Quando me falaram esta noite (após a meia noite, logicamente), no msn, que hoje é dia do sexo, eu tive que dar risada. Tinha acabado de publicar uma crônica aqui no blog quando a amiga Manoela Carvalho pediu: "faz um post sobre o dia do sexo." E aqui estou eu para escrever sobre o tema. Já escrevi, há algumas semanas, algo sobre datas sem sentido. E esse post segue a mesma linha. A verdade é que não vejo razão em criar uma data desse tipo.
Dia do sexo é todo dia, desde que se sinta vontade. Não é preciso criar uma data para se vender mais camisinhas. Dia do sexo pode ser depois do trabalho, ao se chegar em casa, cansado. Pode ser pela manhã, antes de sair. No intervalo do almoço, aquela escapadinha. Pode ser a qualquer hora, em qualquer dia, todos os dias. Criar uma data para isso é desnecessário.
E se você não comemorou o dia do sexo esse ano ainda, se você está empolgado(a) hoje com a expectativa de sair dessa seca braba, é porque as coisas vão mal. Sinto informar que, dia do sexo não é dia de sair da seca. Dia do sexo não é Natal, que você passa esperando um ano inteiro pra receber o presente. Se você, rapaz, tem namorada e não tem "comparecido", tá na hora de criar vergonha na cara. Se você, guria, tem namorado e fica só se fazendo, inventando dores de cabeça e outras desculpas esfarrapadas, hoje é o dia de parar com essa bobajada. Pra quem é solteiro(a), o céu é o limite. Dia do sexo não faz sentido, mas é uma boa oportunidade pra colocarem tudo em dia.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
O que vou passar aos meus filhos
Dia desses, conversando com a amiga e colega Vanessa Britto, surgiu o papo sobre "o que passar aos nossos filhos." A Vanessa, espirituosa do jeito que é, disse que seus filhos estarão liberados dos deveres de casa, desde que leiam todos os livros do Harry Potter. Confesso que não consigo pensar em nenhum livro em especial para deixar aos meus filhos. É claro que eles lerão Machado de Assis, de quem sou fã incondicional. Ou melhor, vão dormir ouvindo suas histórias. Se isso não despertar o interesse das crianças, não posso fazer nada, mas ao menos terão o estímulo inicial para despertarem para a leitura.
Mas a herança que meus filhos realmente ganharão de mim é multimídia. São músicas de todos os estilos. Músicas de qualidade. Vão ouvir Charlie Parker, John Coltrane, Miles Davis. Vão ganhar CDs (que provavelmente já estarão em desuso) de grandes nomes do Pop, do Rock, do Samba. Vão conhecer ritmos latinos e música erudita, ainda crianças. E se ainda assim quiserem ouvir Funk ou bandas coloridas, não os proibirei, pois pelo menos terei tentado despertar o gosto pelo que é belo.
Quero guardar DVDs de The Big Bang Theory e de Two and a Half Man para que eles entendam o que é um seriado de humor. Quero que assistam House, Lie to Me e Lost, para entenderem como seriados tão diferentes podem ser igualmente geniais. É provável que seriados melhores surjam até lá. Mas, ainda assim, quero que vejam aquilo que eu julguei genial muito antes de pensar em ter filhos. E mesmo que eles discordem de mim e prefiram algo bem diferente, ainda assim vou ter a certeza de que, ao menos, tentei transmitir a eles aquilo que eu assisti de melhor.
Sobretudo, não espero que eles se apaixonem pelo jornalismo, por animação, por jogos idiotas, por música instrumental. Não espero que eles gostem de fotografar, editar áudio e vídeo. É claro que ficaria bem feliz se eles tivessem interesse por alguma dessas coisas. Mas não é isso que importa. Só espero que eles aprendam a julgar por si mesmos o que tem ou não qualidade, o que é bom ou ruim. Se vão seguir os passos do pai e encarar o louco mundo do jornalismo, isso é papo para outra crônica. Daqui uns vinte anos a gente conversa.
Mas a herança que meus filhos realmente ganharão de mim é multimídia. São músicas de todos os estilos. Músicas de qualidade. Vão ouvir Charlie Parker, John Coltrane, Miles Davis. Vão ganhar CDs (que provavelmente já estarão em desuso) de grandes nomes do Pop, do Rock, do Samba. Vão conhecer ritmos latinos e música erudita, ainda crianças. E se ainda assim quiserem ouvir Funk ou bandas coloridas, não os proibirei, pois pelo menos terei tentado despertar o gosto pelo que é belo.
Quero guardar DVDs de The Big Bang Theory e de Two and a Half Man para que eles entendam o que é um seriado de humor. Quero que assistam House, Lie to Me e Lost, para entenderem como seriados tão diferentes podem ser igualmente geniais. É provável que seriados melhores surjam até lá. Mas, ainda assim, quero que vejam aquilo que eu julguei genial muito antes de pensar em ter filhos. E mesmo que eles discordem de mim e prefiram algo bem diferente, ainda assim vou ter a certeza de que, ao menos, tentei transmitir a eles aquilo que eu assisti de melhor.
Sobretudo, não espero que eles se apaixonem pelo jornalismo, por animação, por jogos idiotas, por música instrumental. Não espero que eles gostem de fotografar, editar áudio e vídeo. É claro que ficaria bem feliz se eles tivessem interesse por alguma dessas coisas. Mas não é isso que importa. Só espero que eles aprendam a julgar por si mesmos o que tem ou não qualidade, o que é bom ou ruim. Se vão seguir os passos do pai e encarar o louco mundo do jornalismo, isso é papo para outra crônica. Daqui uns vinte anos a gente conversa.
sábado, 4 de setembro de 2010
Os luxos da terceira idade
Todos os idosos merecem alguns luxos. Depois de tantos anos aguentando as chatices da vida, nada mais justo do que um idoso ganhar o direito de ser mal-humorado. Ele merece o poder de colocar a culpa de tudo nos outros, afinal, ele passou tempo demais levando a culpa só para si. Merece contar a mesma história inúmeras vezes, com o mesmo entusiasmo da primeira vez. Ganha o direito de se emocionar facilmente, chorar com um simples "parabéns" no seu aniversário. Sim, ser idoso confere merecidos direitos àqueles que passaram por tantas coisas para nos dar uma vida melhor.
Isso tudo (dentre muitas outras coisas) deveria estar estampado no Estatuto do Idoso. Talvez, evitasse reclamações de filhos e netos que não compreendem essa necessidade da terceira idade. Essa juventude que gosta de dizer apenas que seus pais e/ou avós estão "caducando". Não entendem a beleza da melhor idade. Para muitos desses jovens, o mais fácil mesmo é jogar seus "velhos" em asilos (ou casas geriátricas, se quisermos ser politicamente corretos). A justificativa é sempre a mesma: "é para o seu bem. Lá, vão cuidar de você e te dar a atenção que você merece." E com um aperto no peito, com o sentimento de rejeição ardendo, os senhores e senhoras que educaram e deram de tudo aos seus filhos, partem. Sentem-se um estorvo. Pensam que estão atrapalhando sua prole. Perdem o único direito que realmente tem valor: o de estar perto de sua família.
Não sei quem formulou o Estatuto do Idoso, mas ele deixou pontos importantes de fora. Se eu pudesse, acrescentaria alguns tópicos. Um deles é que todo o idoso tem o dever de se divertir. Sim, dever. Ele deveria ir a centros com atividades esportivas, festas, viagens, tudo pago pelo governo. Ele deveria receber o direito básico de sentir-se jovem em espírito. Sexo não deveria ser um tabu, e a conscientização para exames regulares deveria ser melhor difundida.
Não escrevo esse texto pensando em um idoso em especial. Na verdade, minha inspiração veio do convívio com meus avós, mas é genérico. A única defesa que faço é ao direito deles ficarem mal-humorados, contarem suas histórias repetidas vezes, rirem, chorarem, ou simplesmente estarem próximos à sua família. Faço isso em respeito aos meus avós, na esperança de que, algum dia, meus netos façam isso por mim.
Isso tudo (dentre muitas outras coisas) deveria estar estampado no Estatuto do Idoso. Talvez, evitasse reclamações de filhos e netos que não compreendem essa necessidade da terceira idade. Essa juventude que gosta de dizer apenas que seus pais e/ou avós estão "caducando". Não entendem a beleza da melhor idade. Para muitos desses jovens, o mais fácil mesmo é jogar seus "velhos" em asilos (ou casas geriátricas, se quisermos ser politicamente corretos). A justificativa é sempre a mesma: "é para o seu bem. Lá, vão cuidar de você e te dar a atenção que você merece." E com um aperto no peito, com o sentimento de rejeição ardendo, os senhores e senhoras que educaram e deram de tudo aos seus filhos, partem. Sentem-se um estorvo. Pensam que estão atrapalhando sua prole. Perdem o único direito que realmente tem valor: o de estar perto de sua família.
Não sei quem formulou o Estatuto do Idoso, mas ele deixou pontos importantes de fora. Se eu pudesse, acrescentaria alguns tópicos. Um deles é que todo o idoso tem o dever de se divertir. Sim, dever. Ele deveria ir a centros com atividades esportivas, festas, viagens, tudo pago pelo governo. Ele deveria receber o direito básico de sentir-se jovem em espírito. Sexo não deveria ser um tabu, e a conscientização para exames regulares deveria ser melhor difundida.
Não escrevo esse texto pensando em um idoso em especial. Na verdade, minha inspiração veio do convívio com meus avós, mas é genérico. A única defesa que faço é ao direito deles ficarem mal-humorados, contarem suas histórias repetidas vezes, rirem, chorarem, ou simplesmente estarem próximos à sua família. Faço isso em respeito aos meus avós, na esperança de que, algum dia, meus netos façam isso por mim.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Um olhar sobre a realidade
Toda vez que saio à rua, procuro por algo diferente. Deve ser o vício da universidade, aquela velha história sobre o "olhar jornalístico" e a busca pelo inusitado. Mas nos últimos tempos, essa busca deixou de ser por pautas. Tudo o que vejo de estranho me inspira uma crônica. E foi em uma dessas observações que presenciei o seguinte fato.
Era início de tarde. Indo para a Unisc, passei por uma obra, que já faz parte da minha rotina. Uma obra que, normalmente, não me chama a atenção. Mas nesse dia, passei pela construção e resolvi observar aqueles que ali trabalhavam. Foi quando um senhor despertou meu interesse. De pé, ao lado da obra, aparentava já ter passado da faixa dos 70. De óculos, calça e camisa sujas, ficou por alguns segundos parado, observando os demais trabalhadores.
Por instantes, pensei que fosse apenas outro curioso, assim como eu, que estivesse a observar aqueles que ali trabalhavam. Quando o interesse já havia passado e meu rosto se voltava para frente, aquele mesmo senhor abaixou-se para pegar uma pá e se pôs a encher um carrinho de mão com brita. Aquele idoso, com aparência frágil, roupa suja, olhos cansados, estava carregando peso, enchendo um carrinho de mão, trabalhando duro naquela construção. E hoje, enquanto vinha novamente para a Unisc, vi outra vez aquele senhor. Camisa xadrez, aquele mesmo óculos e um boné para proteger a cabeça da leve brisa que caia. O observei por alguns segundos, carregando outra carga de brita para dentro do prédio em construção.
Não sei por quê, mas aqueles breves segundos me marcaram. Talvez, ver aquele senhor ali, trabalhando, tenha me lembrado meu avô, que ainda trabalha. Fico pensando, será que daqui uns dez anos, quando meu avô também tiver na casa dos 70, ele vai estar naquela situação, trabalhando, levantando peso? E meus pais? Será que meu pai estará trabalhando aos 70, ou minha mãe? Não consigo aceitar que a terceira idade perca aquela aura, aquela magia que eu via na infância, quando pensava que meus bisavós eram as pessoas mais felizes do mundo, pois finalmente podiam aproveitar a vida, sem preocupações com trabalho, cuidar de crianças, dinheiro. É frustrante pensar que, talvez, meus pais não tenham esses anos de descanso. Que eles trabalharão até o fim da vida. Que eu não poderei proporcionar o conforto que merecem. Pode ser uma preocupação boba e sem sentido, eu sei. Mas aquele breve instante me fez pensar.
Era início de tarde. Indo para a Unisc, passei por uma obra, que já faz parte da minha rotina. Uma obra que, normalmente, não me chama a atenção. Mas nesse dia, passei pela construção e resolvi observar aqueles que ali trabalhavam. Foi quando um senhor despertou meu interesse. De pé, ao lado da obra, aparentava já ter passado da faixa dos 70. De óculos, calça e camisa sujas, ficou por alguns segundos parado, observando os demais trabalhadores.
Por instantes, pensei que fosse apenas outro curioso, assim como eu, que estivesse a observar aqueles que ali trabalhavam. Quando o interesse já havia passado e meu rosto se voltava para frente, aquele mesmo senhor abaixou-se para pegar uma pá e se pôs a encher um carrinho de mão com brita. Aquele idoso, com aparência frágil, roupa suja, olhos cansados, estava carregando peso, enchendo um carrinho de mão, trabalhando duro naquela construção. E hoje, enquanto vinha novamente para a Unisc, vi outra vez aquele senhor. Camisa xadrez, aquele mesmo óculos e um boné para proteger a cabeça da leve brisa que caia. O observei por alguns segundos, carregando outra carga de brita para dentro do prédio em construção.
Não sei por quê, mas aqueles breves segundos me marcaram. Talvez, ver aquele senhor ali, trabalhando, tenha me lembrado meu avô, que ainda trabalha. Fico pensando, será que daqui uns dez anos, quando meu avô também tiver na casa dos 70, ele vai estar naquela situação, trabalhando, levantando peso? E meus pais? Será que meu pai estará trabalhando aos 70, ou minha mãe? Não consigo aceitar que a terceira idade perca aquela aura, aquela magia que eu via na infância, quando pensava que meus bisavós eram as pessoas mais felizes do mundo, pois finalmente podiam aproveitar a vida, sem preocupações com trabalho, cuidar de crianças, dinheiro. É frustrante pensar que, talvez, meus pais não tenham esses anos de descanso. Que eles trabalharão até o fim da vida. Que eu não poderei proporcionar o conforto que merecem. Pode ser uma preocupação boba e sem sentido, eu sei. Mas aquele breve instante me fez pensar.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
À sombra do próprio egoísmo
Quando criança, em minhas aulas de história, sempre ficava imaginando como seria a vida das pessoas sem luz, sem água encanada, sem televisão. Não conseguia acreditar que uma civilização inteira havia evoluído tomando banho em rios (ou nem tomando) e iluminados apenas pelo fogo. Nada de lâmpadas, tomadas ou protocolos chatos e inexplicáveis quando se reclama a falta de luz. Aliás, solicitar à prestadora desse serviço que venha fazer esse "favor" ao cidadão, e normalizar o fornecimento de energia é o inconveniente mais absurdo dessa tal "modernidade".
Há pouco mais de uma hora, as luzes apagaram-se aqui em casa. O rádio, ligado, parou de se pronunciar repentinamente. E o pior, tudo começou quando o sol já estava dando seu adeus. É claro que, durante a tarde ensolarada, a energia elétrica nunca nos abandona. "Nunca" é exagero, eu sei. Mas todos que estão aqui, lendo esse relato nesse momento, conhecem muito bem a frustração causada pelo escuro. Não por ser escuro, mas pela sensação de limitação e fragilidade que a falta de energia elétrica nos causa. A verdade é que no sentimos acuados, pois não temos o controle.
Mas o que realmente frustra é a má qualidade do serviço. Ficar três ou quatro minutos no telefone, ouvindo uma música chata, esperando por uma atendente que não demonstra o menor entusiasmo ou simpatia e ainda exige que sigamos um protocolo chato (e tudo isso no escuro, é claro), desmotiva. E saber que a estimativa de tempo até o reestabelecimento da luz é de DUAS HORAS, desmotiva ainda mais. Frustra pensar que a tarifa da luz é tão alta e que, mesmo assim, quando precisamos que alguém resolva o problema, a solução vem sobre uma tartaruga.
Ninguém precisa me falar sobre os riscos que os técnicos correm sobre um poste, e o quanto esse trabalho deve ser cuidadoso. Mas eu preciso desse desabafo indignado e que não leva o outro lado em conta, assim como todos os seres humanos. Ao menos nesse momento, preciso ser arrogante o suficiente para pensar no quanto a demora desse serviço prejudica a minha vida. A minha esperança é que o prazo de duas horas seja cumprido. E espero que o fornecimento de água não dê problemas também. Preocupações que não tinha quando criança. Pequenos detalhes que inexistiam naquela aula de história.
Há pouco mais de uma hora, as luzes apagaram-se aqui em casa. O rádio, ligado, parou de se pronunciar repentinamente. E o pior, tudo começou quando o sol já estava dando seu adeus. É claro que, durante a tarde ensolarada, a energia elétrica nunca nos abandona. "Nunca" é exagero, eu sei. Mas todos que estão aqui, lendo esse relato nesse momento, conhecem muito bem a frustração causada pelo escuro. Não por ser escuro, mas pela sensação de limitação e fragilidade que a falta de energia elétrica nos causa. A verdade é que no sentimos acuados, pois não temos o controle.
Mas o que realmente frustra é a má qualidade do serviço. Ficar três ou quatro minutos no telefone, ouvindo uma música chata, esperando por uma atendente que não demonstra o menor entusiasmo ou simpatia e ainda exige que sigamos um protocolo chato (e tudo isso no escuro, é claro), desmotiva. E saber que a estimativa de tempo até o reestabelecimento da luz é de DUAS HORAS, desmotiva ainda mais. Frustra pensar que a tarifa da luz é tão alta e que, mesmo assim, quando precisamos que alguém resolva o problema, a solução vem sobre uma tartaruga.
Ninguém precisa me falar sobre os riscos que os técnicos correm sobre um poste, e o quanto esse trabalho deve ser cuidadoso. Mas eu preciso desse desabafo indignado e que não leva o outro lado em conta, assim como todos os seres humanos. Ao menos nesse momento, preciso ser arrogante o suficiente para pensar no quanto a demora desse serviço prejudica a minha vida. A minha esperança é que o prazo de duas horas seja cumprido. E espero que o fornecimento de água não dê problemas também. Preocupações que não tinha quando criança. Pequenos detalhes que inexistiam naquela aula de história.
Marcadores:
Desabafo,
Fornecimento,
História,
Infância,
Luz
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Heranças do musaranho
O pequeno musaranho era meio inconformado. Tá, não era bem o musaranho que existe hoje, mas uma espécie de avô, milhões de anos mais velho. Enfim. Esse pequeno ancestral do musaranho era um inconformado. Não era bem visto pelos companheiros. Para eles estava tudo bem. Viviam em comunidade, alimentavam-se o suficiente para sua sobrevivência. E só. Nada de questionar as desigualdades na distribuição de alimento, nem estabelecer regras de convívio social. Ninguém abria a boca para falar nada. Até porque, nenhum deles sabia falar, ainda. E vem daí a importância do pequeno musaranho inconformado.
Começou quando esse vovô questionador resolveu se perguntar: por que nós não subimos em árvores? Só o solo não era o bastante. Mas é claro que, para todos os outros, o musaranho em questão era apenas um lunático. Afinal, onde já se viu um musaranho subindo em árvores? Mas é claro que ele não desistiu. Decidiu que esse seria seu objetivo de vida. Passou todas as horas possíveis, durante intermináveis dias tentando escalar árvores. Mas o tempo passava, e o pobre musaranho perdia as forças. Seus filhos tomaram então essa responsabilidade. Aquela família começou a ser excluída, mas não davam bola. Queriam realizar o sonho do patriarca, agora falecido. E foi de geração em geração que o sonho perpetuou, até o dia em que um filho nasceu diferente. Sua pequena pata não era inteira, mas dividida, com algo semelhante ao que chamamos hoje de "polegar".
Sim, o primeiro passo para a evolução. O musaranho conseguiu subir em árvores. Mas, e agora, qual seria seu objetivo de vida? A razão de existência daquela família era apenas realizar o sonho maluco de seu avô. Mas agora, nada mais fazia sentido. Então, alguns resolveram acomodar-se, já que dominar o solo e os galhos das árvores já era o suficiente. Mas outros poucos seguiram aquele mesmo espírito inquieto do vovô musaranho, e perceberam que poderiam ir muito mais longe. Ensaiaram então os primeiros passos sobre duas patas.
Com as patas dianteiras livres, e principalmente, com polegares nas patas dianteiras, começaram a construir instrumentos rudimentares, usados para conseguir alimento. Os musaranhos, agora, já não se pareciam em nada com aquele pequeno ratinho de 10 centímetros do início da história. Cresceram, adquiriram habilidades, criaram polegares, tornaram-se bípedes e seu cérebro estava em plena evolução. A mudança de postura (e alguns outros fatores explicados cientificamente) contribuíram para que a laringe se dilatasse. A boca agora estava livre, já que não era mas usada para carregar o alimento. Estava pronta para adquirir outras funções. O hemisfério esquerdo do cérebro estava cada vez mais independente do hemisfério direito.
Assim, a parte do cérebro responsável por nossa capacidade de comunicação estava cada vez mais desenvolvida. A laringe configurava-se como uma concha acústica que abrigava aquilo que hoje chamamos de cordas vocais. E a necessidade de comunicação crescia tanto quanto a capacidade do ser humano de se comunicar. As primeiras palavras foram esboçadas. Os primeiros idiomas tomaram cor. E assim começou a história da comunicação. Tudo porque, certa vez, um pequeno bichinho decidiu subir em uma árvore.
Esse post foi inspirado na aula de Tecnologias da Mídia do dia 19 de agosto. A cadeira é ministrada pelo professor Leonel Ayres, na Universidade de Santa Cruz do Sul.
Começou quando esse vovô questionador resolveu se perguntar: por que nós não subimos em árvores? Só o solo não era o bastante. Mas é claro que, para todos os outros, o musaranho em questão era apenas um lunático. Afinal, onde já se viu um musaranho subindo em árvores? Mas é claro que ele não desistiu. Decidiu que esse seria seu objetivo de vida. Passou todas as horas possíveis, durante intermináveis dias tentando escalar árvores. Mas o tempo passava, e o pobre musaranho perdia as forças. Seus filhos tomaram então essa responsabilidade. Aquela família começou a ser excluída, mas não davam bola. Queriam realizar o sonho do patriarca, agora falecido. E foi de geração em geração que o sonho perpetuou, até o dia em que um filho nasceu diferente. Sua pequena pata não era inteira, mas dividida, com algo semelhante ao que chamamos hoje de "polegar".
Sim, o primeiro passo para a evolução. O musaranho conseguiu subir em árvores. Mas, e agora, qual seria seu objetivo de vida? A razão de existência daquela família era apenas realizar o sonho maluco de seu avô. Mas agora, nada mais fazia sentido. Então, alguns resolveram acomodar-se, já que dominar o solo e os galhos das árvores já era o suficiente. Mas outros poucos seguiram aquele mesmo espírito inquieto do vovô musaranho, e perceberam que poderiam ir muito mais longe. Ensaiaram então os primeiros passos sobre duas patas.
Com as patas dianteiras livres, e principalmente, com polegares nas patas dianteiras, começaram a construir instrumentos rudimentares, usados para conseguir alimento. Os musaranhos, agora, já não se pareciam em nada com aquele pequeno ratinho de 10 centímetros do início da história. Cresceram, adquiriram habilidades, criaram polegares, tornaram-se bípedes e seu cérebro estava em plena evolução. A mudança de postura (e alguns outros fatores explicados cientificamente) contribuíram para que a laringe se dilatasse. A boca agora estava livre, já que não era mas usada para carregar o alimento. Estava pronta para adquirir outras funções. O hemisfério esquerdo do cérebro estava cada vez mais independente do hemisfério direito.
Assim, a parte do cérebro responsável por nossa capacidade de comunicação estava cada vez mais desenvolvida. A laringe configurava-se como uma concha acústica que abrigava aquilo que hoje chamamos de cordas vocais. E a necessidade de comunicação crescia tanto quanto a capacidade do ser humano de se comunicar. As primeiras palavras foram esboçadas. Os primeiros idiomas tomaram cor. E assim começou a história da comunicação. Tudo porque, certa vez, um pequeno bichinho decidiu subir em uma árvore.
Esse post foi inspirado na aula de Tecnologias da Mídia do dia 19 de agosto. A cadeira é ministrada pelo professor Leonel Ayres, na Universidade de Santa Cruz do Sul.
Marcadores:
Ciência,
Comunicação,
Curiosidades,
Evolução,
Fala,
Musaranho
terça-feira, 17 de agosto de 2010
O que um homem não suporta em um relacionamento
Antes de ler o restante do texto, você deve concordar com os Termos de leitura:
1 - Tenho consciência de que este é um post extremamente machista e não manifestarei qualquer opinião contrária à do autor.
2 - Prometo deixar um comentário caso considere o texto digno de tal feito.
3 - Concordo com os Termos de leitura e aceito ler a crônica sem jamais processar o autor do blog por qualquer possível ofensa quanto à minha sexualidade, posição política ou religião.
Dia desses twittei que estava pensando em um tema para uma nova crônica, aqui mesmo para o blog. Foi quando uma amiga de longa data sugeriu (também via twitter) que escrevesse sobre a arte dos relacionamentos. Confesso que não sou a pessoa mais indicada para escrever sobre isso. Na verdade, não acredito em amores eternos nem em paixão à primeira vista. Não mais.
Mas posso escrever sobre atitudes femininas insuportáveis. E acreditem, muitas de suas atitudes são insuportáveis. Afinal, colocar a culpa de seu mau humor (diariamente) na TPM, fazer cenas de ciúmes pelo simples fato de uma colega simpática (e gostosa) cumprimentar ou mandar escolher entre o namoro e o futebol com os amigos, não podem ser consideradas atitudes maduras. Ok, a colega simpática não precisaria usar uma roupa tão curta, nem ser tão simpática. E o futebol com os amigos não precisaria sempre terminar em um bar, cercado por amigos, mas principalmente, por amigas.
Mas, mulheres da minha vida, isso não lhes garante o direito de serem tão mau humoradas! Entendemos que uma vez por mês vocês sintam ódio do mundo. Se eu sangrasse mensalmente, também ficaria muito irritado. Se tivesse que manter as axilas, as pernas e (em muitos casos) a genitália depiladas, também odiaria o mundo. Se tivesse que sentir dores por nove meses, carregando um bebê que me dará dor de cabeça pelo resto da vida, sentiria raiva de todo ser vivo. Mas agora parem e pensem: com tantas coisas na cabeça, problemas, depilação, sangramentos, por que diabos insistem em implicar com a pobre da colega gostosa, digo, simpática?
Homem algum suporta o ciúme doentio da namorada (esposa, peguete, namorida, tanto faz). Não sou eu quem diz isso, mas todos os homens que represento nesse momento. Um homem quer apenas ficar em paz, não discutir relação. Quer jogar futebol e sair pra beber com os amigos, não ficar enfornado dentro de casa assistindo Titanic. E acredite, se ele ficar em casa por obrigação, não vai querer assistir filme algum. Vai, no máximo, querer assistir algum canal de esportes. Ou transar. E tenha certeza, o humor dele estará péssimo. Então, não inventem de fazer cena de carente. Não comecem a reclamar do canal de esportes ou da falta de atenção, sob pena de terminarem a noite sozinhas, chorando em seus lençóis. E o mais importante: nunca, mas nunca mesmo, comecem uma discussão com o namorado por causa de um simples "oi" daquela amiga gostosa.
1 - Tenho consciência de que este é um post extremamente machista e não manifestarei qualquer opinião contrária à do autor.
2 - Prometo deixar um comentário caso considere o texto digno de tal feito.
3 - Concordo com os Termos de leitura e aceito ler a crônica sem jamais processar o autor do blog por qualquer possível ofensa quanto à minha sexualidade, posição política ou religião.
Dia desses twittei que estava pensando em um tema para uma nova crônica, aqui mesmo para o blog. Foi quando uma amiga de longa data sugeriu (também via twitter) que escrevesse sobre a arte dos relacionamentos. Confesso que não sou a pessoa mais indicada para escrever sobre isso. Na verdade, não acredito em amores eternos nem em paixão à primeira vista. Não mais.
Mas posso escrever sobre atitudes femininas insuportáveis. E acreditem, muitas de suas atitudes são insuportáveis. Afinal, colocar a culpa de seu mau humor (diariamente) na TPM, fazer cenas de ciúmes pelo simples fato de uma colega simpática (e gostosa) cumprimentar ou mandar escolher entre o namoro e o futebol com os amigos, não podem ser consideradas atitudes maduras. Ok, a colega simpática não precisaria usar uma roupa tão curta, nem ser tão simpática. E o futebol com os amigos não precisaria sempre terminar em um bar, cercado por amigos, mas principalmente, por amigas.
Mas, mulheres da minha vida, isso não lhes garante o direito de serem tão mau humoradas! Entendemos que uma vez por mês vocês sintam ódio do mundo. Se eu sangrasse mensalmente, também ficaria muito irritado. Se tivesse que manter as axilas, as pernas e (em muitos casos) a genitália depiladas, também odiaria o mundo. Se tivesse que sentir dores por nove meses, carregando um bebê que me dará dor de cabeça pelo resto da vida, sentiria raiva de todo ser vivo. Mas agora parem e pensem: com tantas coisas na cabeça, problemas, depilação, sangramentos, por que diabos insistem em implicar com a pobre da colega gostosa, digo, simpática?
Homem algum suporta o ciúme doentio da namorada (esposa, peguete, namorida, tanto faz). Não sou eu quem diz isso, mas todos os homens que represento nesse momento. Um homem quer apenas ficar em paz, não discutir relação. Quer jogar futebol e sair pra beber com os amigos, não ficar enfornado dentro de casa assistindo Titanic. E acredite, se ele ficar em casa por obrigação, não vai querer assistir filme algum. Vai, no máximo, querer assistir algum canal de esportes. Ou transar. E tenha certeza, o humor dele estará péssimo. Então, não inventem de fazer cena de carente. Não comecem a reclamar do canal de esportes ou da falta de atenção, sob pena de terminarem a noite sozinhas, chorando em seus lençóis. E o mais importante: nunca, mas nunca mesmo, comecem uma discussão com o namorado por causa de um simples "oi" daquela amiga gostosa.
Marcadores:
Amigas gostosas,
Crônica,
Futebol,
Machismo,
Mulheres,
Namoro,
Relacionamento
Assinar:
Postagens (Atom)