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quarta-feira, 6 de julho de 2011

Todos amam futebol

Foi hoje, no fim da tarde, enquanto aguardava o ônibus para voltar pra casa. De pé na parada, ao lado de duas senhoras com seus 60 ou 70 e poucos anos, ouço a seguinte discussão:

- Não, o Avenida tinha que ganhar pra se classificar. Mas tá só empatando.
- Tá, mas se ele ganha, se classifica?
- Não. Depende do Brasil de Farroupilha e do tal de Juventus lá de Santa Rosa. O Brasil tem que perder, mas esse Juventus não ganhou nenhuma até agora. Tu acha que ganharia agora?
- Não ganha. Mas e esse que tá jogando com o Avenida, como que tá?
- Ah, esse tá classificado, ninguém mais busca. E eles tão empatando. Só por milagre pro Avenida ganhar.
- Pobre Avenida.

Pode ser branco, negro, pardo; baixinho, gordinho ou alto e magro; homem, mulher, homo, bi, trans ou mesmo hermafrodita; criança, adolescente, adulto ou idoso; quem nunca se pegou assistindo um jogo na TV, mesmo sem querer, e torcendo inconscientemente para um dos lados? No discurso, futebol é uma chatice. No dia a dia, o esporte mais popular do país é assunto em jornais, revistas, bares, ou mesmo numa parada de ônibus. Perdom-me a generalização, mas de uma forma ou de outra, todos amam futebol.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

O que um homem não suporta em um relacionamento

Antes de ler o restante do texto, você deve concordar com os Termos de leitura:

1 - Tenho consciência de que este é um post extremamente machista e não manifestarei qualquer opinião contrária à do autor.
2 - Prometo deixar um comentário caso considere o texto digno de tal feito.
3 - Concordo com os Termos de leitura e aceito ler a crônica sem jamais processar o autor do blog por qualquer possível ofensa quanto à minha sexualidade, posição política ou religião.


Dia desses twittei que estava pensando em um tema para uma nova crônica, aqui mesmo para o blog. Foi quando uma amiga de longa data sugeriu (também via twitter) que escrevesse sobre a arte dos relacionamentos. Confesso que não sou a pessoa mais indicada para escrever sobre isso. Na verdade, não acredito em amores eternos nem em paixão à primeira vista. Não mais.

Mas posso escrever sobre atitudes femininas insuportáveis. E acreditem, muitas de suas atitudes são insuportáveis. Afinal, colocar a culpa de seu mau humor (diariamente) na TPM, fazer cenas de ciúmes pelo simples fato de uma colega simpática (e gostosa) cumprimentar ou mandar escolher entre o namoro e o futebol com os amigos, não podem ser consideradas atitudes maduras. Ok, a colega simpática não precisaria usar uma roupa tão curta, nem ser tão simpática. E o futebol com os amigos não precisaria sempre terminar em um bar, cercado por amigos, mas principalmente, por amigas.

Mas, mulheres da minha vida, isso não lhes garante o direito de serem tão mau humoradas! Entendemos que uma vez por mês vocês sintam ódio do mundo. Se eu sangrasse mensalmente, também ficaria muito irritado. Se tivesse que manter as axilas, as pernas e (em muitos casos) a genitália depiladas, também odiaria o mundo. Se tivesse que sentir dores por nove meses, carregando um bebê que me dará dor de cabeça pelo resto da vida, sentiria raiva de todo ser vivo. Mas agora parem e pensem: com tantas coisas na cabeça, problemas, depilação, sangramentos, por que diabos insistem em implicar com a pobre da colega gostosa, digo, simpática?

Homem algum suporta o ciúme doentio da namorada (esposa, peguete, namorida, tanto faz). Não sou eu quem diz isso, mas todos os homens que represento nesse momento. Um homem quer apenas ficar em paz, não discutir relação. Quer jogar futebol e sair pra beber com os amigos, não ficar enfornado dentro de casa assistindo Titanic. E acredite, se ele ficar em casa por obrigação, não vai querer assistir filme algum. Vai, no máximo, querer assistir algum canal de esportes. Ou transar. E tenha certeza, o humor dele estará péssimo. Então, não inventem de fazer cena de carente. Não comecem a reclamar do canal de esportes ou da falta de atenção, sob pena de terminarem a noite sozinhas, chorando em seus lençóis. E o mais importante: nunca, mas nunca mesmo, comecem uma discussão com o namorado por causa de um simples "oi" daquela amiga gostosa.

domingo, 1 de agosto de 2010

Papai, por que sou colorado?

Quando criança, muitas vezes fiz a pergunta que dá nome a esse texto. É claro que nunca a falei ao meu pai, de fato. Tinha medo de irritá-lo com tal questionamento. Mas confesso que virei colorado apenas por pressão. Na verdade, nasci em uma década de decadência do Internacional. Me intrigava o fato de, meu time do peito, não ganhar um título de relevância  durante minha infância. Mas em um 5 de dezembro do ano de 97 ou 98, não lembro ao certo, meu time foi campeão mundial de futsal. Sim, não era um título no campo. Mas era meu inter. O meu colorado havia ganho o mundo. E a data foi marcante pra mim, por ser exatamente no dia de meu aniversário. A partir daquele momento, passei a compreender o que significava ser colorado para mim.

Nunca fui um fanático. Nunca briguei pelo meu time. Mas sinto um orgulho enorme com cada façanha. E sinto uma mágoa gigantesca em cada fracasso. Chorei pelo quase rebaixamento, quando o Inter foi salvo por um cabeceio do Dunga, contra o Palmeiras se não me engano. Senti raiva em 2005, no jogo roubado contra o Corinthians, em que o árbitro, além de não marcar o pênalti (pênalti claro, por sinal) favorável ao Inter, ainda expulsou o Tinga por simulação. Me emocionei na final da Libertadores contra o São Paulo em 2006, principalmente ao ouvir o grande Pedro Ernesto Denardin ("O Internacional rasga a camisa do São Paulo, pisa nela"). E senti o orgulho de ver meu clube ganhar o mundo (dessa vez nos gramados) contra um time considerado infinitamente superior.

Nessa semana que passou, o Inter venceu o São Paulo em mais uma semifinal de Libertadores. Enquanto termino esse post, o Inter empata o Grenal no Beira-Rio, com time misto. Ao fundo da narração do Pedro Ernesto, ouço o canto da torcida "minha camisa vermelha e a cachaça na mão, o gigante me espera para começar a festa". Nada supera essa energia. Nada pode ser mais emocionante do que essa paixão. E não falo isso por ser colorado. Acredito que esse sentimento pertence à todos aqueles apaixonados por seus clubes. Não importa o estádio, o estado ou as cores da bandeira defendida, a beleza do futebol que realmente encanta é aquela fora das quatro linhas. Aquela que dispensa brigas e discussões. A beleza vem do canto da torcida, da paixão pelo esporte. Não importa que o time não seja o melhor, que não ganhe a Libertadores ou mesmo o clássico contra seu maior rival. A paixão supera tudo isso. Essa é a magia do futebol. E um dia, talvez, os fanáticos entendam que amar um clube não é atear fogo em banheiros químicos, promover pancadaria ou discutir. É apenas amar, algo que não exige ação ou explicação.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Ah, inveja...

Como sabem os leitores deste blog, voltei para o jornal. Aliás, sexta sai a próxima edição, mas isso não vem ao caso. A história que quero contar é outra. Hoje, pouco após o meio-dia, lá no jornal, meu chefe ouvia a rádio Gaúcha. Os locutores faziam uma singela homenagem a Pedro Ernesto. O motivo? Sua narração do golaço do Nilmar no último domingo contra o Corinthians - gol esse que vem sendo repercutido e comentado por muitos - foi transmitida no Jornal Nacional ontem à noite. Uma homenagem mais do que merecida. A narração deste gol foi realmente emocionante. Minutos depois, meu chefe sintonizou na rádio Guaíba, uma concorrente da Gaúcha. O comentário dos locutores não poderia ser outro: falavam sobre a narração da rádio rival ter sido veiculada, ao vivo, no JN. Pior, falaram que a melhor narração daquele gol havia sido de seu locutor, cujo nome não recordo no momento. Para comparar, colocaram a narração do radialista da Guaíba no ar. Não vou negar que realmente era muito boa, mas é besteira fazer comparação. Ah, inveja! A bronca toda era assistir a rádio rival no jornal de maior audiência do país. Aliás, uma transmissão mais do que merecida. Pedro Ernesto é, na minha opinião, o melhor locutor de futebol do rádio brasileiro. Inveja é normal, principalmente por parte da concorrência. Enquanto isso, apenas me inspiro, procurando talvez seguir seus passos. Quem sabe um dia também cause inveja e possa ouvir uma narração minha no horário nobre da televisão brasileira. Sigo sonhando...

terça-feira, 5 de maio de 2009

Quero entrevistar o Álvaro

Alguém costuma prestar atenção nas entrevistas concedidas pelos jogadores de futebol após os jogos? Normalmente são ridículas né. Perguntas óbvias, respostas mais óbvias ainda, jogadores que seguem apenas um manual limitadíssimo de entrevistas com respostas pré-ensaiadas, evasivas. Muitas vezes chega a ser irritante assistir uma dessas entrevistas pela televisão. Mas no último jogo que assisti do meu time do coração, Internacional, o zagueiro colorado Álvaro deu uma entrevista que me espantou. Recobrei as esperanças de que é possível fazer uma entrevista de qualidade nesse meio. Para quem já o assistiu fora dos campos driblando os repórteres, é incrível pensar que um jogador de futebol consiga ter tanta desenvoltura diante de um microfone. Sim, eu quero entrevistar o Álvaro. E quero entrevistar outros tão inteligentes quanto ele. Sinceramente, já chega dessa balela de "jogador de futebol é tudo burro". Na verdade, deveriam ser os primeiros a estudar, aprender, afinal, são perseguidos pela mídia todos os dias. O mínimo que deveriam demonstrar é conhecimento suficiente para dar uma entrevista de qualidade sem esses clichês. É entediante assistir uma figura que muitas vezes é ídolo em campo e não consegue nem desenvolver um raciocínio sem cair no lugar-comum. Estou sendo muito duro? Sonhador? Idealista? Talvez. Mas seria fantástico assistir outras entrevistas como a do Álvaro.

Jovem Foca