Toda vez que saio à rua, procuro por algo diferente. Deve ser o vício da universidade, aquela velha história sobre o "olhar jornalístico" e a busca pelo inusitado. Mas nos últimos tempos, essa busca deixou de ser por pautas. Tudo o que vejo de estranho me inspira uma crônica. E foi em uma dessas observações que presenciei o seguinte fato.
Era início de tarde. Indo para a Unisc, passei por uma obra, que já faz parte da minha rotina. Uma obra que, normalmente, não me chama a atenção. Mas nesse dia, passei pela construção e resolvi observar aqueles que ali trabalhavam. Foi quando um senhor despertou meu interesse. De pé, ao lado da obra, aparentava já ter passado da faixa dos 70. De óculos, calça e camisa sujas, ficou por alguns segundos parado, observando os demais trabalhadores.
Por instantes, pensei que fosse apenas outro curioso, assim como eu, que estivesse a observar aqueles que ali trabalhavam. Quando o interesse já havia passado e meu rosto se voltava para frente, aquele mesmo senhor abaixou-se para pegar uma pá e se pôs a encher um carrinho de mão com brita. Aquele idoso, com aparência frágil, roupa suja, olhos cansados, estava carregando peso, enchendo um carrinho de mão, trabalhando duro naquela construção. E hoje, enquanto vinha novamente para a Unisc, vi outra vez aquele senhor. Camisa xadrez, aquele mesmo óculos e um boné para proteger a cabeça da leve brisa que caia. O observei por alguns segundos, carregando outra carga de brita para dentro do prédio em construção.
Não sei por quê, mas aqueles breves segundos me marcaram. Talvez, ver aquele senhor ali, trabalhando, tenha me lembrado meu avô, que ainda trabalha. Fico pensando, será que daqui uns dez anos, quando meu avô também tiver na casa dos 70, ele vai estar naquela situação, trabalhando, levantando peso? E meus pais? Será que meu pai estará trabalhando aos 70, ou minha mãe? Não consigo aceitar que a terceira idade perca aquela aura, aquela magia que eu via na infância, quando pensava que meus bisavós eram as pessoas mais felizes do mundo, pois finalmente podiam aproveitar a vida, sem preocupações com trabalho, cuidar de crianças, dinheiro. É frustrante pensar que, talvez, meus pais não tenham esses anos de descanso. Que eles trabalharão até o fim da vida. Que eu não poderei proporcionar o conforto que merecem. Pode ser uma preocupação boba e sem sentido, eu sei. Mas aquele breve instante me fez pensar.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
terça-feira, 24 de agosto de 2010
À sombra do próprio egoísmo
Quando criança, em minhas aulas de história, sempre ficava imaginando como seria a vida das pessoas sem luz, sem água encanada, sem televisão. Não conseguia acreditar que uma civilização inteira havia evoluído tomando banho em rios (ou nem tomando) e iluminados apenas pelo fogo. Nada de lâmpadas, tomadas ou protocolos chatos e inexplicáveis quando se reclama a falta de luz. Aliás, solicitar à prestadora desse serviço que venha fazer esse "favor" ao cidadão, e normalizar o fornecimento de energia é o inconveniente mais absurdo dessa tal "modernidade".
Há pouco mais de uma hora, as luzes apagaram-se aqui em casa. O rádio, ligado, parou de se pronunciar repentinamente. E o pior, tudo começou quando o sol já estava dando seu adeus. É claro que, durante a tarde ensolarada, a energia elétrica nunca nos abandona. "Nunca" é exagero, eu sei. Mas todos que estão aqui, lendo esse relato nesse momento, conhecem muito bem a frustração causada pelo escuro. Não por ser escuro, mas pela sensação de limitação e fragilidade que a falta de energia elétrica nos causa. A verdade é que no sentimos acuados, pois não temos o controle.
Mas o que realmente frustra é a má qualidade do serviço. Ficar três ou quatro minutos no telefone, ouvindo uma música chata, esperando por uma atendente que não demonstra o menor entusiasmo ou simpatia e ainda exige que sigamos um protocolo chato (e tudo isso no escuro, é claro), desmotiva. E saber que a estimativa de tempo até o reestabelecimento da luz é de DUAS HORAS, desmotiva ainda mais. Frustra pensar que a tarifa da luz é tão alta e que, mesmo assim, quando precisamos que alguém resolva o problema, a solução vem sobre uma tartaruga.
Ninguém precisa me falar sobre os riscos que os técnicos correm sobre um poste, e o quanto esse trabalho deve ser cuidadoso. Mas eu preciso desse desabafo indignado e que não leva o outro lado em conta, assim como todos os seres humanos. Ao menos nesse momento, preciso ser arrogante o suficiente para pensar no quanto a demora desse serviço prejudica a minha vida. A minha esperança é que o prazo de duas horas seja cumprido. E espero que o fornecimento de água não dê problemas também. Preocupações que não tinha quando criança. Pequenos detalhes que inexistiam naquela aula de história.
Há pouco mais de uma hora, as luzes apagaram-se aqui em casa. O rádio, ligado, parou de se pronunciar repentinamente. E o pior, tudo começou quando o sol já estava dando seu adeus. É claro que, durante a tarde ensolarada, a energia elétrica nunca nos abandona. "Nunca" é exagero, eu sei. Mas todos que estão aqui, lendo esse relato nesse momento, conhecem muito bem a frustração causada pelo escuro. Não por ser escuro, mas pela sensação de limitação e fragilidade que a falta de energia elétrica nos causa. A verdade é que no sentimos acuados, pois não temos o controle.
Mas o que realmente frustra é a má qualidade do serviço. Ficar três ou quatro minutos no telefone, ouvindo uma música chata, esperando por uma atendente que não demonstra o menor entusiasmo ou simpatia e ainda exige que sigamos um protocolo chato (e tudo isso no escuro, é claro), desmotiva. E saber que a estimativa de tempo até o reestabelecimento da luz é de DUAS HORAS, desmotiva ainda mais. Frustra pensar que a tarifa da luz é tão alta e que, mesmo assim, quando precisamos que alguém resolva o problema, a solução vem sobre uma tartaruga.
Ninguém precisa me falar sobre os riscos que os técnicos correm sobre um poste, e o quanto esse trabalho deve ser cuidadoso. Mas eu preciso desse desabafo indignado e que não leva o outro lado em conta, assim como todos os seres humanos. Ao menos nesse momento, preciso ser arrogante o suficiente para pensar no quanto a demora desse serviço prejudica a minha vida. A minha esperança é que o prazo de duas horas seja cumprido. E espero que o fornecimento de água não dê problemas também. Preocupações que não tinha quando criança. Pequenos detalhes que inexistiam naquela aula de história.
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segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Heranças do musaranho
O pequeno musaranho era meio inconformado. Tá, não era bem o musaranho que existe hoje, mas uma espécie de avô, milhões de anos mais velho. Enfim. Esse pequeno ancestral do musaranho era um inconformado. Não era bem visto pelos companheiros. Para eles estava tudo bem. Viviam em comunidade, alimentavam-se o suficiente para sua sobrevivência. E só. Nada de questionar as desigualdades na distribuição de alimento, nem estabelecer regras de convívio social. Ninguém abria a boca para falar nada. Até porque, nenhum deles sabia falar, ainda. E vem daí a importância do pequeno musaranho inconformado.
Começou quando esse vovô questionador resolveu se perguntar: por que nós não subimos em árvores? Só o solo não era o bastante. Mas é claro que, para todos os outros, o musaranho em questão era apenas um lunático. Afinal, onde já se viu um musaranho subindo em árvores? Mas é claro que ele não desistiu. Decidiu que esse seria seu objetivo de vida. Passou todas as horas possíveis, durante intermináveis dias tentando escalar árvores. Mas o tempo passava, e o pobre musaranho perdia as forças. Seus filhos tomaram então essa responsabilidade. Aquela família começou a ser excluída, mas não davam bola. Queriam realizar o sonho do patriarca, agora falecido. E foi de geração em geração que o sonho perpetuou, até o dia em que um filho nasceu diferente. Sua pequena pata não era inteira, mas dividida, com algo semelhante ao que chamamos hoje de "polegar".
Sim, o primeiro passo para a evolução. O musaranho conseguiu subir em árvores. Mas, e agora, qual seria seu objetivo de vida? A razão de existência daquela família era apenas realizar o sonho maluco de seu avô. Mas agora, nada mais fazia sentido. Então, alguns resolveram acomodar-se, já que dominar o solo e os galhos das árvores já era o suficiente. Mas outros poucos seguiram aquele mesmo espírito inquieto do vovô musaranho, e perceberam que poderiam ir muito mais longe. Ensaiaram então os primeiros passos sobre duas patas.
Com as patas dianteiras livres, e principalmente, com polegares nas patas dianteiras, começaram a construir instrumentos rudimentares, usados para conseguir alimento. Os musaranhos, agora, já não se pareciam em nada com aquele pequeno ratinho de 10 centímetros do início da história. Cresceram, adquiriram habilidades, criaram polegares, tornaram-se bípedes e seu cérebro estava em plena evolução. A mudança de postura (e alguns outros fatores explicados cientificamente) contribuíram para que a laringe se dilatasse. A boca agora estava livre, já que não era mas usada para carregar o alimento. Estava pronta para adquirir outras funções. O hemisfério esquerdo do cérebro estava cada vez mais independente do hemisfério direito.
Assim, a parte do cérebro responsável por nossa capacidade de comunicação estava cada vez mais desenvolvida. A laringe configurava-se como uma concha acústica que abrigava aquilo que hoje chamamos de cordas vocais. E a necessidade de comunicação crescia tanto quanto a capacidade do ser humano de se comunicar. As primeiras palavras foram esboçadas. Os primeiros idiomas tomaram cor. E assim começou a história da comunicação. Tudo porque, certa vez, um pequeno bichinho decidiu subir em uma árvore.
Esse post foi inspirado na aula de Tecnologias da Mídia do dia 19 de agosto. A cadeira é ministrada pelo professor Leonel Ayres, na Universidade de Santa Cruz do Sul.
Começou quando esse vovô questionador resolveu se perguntar: por que nós não subimos em árvores? Só o solo não era o bastante. Mas é claro que, para todos os outros, o musaranho em questão era apenas um lunático. Afinal, onde já se viu um musaranho subindo em árvores? Mas é claro que ele não desistiu. Decidiu que esse seria seu objetivo de vida. Passou todas as horas possíveis, durante intermináveis dias tentando escalar árvores. Mas o tempo passava, e o pobre musaranho perdia as forças. Seus filhos tomaram então essa responsabilidade. Aquela família começou a ser excluída, mas não davam bola. Queriam realizar o sonho do patriarca, agora falecido. E foi de geração em geração que o sonho perpetuou, até o dia em que um filho nasceu diferente. Sua pequena pata não era inteira, mas dividida, com algo semelhante ao que chamamos hoje de "polegar".
Sim, o primeiro passo para a evolução. O musaranho conseguiu subir em árvores. Mas, e agora, qual seria seu objetivo de vida? A razão de existência daquela família era apenas realizar o sonho maluco de seu avô. Mas agora, nada mais fazia sentido. Então, alguns resolveram acomodar-se, já que dominar o solo e os galhos das árvores já era o suficiente. Mas outros poucos seguiram aquele mesmo espírito inquieto do vovô musaranho, e perceberam que poderiam ir muito mais longe. Ensaiaram então os primeiros passos sobre duas patas.
Com as patas dianteiras livres, e principalmente, com polegares nas patas dianteiras, começaram a construir instrumentos rudimentares, usados para conseguir alimento. Os musaranhos, agora, já não se pareciam em nada com aquele pequeno ratinho de 10 centímetros do início da história. Cresceram, adquiriram habilidades, criaram polegares, tornaram-se bípedes e seu cérebro estava em plena evolução. A mudança de postura (e alguns outros fatores explicados cientificamente) contribuíram para que a laringe se dilatasse. A boca agora estava livre, já que não era mas usada para carregar o alimento. Estava pronta para adquirir outras funções. O hemisfério esquerdo do cérebro estava cada vez mais independente do hemisfério direito.
Assim, a parte do cérebro responsável por nossa capacidade de comunicação estava cada vez mais desenvolvida. A laringe configurava-se como uma concha acústica que abrigava aquilo que hoje chamamos de cordas vocais. E a necessidade de comunicação crescia tanto quanto a capacidade do ser humano de se comunicar. As primeiras palavras foram esboçadas. Os primeiros idiomas tomaram cor. E assim começou a história da comunicação. Tudo porque, certa vez, um pequeno bichinho decidiu subir em uma árvore.
Esse post foi inspirado na aula de Tecnologias da Mídia do dia 19 de agosto. A cadeira é ministrada pelo professor Leonel Ayres, na Universidade de Santa Cruz do Sul.
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terça-feira, 17 de agosto de 2010
O que um homem não suporta em um relacionamento
Antes de ler o restante do texto, você deve concordar com os Termos de leitura:
1 - Tenho consciência de que este é um post extremamente machista e não manifestarei qualquer opinião contrária à do autor.
2 - Prometo deixar um comentário caso considere o texto digno de tal feito.
3 - Concordo com os Termos de leitura e aceito ler a crônica sem jamais processar o autor do blog por qualquer possível ofensa quanto à minha sexualidade, posição política ou religião.
Dia desses twittei que estava pensando em um tema para uma nova crônica, aqui mesmo para o blog. Foi quando uma amiga de longa data sugeriu (também via twitter) que escrevesse sobre a arte dos relacionamentos. Confesso que não sou a pessoa mais indicada para escrever sobre isso. Na verdade, não acredito em amores eternos nem em paixão à primeira vista. Não mais.
Mas posso escrever sobre atitudes femininas insuportáveis. E acreditem, muitas de suas atitudes são insuportáveis. Afinal, colocar a culpa de seu mau humor (diariamente) na TPM, fazer cenas de ciúmes pelo simples fato de uma colega simpática (e gostosa) cumprimentar ou mandar escolher entre o namoro e o futebol com os amigos, não podem ser consideradas atitudes maduras. Ok, a colega simpática não precisaria usar uma roupa tão curta, nem ser tão simpática. E o futebol com os amigos não precisaria sempre terminar em um bar, cercado por amigos, mas principalmente, por amigas.
Mas, mulheres da minha vida, isso não lhes garante o direito de serem tão mau humoradas! Entendemos que uma vez por mês vocês sintam ódio do mundo. Se eu sangrasse mensalmente, também ficaria muito irritado. Se tivesse que manter as axilas, as pernas e (em muitos casos) a genitália depiladas, também odiaria o mundo. Se tivesse que sentir dores por nove meses, carregando um bebê que me dará dor de cabeça pelo resto da vida, sentiria raiva de todo ser vivo. Mas agora parem e pensem: com tantas coisas na cabeça, problemas, depilação, sangramentos, por que diabos insistem em implicar com a pobre da colega gostosa, digo, simpática?
Homem algum suporta o ciúme doentio da namorada (esposa, peguete, namorida, tanto faz). Não sou eu quem diz isso, mas todos os homens que represento nesse momento. Um homem quer apenas ficar em paz, não discutir relação. Quer jogar futebol e sair pra beber com os amigos, não ficar enfornado dentro de casa assistindo Titanic. E acredite, se ele ficar em casa por obrigação, não vai querer assistir filme algum. Vai, no máximo, querer assistir algum canal de esportes. Ou transar. E tenha certeza, o humor dele estará péssimo. Então, não inventem de fazer cena de carente. Não comecem a reclamar do canal de esportes ou da falta de atenção, sob pena de terminarem a noite sozinhas, chorando em seus lençóis. E o mais importante: nunca, mas nunca mesmo, comecem uma discussão com o namorado por causa de um simples "oi" daquela amiga gostosa.
1 - Tenho consciência de que este é um post extremamente machista e não manifestarei qualquer opinião contrária à do autor.
2 - Prometo deixar um comentário caso considere o texto digno de tal feito.
3 - Concordo com os Termos de leitura e aceito ler a crônica sem jamais processar o autor do blog por qualquer possível ofensa quanto à minha sexualidade, posição política ou religião.
Dia desses twittei que estava pensando em um tema para uma nova crônica, aqui mesmo para o blog. Foi quando uma amiga de longa data sugeriu (também via twitter) que escrevesse sobre a arte dos relacionamentos. Confesso que não sou a pessoa mais indicada para escrever sobre isso. Na verdade, não acredito em amores eternos nem em paixão à primeira vista. Não mais.
Mas posso escrever sobre atitudes femininas insuportáveis. E acreditem, muitas de suas atitudes são insuportáveis. Afinal, colocar a culpa de seu mau humor (diariamente) na TPM, fazer cenas de ciúmes pelo simples fato de uma colega simpática (e gostosa) cumprimentar ou mandar escolher entre o namoro e o futebol com os amigos, não podem ser consideradas atitudes maduras. Ok, a colega simpática não precisaria usar uma roupa tão curta, nem ser tão simpática. E o futebol com os amigos não precisaria sempre terminar em um bar, cercado por amigos, mas principalmente, por amigas.
Mas, mulheres da minha vida, isso não lhes garante o direito de serem tão mau humoradas! Entendemos que uma vez por mês vocês sintam ódio do mundo. Se eu sangrasse mensalmente, também ficaria muito irritado. Se tivesse que manter as axilas, as pernas e (em muitos casos) a genitália depiladas, também odiaria o mundo. Se tivesse que sentir dores por nove meses, carregando um bebê que me dará dor de cabeça pelo resto da vida, sentiria raiva de todo ser vivo. Mas agora parem e pensem: com tantas coisas na cabeça, problemas, depilação, sangramentos, por que diabos insistem em implicar com a pobre da colega gostosa, digo, simpática?
Homem algum suporta o ciúme doentio da namorada (esposa, peguete, namorida, tanto faz). Não sou eu quem diz isso, mas todos os homens que represento nesse momento. Um homem quer apenas ficar em paz, não discutir relação. Quer jogar futebol e sair pra beber com os amigos, não ficar enfornado dentro de casa assistindo Titanic. E acredite, se ele ficar em casa por obrigação, não vai querer assistir filme algum. Vai, no máximo, querer assistir algum canal de esportes. Ou transar. E tenha certeza, o humor dele estará péssimo. Então, não inventem de fazer cena de carente. Não comecem a reclamar do canal de esportes ou da falta de atenção, sob pena de terminarem a noite sozinhas, chorando em seus lençóis. E o mais importante: nunca, mas nunca mesmo, comecem uma discussão com o namorado por causa de um simples "oi" daquela amiga gostosa.
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segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Dia dos solteiros e outras datas sem sentido
Eu deveria estar comemorando o dia dos solteiros nesse momento. Mas, pela falta de oportunidade e de companhia, resolvi escrever. Dia dos solteiros é mais uma dessas datas sem sentido, inventadas para parabenizarmos amigos no MSN, escrevermos algo escroto e grosseiro no twitter e participarmos de novas comunidades do orkut. É uma data que pouquíssima gente saberia que existe, não fosse a Internet.
Aliás, a Internet é a responsável por propagar a maior parte destas datas estranhas. Há alguns dias, por exemplo, tivemos o Lingerie Day, um movimento no twitter para que as moçoilas presentes na rede social trocassem seus avatares (suas imagens de exibição) por fotos com lingeries. Em fevereiro, no dia 28 para ser mais específico, ocorre o Dia do sono, data bastante tentadora por sinal.
Antes que me critiquem, não sou contrário à propagação dessas datas pela Internet, apenas considero muitas delas extremamente inúteis. Uma dessas datas (tão inúteis quanto dar um IPhone à minha avó), que descobri não faz muito tempo, é o dia da amante. Um incentivo à traição ou uma singela homenagem àquela pessoa que destrói, mas que em muitos casos é a salvadora de um relacionamento? Confesso que não parei para pensar a respeito.
Mas não preciso falar apenas das datas pouco difundidas. O dia dos namorados, por exemplo, é uma data sem lógica alguma. No mundo todo o dia dos namorados é comemorado em 14 de fevereiro, uma homenagem a São Valentim, padroeiro dos casais, dos apaixonados. Mas no Brasil, a culpa por ser apenas no dia 12 de junho é de um publicitário (sempre esses publicitários!). Na falta de uma data relevante ao comércio no mês de junho, o publicitário João Dória foi contratado para embalar o comércio paulista. Com o slogan "Não é só com beijos que se prova o amor", Dória conseguiu aquecer o fraco comércio de junho, incentivando a troca de presentes entre namorados.
Tudo bem, talvez eu seja apenas um solteirão, recalcado e pão duro, que não quer gastar no dia dos namorados e não tem com quem comemorar o dia dos solteiros. Mas a verdade é que frustra pensar que existe uma data comemorativa para quase todas as besteiras em que podemos pensar. Bom mesmo era o tempo em que apenas datas de relevância à nossa história mereciam ser lembradas. Homenageávamos apenas quem tinha feito algo digno de ser lembrado. E mesmo as datas comerciais (dia dos pais, das mães, páscoa, natal) valiam mesmo pelo que representavam, e não por serem símbolos de presentes. Hoje, até celebrar um domingo em família virou clichê. E isso não é algo de que sinto orgulho.
Aliás, a Internet é a responsável por propagar a maior parte destas datas estranhas. Há alguns dias, por exemplo, tivemos o Lingerie Day, um movimento no twitter para que as moçoilas presentes na rede social trocassem seus avatares (suas imagens de exibição) por fotos com lingeries. Em fevereiro, no dia 28 para ser mais específico, ocorre o Dia do sono, data bastante tentadora por sinal.
Antes que me critiquem, não sou contrário à propagação dessas datas pela Internet, apenas considero muitas delas extremamente inúteis. Uma dessas datas (tão inúteis quanto dar um IPhone à minha avó), que descobri não faz muito tempo, é o dia da amante. Um incentivo à traição ou uma singela homenagem àquela pessoa que destrói, mas que em muitos casos é a salvadora de um relacionamento? Confesso que não parei para pensar a respeito.
Mas não preciso falar apenas das datas pouco difundidas. O dia dos namorados, por exemplo, é uma data sem lógica alguma. No mundo todo o dia dos namorados é comemorado em 14 de fevereiro, uma homenagem a São Valentim, padroeiro dos casais, dos apaixonados. Mas no Brasil, a culpa por ser apenas no dia 12 de junho é de um publicitário (sempre esses publicitários!). Na falta de uma data relevante ao comércio no mês de junho, o publicitário João Dória foi contratado para embalar o comércio paulista. Com o slogan "Não é só com beijos que se prova o amor", Dória conseguiu aquecer o fraco comércio de junho, incentivando a troca de presentes entre namorados.
Tudo bem, talvez eu seja apenas um solteirão, recalcado e pão duro, que não quer gastar no dia dos namorados e não tem com quem comemorar o dia dos solteiros. Mas a verdade é que frustra pensar que existe uma data comemorativa para quase todas as besteiras em que podemos pensar. Bom mesmo era o tempo em que apenas datas de relevância à nossa história mereciam ser lembradas. Homenageávamos apenas quem tinha feito algo digno de ser lembrado. E mesmo as datas comerciais (dia dos pais, das mães, páscoa, natal) valiam mesmo pelo que representavam, e não por serem símbolos de presentes. Hoje, até celebrar um domingo em família virou clichê. E isso não é algo de que sinto orgulho.
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domingo, 15 de agosto de 2010
Frustrações dos meus pais, frustrações dos seus filhos
A geração dos meus pais não cresceu na frente de um computador. Alguns vão dizer "tá, e qual a novidade?", mas acreditem, para muitos jovens, é difícil pensar que celular, internet e ipod não faziam parte da lista de natal das crianças que hoje chamamos de pais. Minha mãe não ficava grudada ao celular, no meio da aula, esperando uma mensagem de algum namoradinho. E meu pai não mandava sms para todas suas colegas. Simplesmente porque o celular não estava na mão de cada jovem, como algo banal mas imprescindível à vida.
Meus pais nunca reclamaram porque seus ipods deixaram de funcionar, ou porque a conexão da internet estava ruim. Não em sua juventude. Na verdade, nem sei se eles sabem o que é um ipod. Quando começaram a namorar, o símbolo do que sentiam era uma rosa roubada do jardim da vizinha, presente que meu pai entregava à minha mãe diariamente, e não o simples fato de mudar o status do orkut para "namorando". Até o amor parecia algo humano na juventude de meus pais.
Hoje, somos infelizes se, simplesmente, estamos sem rede no celular. Palavrões são ditos o tempo todo se a internet cai. O status do orkut e as frases do twitter resumem a vida das pessoas. Temos muitos amigos, muito mais do que meus pais tiveram em sua vida inteira, mas não os conhecemos. A vida só existe se puder ser resumida em 140 caracteres. O resto é resto. São frivolidades daqueles velhos e caretas que não são capazes de compreender o quanto nossa é difícil. Eles não entendem o sofrimento de uma frase no twitter, ou a importância de uma declaração no orkut. Falta de romantismo moderno.
Podem defender que isso é a "evolução", não estou nem aí. Quando ouço meus pais falando sobre os atos de romantismo, sobre o quanto era bom estar com os amigos (estar de verdade, e não em convenções de redes sociais), fico com a certeza de que nasci na geração errada. Sou apaixonado por essa tecnologia que facilita nossa vida e nos aproxima das pessoas, mas questiono: que evolução é essa que mecaniza os sentimentos e nos frustra com coisas tão banais? Algumas coisas não podem ser ditas ou sentidas apenas em 140 caracteres.
Meus pais nunca reclamaram porque seus ipods deixaram de funcionar, ou porque a conexão da internet estava ruim. Não em sua juventude. Na verdade, nem sei se eles sabem o que é um ipod. Quando começaram a namorar, o símbolo do que sentiam era uma rosa roubada do jardim da vizinha, presente que meu pai entregava à minha mãe diariamente, e não o simples fato de mudar o status do orkut para "namorando". Até o amor parecia algo humano na juventude de meus pais.
Hoje, somos infelizes se, simplesmente, estamos sem rede no celular. Palavrões são ditos o tempo todo se a internet cai. O status do orkut e as frases do twitter resumem a vida das pessoas. Temos muitos amigos, muito mais do que meus pais tiveram em sua vida inteira, mas não os conhecemos. A vida só existe se puder ser resumida em 140 caracteres. O resto é resto. São frivolidades daqueles velhos e caretas que não são capazes de compreender o quanto nossa é difícil. Eles não entendem o sofrimento de uma frase no twitter, ou a importância de uma declaração no orkut. Falta de romantismo moderno.
Podem defender que isso é a "evolução", não estou nem aí. Quando ouço meus pais falando sobre os atos de romantismo, sobre o quanto era bom estar com os amigos (estar de verdade, e não em convenções de redes sociais), fico com a certeza de que nasci na geração errada. Sou apaixonado por essa tecnologia que facilita nossa vida e nos aproxima das pessoas, mas questiono: que evolução é essa que mecaniza os sentimentos e nos frustra com coisas tão banais? Algumas coisas não podem ser ditas ou sentidas apenas em 140 caracteres.
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sexta-feira, 13 de agosto de 2010
A vida na sexta-feira 13
Deveria ser um dia normal. Mas não é, e sabemos disso. A sexta-feira 13 é um símbolo popular do azar, mas mais do que isso, é um símbolo das incertezas. Parece besteira, mas muitos deixam de assistir filmes de terror em uma sexta-feira 13. Não é medo, é precaução. Afinal, ninguém acredita em bruxas, monstros, vampiros (vampiros tradicionais, não esses que brilham como fadas), mas que eles existem, existem.
Superstição é a palavra da moda nesse dia. É como se todos assumissem suas dúvidas perante o inexplicável. Ou, para alguns, o momento de demonstrar toda sua bravura, pronunciando palavras enfadonhas diante um espelho, à meia-noite, visitando cemitérios, atravessando portais místicos localizados em baixo de escadas, encarando gatos pretos, sem medo ou receio. Sim, hora de demonstrar ao mundo toda sua ousadia.
Aliás, tudo que fazemos numa sexta-feira 13 parece diferente do comum. É como se fugíssemos da rotina, mesmo que tenhamos um dia rigorosamente igual aos dias anteriores. Mas aquela sensação de que é um dia de azar, um dia em que a superstição está em todos os atos e lugares, nos transforma, e transforma nosso dia. Eu mesmo acordei após um pesadelo. E nunca tenho pesadelos. Exceto hoje.
Todos os dias deveriam ser tratados como uma sexta-feira 13. Com a mesma superstição, a mesma sede por algo diferente. Uma tentativa de fuga da rotina. Talvez as coisas deixassem de ser tão chatas e fossem mais interessantes. Sentir medo, alegria, frustração e esperança em um mesmo dia, todos os dias, não é um crime, mas uma missão. Mostra que vivemos com intensidade. Muito melhor do que simplesmente sentarmos enquanto a vida passa.
Superstição é a palavra da moda nesse dia. É como se todos assumissem suas dúvidas perante o inexplicável. Ou, para alguns, o momento de demonstrar toda sua bravura, pronunciando palavras enfadonhas diante um espelho, à meia-noite, visitando cemitérios, atravessando portais místicos localizados em baixo de escadas, encarando gatos pretos, sem medo ou receio. Sim, hora de demonstrar ao mundo toda sua ousadia.
Aliás, tudo que fazemos numa sexta-feira 13 parece diferente do comum. É como se fugíssemos da rotina, mesmo que tenhamos um dia rigorosamente igual aos dias anteriores. Mas aquela sensação de que é um dia de azar, um dia em que a superstição está em todos os atos e lugares, nos transforma, e transforma nosso dia. Eu mesmo acordei após um pesadelo. E nunca tenho pesadelos. Exceto hoje.
Todos os dias deveriam ser tratados como uma sexta-feira 13. Com a mesma superstição, a mesma sede por algo diferente. Uma tentativa de fuga da rotina. Talvez as coisas deixassem de ser tão chatas e fossem mais interessantes. Sentir medo, alegria, frustração e esperança em um mesmo dia, todos os dias, não é um crime, mas uma missão. Mostra que vivemos com intensidade. Muito melhor do que simplesmente sentarmos enquanto a vida passa.
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