade, imagine naquela época. Pense que há uma boa razão para que sua avó prefira sertanejo a rock. Lembre-se que ela já teve sua idade, já viveu muito do que você vive (é provável que com bem menos intensidade). Não a chame de retrógrada. Não fique irritado por seus comentários. Melhor pensar que, em 30 ou 40 anos, você estará na mesma posição em que ela encontra-se hoje. Se há algo imutável, mesmo com o passar dos séculos, é o carinho (e a preocupação) entre avós e netos.
Antes, mulheres não podiam pedir um homem em namoro, tampouco dividir a conta. Hoje, não há regras. O manual de boas maneiras foi rasgado, triturado e queimado dentro da lata de lixo. Não há mais nenhum crime em uma mulher exigir um tratamento igual ao dos homens. O verdadeiro crime da vida contamporânea é tratá-las diferente. Ou pior, tratá-las com indiferença. Porque nada pode irritar mais o sexo "frágil" do que o gelo, o não-estar-nem-aí. Elas precisam ser ouvidas e fazem valer seu direito. Começam a dominar o mercado de trabalho, ganham mais do que você, homem, inútil, imprestável, e agora indefeso. É ela quem dá o presente mais caro no Natal. E é ela quem manda em casa. Mas, pensando bem, sempre foi. É ela quem leva o filho na escola, mas esquece de levar o carango na oficina. Trabalha o dia inteiro e ainda tem tempo de fazer as unhas antes que você chegue cansado e rabugento do trabalho. Sim, tudo é diferente. Mas algumas coisas, meu amigo, algumas coisas nunca mudam.
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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Dia dos solteiros e outras datas sem sentido
Eu deveria estar comemorando o dia dos solteiros nesse momento. Mas, pela falta de oportunidade e de companhia, resolvi escrever. Dia dos solteiros é mais uma dessas datas sem sentido, inventadas para parabenizarmos amigos no MSN, escrevermos algo escroto e grosseiro no twitter e participarmos de novas comunidades do orkut. É uma data que pouquíssima gente saberia que existe, não fosse a Internet.
Aliás, a Internet é a responsável por propagar a maior parte destas datas estranhas. Há alguns dias, por exemplo, tivemos o Lingerie Day, um movimento no twitter para que as moçoilas presentes na rede social trocassem seus avatares (suas imagens de exibição) por fotos com lingeries. Em fevereiro, no dia 28 para ser mais específico, ocorre o Dia do sono, data bastante tentadora por sinal.
Antes que me critiquem, não sou contrário à propagação dessas datas pela Internet, apenas considero muitas delas extremamente inúteis. Uma dessas datas (tão inúteis quanto dar um IPhone à minha avó), que descobri não faz muito tempo, é o dia da amante. Um incentivo à traição ou uma singela homenagem àquela pessoa que destrói, mas que em muitos casos é a salvadora de um relacionamento? Confesso que não parei para pensar a respeito.
Mas não preciso falar apenas das datas pouco difundidas. O dia dos namorados, por exemplo, é uma data sem lógica alguma. No mundo todo o dia dos namorados é comemorado em 14 de fevereiro, uma homenagem a São Valentim, padroeiro dos casais, dos apaixonados. Mas no Brasil, a culpa por ser apenas no dia 12 de junho é de um publicitário (sempre esses publicitários!). Na falta de uma data relevante ao comércio no mês de junho, o publicitário João Dória foi contratado para embalar o comércio paulista. Com o slogan "Não é só com beijos que se prova o amor", Dória conseguiu aquecer o fraco comércio de junho, incentivando a troca de presentes entre namorados.
Tudo bem, talvez eu seja apenas um solteirão, recalcado e pão duro, que não quer gastar no dia dos namorados e não tem com quem comemorar o dia dos solteiros. Mas a verdade é que frustra pensar que existe uma data comemorativa para quase todas as besteiras em que podemos pensar. Bom mesmo era o tempo em que apenas datas de relevância à nossa história mereciam ser lembradas. Homenageávamos apenas quem tinha feito algo digno de ser lembrado. E mesmo as datas comerciais (dia dos pais, das mães, páscoa, natal) valiam mesmo pelo que representavam, e não por serem símbolos de presentes. Hoje, até celebrar um domingo em família virou clichê. E isso não é algo de que sinto orgulho.
Aliás, a Internet é a responsável por propagar a maior parte destas datas estranhas. Há alguns dias, por exemplo, tivemos o Lingerie Day, um movimento no twitter para que as moçoilas presentes na rede social trocassem seus avatares (suas imagens de exibição) por fotos com lingeries. Em fevereiro, no dia 28 para ser mais específico, ocorre o Dia do sono, data bastante tentadora por sinal.
Antes que me critiquem, não sou contrário à propagação dessas datas pela Internet, apenas considero muitas delas extremamente inúteis. Uma dessas datas (tão inúteis quanto dar um IPhone à minha avó), que descobri não faz muito tempo, é o dia da amante. Um incentivo à traição ou uma singela homenagem àquela pessoa que destrói, mas que em muitos casos é a salvadora de um relacionamento? Confesso que não parei para pensar a respeito.
Mas não preciso falar apenas das datas pouco difundidas. O dia dos namorados, por exemplo, é uma data sem lógica alguma. No mundo todo o dia dos namorados é comemorado em 14 de fevereiro, uma homenagem a São Valentim, padroeiro dos casais, dos apaixonados. Mas no Brasil, a culpa por ser apenas no dia 12 de junho é de um publicitário (sempre esses publicitários!). Na falta de uma data relevante ao comércio no mês de junho, o publicitário João Dória foi contratado para embalar o comércio paulista. Com o slogan "Não é só com beijos que se prova o amor", Dória conseguiu aquecer o fraco comércio de junho, incentivando a troca de presentes entre namorados.
Tudo bem, talvez eu seja apenas um solteirão, recalcado e pão duro, que não quer gastar no dia dos namorados e não tem com quem comemorar o dia dos solteiros. Mas a verdade é que frustra pensar que existe uma data comemorativa para quase todas as besteiras em que podemos pensar. Bom mesmo era o tempo em que apenas datas de relevância à nossa história mereciam ser lembradas. Homenageávamos apenas quem tinha feito algo digno de ser lembrado. E mesmo as datas comerciais (dia dos pais, das mães, páscoa, natal) valiam mesmo pelo que representavam, e não por serem símbolos de presentes. Hoje, até celebrar um domingo em família virou clichê. E isso não é algo de que sinto orgulho.
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domingo, 15 de agosto de 2010
Frustrações dos meus pais, frustrações dos seus filhos
A geração dos meus pais não cresceu na frente de um computador. Alguns vão dizer "tá, e qual a novidade?", mas acreditem, para muitos jovens, é difícil pensar que celular, internet e ipod não faziam parte da lista de natal das crianças que hoje chamamos de pais. Minha mãe não ficava grudada ao celular, no meio da aula, esperando uma mensagem de algum namoradinho. E meu pai não mandava sms para todas suas colegas. Simplesmente porque o celular não estava na mão de cada jovem, como algo banal mas imprescindível à vida.
Meus pais nunca reclamaram porque seus ipods deixaram de funcionar, ou porque a conexão da internet estava ruim. Não em sua juventude. Na verdade, nem sei se eles sabem o que é um ipod. Quando começaram a namorar, o símbolo do que sentiam era uma rosa roubada do jardim da vizinha, presente que meu pai entregava à minha mãe diariamente, e não o simples fato de mudar o status do orkut para "namorando". Até o amor parecia algo humano na juventude de meus pais.
Hoje, somos infelizes se, simplesmente, estamos sem rede no celular. Palavrões são ditos o tempo todo se a internet cai. O status do orkut e as frases do twitter resumem a vida das pessoas. Temos muitos amigos, muito mais do que meus pais tiveram em sua vida inteira, mas não os conhecemos. A vida só existe se puder ser resumida em 140 caracteres. O resto é resto. São frivolidades daqueles velhos e caretas que não são capazes de compreender o quanto nossa é difícil. Eles não entendem o sofrimento de uma frase no twitter, ou a importância de uma declaração no orkut. Falta de romantismo moderno.
Podem defender que isso é a "evolução", não estou nem aí. Quando ouço meus pais falando sobre os atos de romantismo, sobre o quanto era bom estar com os amigos (estar de verdade, e não em convenções de redes sociais), fico com a certeza de que nasci na geração errada. Sou apaixonado por essa tecnologia que facilita nossa vida e nos aproxima das pessoas, mas questiono: que evolução é essa que mecaniza os sentimentos e nos frustra com coisas tão banais? Algumas coisas não podem ser ditas ou sentidas apenas em 140 caracteres.
Meus pais nunca reclamaram porque seus ipods deixaram de funcionar, ou porque a conexão da internet estava ruim. Não em sua juventude. Na verdade, nem sei se eles sabem o que é um ipod. Quando começaram a namorar, o símbolo do que sentiam era uma rosa roubada do jardim da vizinha, presente que meu pai entregava à minha mãe diariamente, e não o simples fato de mudar o status do orkut para "namorando". Até o amor parecia algo humano na juventude de meus pais.
Hoje, somos infelizes se, simplesmente, estamos sem rede no celular. Palavrões são ditos o tempo todo se a internet cai. O status do orkut e as frases do twitter resumem a vida das pessoas. Temos muitos amigos, muito mais do que meus pais tiveram em sua vida inteira, mas não os conhecemos. A vida só existe se puder ser resumida em 140 caracteres. O resto é resto. São frivolidades daqueles velhos e caretas que não são capazes de compreender o quanto nossa é difícil. Eles não entendem o sofrimento de uma frase no twitter, ou a importância de uma declaração no orkut. Falta de romantismo moderno.
Podem defender que isso é a "evolução", não estou nem aí. Quando ouço meus pais falando sobre os atos de romantismo, sobre o quanto era bom estar com os amigos (estar de verdade, e não em convenções de redes sociais), fico com a certeza de que nasci na geração errada. Sou apaixonado por essa tecnologia que facilita nossa vida e nos aproxima das pessoas, mas questiono: que evolução é essa que mecaniza os sentimentos e nos frustra com coisas tão banais? Algumas coisas não podem ser ditas ou sentidas apenas em 140 caracteres.
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domingo, 6 de dezembro de 2009
Divagando sobre a amizade
Como disse certa vez Martin Luther King, ao meu ver, uma das mentes mais brilhantes e justas do século passado, "o amor é a única força capaz de transformar um inimigo num amigo." Amizade é amor. É um amor diferente daquele que sentimos por nossos familiares. É diferente daquela relação homem-mulher. É um amor em que não importa credos, posicionamentos políticos, sexualidade. Alguns dizem que "amigos são os irmãos que podemos escolher." Para outros "amigos são anjos que nos deixam de pé quando nossas asas têm problemas em se lembrar como voar." De qualquer forma, amigo de verdade é aquela pessoa com quem podemos contar a qualquer hora do dia. É aquela pessoa que estará ao seu lado nos jantares e que não desgrudará de você quando estiveres com um problema. É aquela pessoa que te apoia mesmo quando você faz algo errado. Te compreende, escuta, aconselha, e não te julga. É sensível o bastante para perceber pelo teu olhar, pelo teu tom de voz ou simplesmente pela tua presença, quando as coisas não estão indo tão bem. Amigos são seres raros e especiais. Ter um amigo é ter um tesouro, muitas vezes ambicionado por muitos. Só que amizade é amor. E algumas vezes, a linha tênue entre amor/amizade e amor/paixão é ultrapassada, mesmo inconscientemente. Não dá-se conta de que as coisas estão se confundindo. Mas aquele convívio é tão especial. No fundo, se sabe o que está acontecendo, mas é difícil admitir. Não se quer aceitar que aquela amizade, um sentimento tão puro, verdadeiro, se transforme em uma paixão. Não se pode aceitar que aquela confiança e o desejo de estar um na presença do outro, esteja se transformando em desejo de estar um nos braços do outro. Só que tudo continua mudando. Ela ainda te trata da mesma forma, como a amiga especial que sempre foi, mas agora seu olhar mudou. Você sabe que está apenas confundindo as coisas, mas cada vez que sente a presença dela, seu perfume, seu abraço; cada vez que lembra do seu olhar - aquele olhar que parece ver sua alma - surge uma esperança. "Talvez não seja ilusão", pensa-se. Mas é. Quando se volta à realidade, percebe novamente que está apenas confundindo as coisas. Aquele jeito meigo, inocente, aqueles olhos doces, o sorriso, conjunto de fatores que encantaram, envolveram, hipnotizaram. De repente, a amizade se fragiliza. Aqueles, antes amigos queridos, agora se afastam. No fundo, se sabe que ela te adora e que deseja sua amizade acima de tudo. Mas não é mais possível se sentir a vontade. Mas por mais que se negligencie, é impossível esquecer. "Mostre-me um homem que não seja escravo das suas paixões."(William Shakespeare).
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