A vida no Brasil não era nada fácil. Nas poucas cidades, gente estranha circulando. A escravidão ainda era uma prática comum e significava status. Os índios eram vistos como animais a serem domesticados e a situação do fraco comércio, bem, era fraca mesmo. O ano era 1808, e viver na colônia não era nada empolgante. Mas toda a chatice e monotonia da vida no país estava prestes a acabar.
A família real chegava ao Brasil. Sim, ao Brasil, a colônia devastada e empobrecida, de onde Portugal tirava uma boa parte de suas riquezas. Um país (que ainda não podia ser chamado de país) esquecido pelos colonizadores, mas reconhecido como o único lugar seguro para onde a família real poderia fugir do pequeno Bonaparte, um governante com complexo de inferioridade que tentava compensar sua falta de estatura conquistando outros países.
E é nesse contexto político que surgiu a imprensa no Brasil. Tá, não foi tão simples assim. Naquela época, não bastava apenas ter a ideia e colocá-la em prática. Ela devia passar pela aprovação do império. Foi quando um gaúcho chamado Hipólito José da Costa teve uma ideia. Ele queria fazer um periódico para falar sobre a vida na sociedade, informar aos pouquíssimos cidadãos alfabetizados aquilo que acontecia na colônia e em Portugal. Mas o império sabia que o Hipólito era meio rebelde. O cara não acatava tudo o que o governo dizia. Ao contrário, era questionador, meio encrenqueiro, quase um fanfarrão.
Pois o governo barrou as ideias dele E não só isso: instituiu que nenhum veículo de comunicação poderia ser criado no país, a não ser que pertencesse ao próprio governo. O Hipólito não se conformou. Esbravejou, xingou as mães de metade do império. Mas a decisão estava tomada. Então, como era um inconformado por natureza, gaúcho puro-sangue, resolveu que não queria mais saber do Brasil. Foi pra Inglaterra, terra civilizada, povo educado, primeiro mundo. Mas não passava de uma tática para enganar o governo. Ele não queria apenas morar em outro país. Tudo o que precisava era de um lugar em que pudesse escrever sobre o Brasil, imprimir seus textos e enviá-los ao país.
Assim nasceu, em 1º de junho de 1808, o Correio Braziliense, primeiro jornal brasileiro. O folhetim tinha o tamanho de um livro, falava sobre temas diversos como cultura, política, economia, trazia críticas e notícias. Demorava algumas semanas (cerca de dois ou três meses) para chegar ao Brasil, afinal, o Sedex ainda não havia sido inventado. O único inconveniente da publicação é que ela não era autorizada. É lógico que o primeiro jornal brasileiro só podia ser pirata. Além disso, pouca gente lia, porque pouca gente sabia ler.
Mas se o governo já via o Hipólito José com maus olhos antes da criação do Correio, imagina só o clima quando souberam da existência do jornal. Para não ficar pra trás, o governo resolveu agir imediatamente. Reuniu uma equipe competente (ou quase isso) e criou um outro jornal, esse dentro da legalidade, com apoio do governo, com puxa-saquismo e tudo o mais que se tem direito. Nasceu então, no dia 10 de setembro de 1808, a Gazeta do Rio de Janeiro, o primeiro folhetim oficial do Brasil. As notícias eram chatas, notas sobre eventos da alta sociedade, textos exaltando o império, esses jogos de interesse que vemos até hoje em determinados periódicos. Mas, ao menos, percebia-se o primeiro interesse real do governo por algo que trazia informação à população.
É por isso que 10 de setembro é considerado o dia da imprensa, embora muitos (muitos mesmo) autores discordem da data. O Hipólito José continuou publicando o Correio por um longo tempo (até 1823), mesmo correndo o risco da censura e sabendo que teria concorrência. Alguns especuladores diziam que toda essa história de discórdia entre o gaúcho e o império não passava de joguinho de cena. Que, na verdade, eles tinham um acordo, e que só por isso os impressos de Hipólito José da Costa passavam pelas fronteiras brasileiras. Infelizmente, ele não viveu tempo suficiente para contar sua versão da história.
Mostrando postagens com marcador Imprensa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Imprensa. Mostrar todas as postagens
domingo, 12 de setembro de 2010
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Relembrando 1808
Por muito tempo, mais especificamente até 1999, o dia da imprensa foi comemorado em 10 de setembro. Isso porque foi nesta data, no ano de 1808, que circulou, pela primeira vez, a Gazeta do Rio de Janeiro, considerada durante um longo período como o primeiro jornal brasileiro. A Gazeta era um periódico da corte e antes de seu lançamento era extremamente proibida a circulação e a impressão de qualquer livro ou jornal no país. Entretanto, houve um predecessor que circulava clandestinamente. O Jornal chamava-se Correio Braziliense, criado pelo gaúcho Hipólito José da Costa e impresso na Inglaterra. Diferente dos conhecidos jornais de nossos tempos, os impressos de Hipólito mais assemelhavam-se a livros. A primeira edição do jornal clandestino data de 1º de junho de 1808, três meses antes da criação da Gazeta. Mas foi apenas em 1999, com a contestação de historiadores - que defendiam o Correio como o marco do jornalismo no país - que a data mudou para 1º de junho.
Há ainda muitas especulações, teorias (conspiratórias ou não), incertezas. Alguns acreditam que Hipólito da Costa, apesar de defender ideais libertários em eu periódico, encontrava-se com a monarquia, servia-se do dinheiro dos poderosos que tanto criticava e, talvez, até mantivesse pactos com aqueles que, antes, proibiam a publicação de tais influências contra o regime monárquico. Para saber se é verdade basta procurar, há registros históricos que detalham esses "boatos". Críticos afirmam que o Correio, mesmo sendo (em teoria) contra o governo, não passava de um periódico vendido a ele. Se é verdade, eu não sei. Infelizmente ainda não consegui estudar o assunto com tal profundidade. Mas será que o fato tira o brilhantismo dessa data? Afinal, como comunicadores, ou estudantes da área, deveríamos nos orgulhar ao invés de procurarmos razões ou teorias incertas sobre um jornal que dava a luz a novos ideais (liberté, égalité, fraternité), um periódico estatal que não trazia nada de interesse público ou sobre supostos sinais do primeiro caso de corrupção entre a imprensa e o governo brasileiro.
Há ainda muitas especulações, teorias (conspiratórias ou não), incertezas. Alguns acreditam que Hipólito da Costa, apesar de defender ideais libertários em eu periódico, encontrava-se com a monarquia, servia-se do dinheiro dos poderosos que tanto criticava e, talvez, até mantivesse pactos com aqueles que, antes, proibiam a publicação de tais influências contra o regime monárquico. Para saber se é verdade basta procurar, há registros históricos que detalham esses "boatos". Críticos afirmam que o Correio, mesmo sendo (em teoria) contra o governo, não passava de um periódico vendido a ele. Se é verdade, eu não sei. Infelizmente ainda não consegui estudar o assunto com tal profundidade. Mas será que o fato tira o brilhantismo dessa data? Afinal, como comunicadores, ou estudantes da área, deveríamos nos orgulhar ao invés de procurarmos razões ou teorias incertas sobre um jornal que dava a luz a novos ideais (liberté, égalité, fraternité), um periódico estatal que não trazia nada de interesse público ou sobre supostos sinais do primeiro caso de corrupção entre a imprensa e o governo brasileiro.
Marcadores:
Comunicação,
Imprensa,
Jornalismo,
Política
Assinar:
Postagens (Atom)